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Polícia investiga 23 queixas de ataques com seringa no metrô

Cerca de dez policiais e seguranças à paisana circulam diariamente pelas estações em busca dos agressores

Por: Mariana Zylberkan

Interior da Estação do Metrô Sé
Estação Sé do metrô concentra maior número de casos (Foto: ALEXANDRE BATTIBUGLI)

A Polícia Civil registrou 23 boletins de ocorrência de vítimas de ataques com seringa em estações do metrô nos últimos três meses. A maioria dos casos aconteceu em horários de pico e nas estações de maior movimento, como Sé e República da linha 3-Vermelha. 

De acordo com o delegado da Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom), Rogério Marques, um suspeito foi identificado por meio de um retrato falado nesta terça-feira (20) e levado à delegacia para prestar depoimento, mas nenhuma vítima o reconheceu e ele foi liberado. O homem é acusado de ter atacado uma adolescente dentro de ônibus no bairro do Ipiranga no início de agosto.  

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Dos 23 boletins de ocorrência registrados pela Delpom, apenas seis vítimas quiseram dar continuidade às investigações e as queixas se tornaram inquéritos policiais, segundo o delegado. Em um deles, uma mulher chegou a levar aos policiais a agulha que a atingiu e ficou presa em sua roupa. Em outro depoimento, uma mulher disse ter conseguido pegar a seringa da mão do agressor, mas a derrubou no vão do trem. "Cada um descreve um agressor diferente, por isso a apuração é complicada", diz o delegado. 

Para ajudar nas investigações, policiais civis e seguranças à paisana têm circulado diariamente pelas plataformas das principais estações em horário de pico. Três retratos falados foram divulgados pela Polícia Civil na última sexta-feira (16).    

Um dos ataques mais recentes foi relatado na última quarta-feira (14) pela estudante universitária Sami Fernandes, 22 anos, em sua página no Facebook. Ela contou que estava indo para a faculdade dentro do vagão na estação Sé quando sentiu algo lhe espetar na região lombar. "Eu só senti porque contraí o músculo e percebi que não era um esbarrão qualquer", disse. 

sami fernandes
Sami Fernandes disse ter sido atacada na estação Sé do metrô (Foto: Reprodução/Facebook)

Desesperada, ela lembra que desceu na estação Liberdade, ligou para a mãe e foi para o Hospital Emílio Ribas, de onde saiu com uma receita de coquetel de remédios anti-HIV que deverá tomar por 28 dias. O tratamento é chamado de profilaxia pós-exposição e é composto por medicamentos que fazem parte do tratamento da Aids. "Por culpa de um psicopata tenho que fazer um tratamento contra AIDS, para hepatite, fazer vários exames, e por conta dos remédios, terei vários efeitos colaterais que vão atrapalhar a minha vida", lamenta a estudante. 

Em meio a casos reais como o da estudante, a divulgação de que há um "maníaco da seringa" em ação nas estações de metrô tem aumentado os registros de ocorrências "por pânico", de acordo com o delegado Marques da Delpom. "No meio do empurra-empurra nos horários de pico é comum os passageiros sentirem algo lhes atingir no ombro ou nas costas."

retrato falado caso seringas metrô
Polícia Civil divulga retrato falado de acusados de atacar mulheres com seringas no metrô (Foto: Reprodução/Polícia Civil)

Médicos do Hospital Emílio Ribas relatam que chegaram a atender pessoas que contaram terem sido espetadas por sacolas de outros passageiros no metrô e até uma mulher que teve uma espinha estourada nas costas e pensou ter sido atacada. Procurada, a secretaria Estadual de Saúde informou que não dispõe do número de pacientes atendidos no hospital com queixa de terem sido atingidos por agulhadas no transporte público. 

A primeira prisão de um acusado de ser o "maníaco da seringa" ocorreu em 31 de julho na região da Avenida Paulista. O morador de rua Antônio Nogueira de Santana foi detido por policiais do 78º DP com uma seringa e um alicate no bolso da calça. Ele foi reconhecido por sete vítimas e atualmente cumpre pena por lesão corporal em um hospital psiquiátrico da capital. 

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO