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Playcenter promove última edição das Noites do Terror

Após 25 anos entre monstros e fantasmas, evento deu adeus aos fãs no domingo passado (15)

Por: Simone Tobias

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As estudantes Victoria Nolon e Gabriela Varella, entre alguns dos atores: os fãs já estão com saudade (Foto: Leo Feltran)
O susto sempre foi uma marca registrada das Noites do Terror do Playcenter. No domingo passado (15), porém, por trás das maquiagens horripilantes dos atores podiam ser vistos alguns olhos marejados. No camarim, enquanto se preparavam para entrar em cena, os intérpretes que encarnavam “Jason” — inspirado em personagem do filme "Sexta-Feira 13" — e "Freddy Krueger" — de "A Hora do Pesadelo" — se abraçavam emocionados, na despedida de um dos principais eventos temáticos de São Paulo, realizado desde 1988. “Hoje é dia para liberar a tristeza acumulada”, dizia o produtor Anderson Rodrigues da Silva, há catorze anos trabalhando no evento. A data final do show acabou sendo postergada por duas vezes, tamanha foi a procura. Agora, os responsáveis dizem que a história acabou para valer, embora muitos fãs ainda torçam para que o espetáculo ressuscite de forma surpreendente, ao estilo dos vilões das grandes franquias da indústria do pavor em Hollywood. + Playcenter fecha suas portas no dia 29 de julho + Dez curiosidades sobre o Playcenter Esse último capítulo do circo trash das trevas na Marginal Tietê começou a ser escrito quando o Playcenter anunciou que encerraria suas atividades. Inaugurado em 1973, ele fechará seus portões no dia 29. Mantém o passaporte a 57 reais, apesar de não contar mais com brinquedos clássicos como as montanhas-russas Boomerang e Windstorm, desmontadas há alguns meses. O parque viu seu público minguar por causa da pequena renovação nas atrações. A média de visitantes caiu cerca de 20% na última década e hoje se mantém na faixa de 1,5 milhão de pagantes por ano, número insuficiente para continuar bancando o investimento.+ Playcenter começa a desmontar os brinquedos Considerando-se esse cenário negro, as Noites do Terror representavam uma rara exceção de sucesso, sendo responsáveis por mais de 30% do total de visitas anuais. Elas se tornaram célebres por atrair adolescentes e contar com participações especiais, como a de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, que comandou a primeira edição. Há quinze anos, o apresentador é Nilldo Jaffer. Na semana passada, após passar uma hora e meia sendo maquiado para encarnar o personagem O Caveira, reuniu cerca de 700 pessoas — várias gritando seu nome — em frente ao palco para anunciar a saideira do evento. “Meu amor por esse trabalho é incondicional, não sei como vou viver sem essa sensação”, afirmou ele.                                                                                                                                         Leo Feltran
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O apresentador Nilldo Jaffer: uma hora e meia para virar O Caveira (Foto: Leo feLtran)
O apresentador Nilldo Jaffer: uma hora e meia para virar O Caveira Para o grand finale, cujo tema era Todos os Medos Juntos, foram contratados 300 profissionais, entre atores — a um cachê diário de 40 reais —, maquiadores e costureiras. Vários deles, admiradores de longa data do show. “Minha primeira vez nas Noites do Terror foi como espectadora, em 1997. Ao sair, sabia que iria trabalhar aqui algum dia”, lembrava a figurante Graziele Salgado, borrando com choro a maquiagem da personagem Menina do Corredor. Até casais surgiram entre os monstros. Na terceira das sete edições em que atuou, a atriz Arlene Diniz conheceu o marido, Otávio. “O evento tem um significado especial na minha vida, e eu precisava participar do último dia”, afirmou a responsável por interpretar a personagem Diaba. “Já estamos com saudade”, dizia na saída a estudante Victoria Nolon, que compareceu ao show derradeiro em companhia da amiga Gabriela Varella.+ Últimos dias para ir ao Playcenter O estágio avançado de decadência das instalações e da manutenção do Playcenter ficou evidente nos últimos tempos com a ocorrência de dois acidentes graves. Em 2010, um choque entre dois carrinhos da montanha-russa Looping Star deixou um saldo de dezesseis feridos. No ano passado, a abertura da trava de segurança do Double Shock arremessou oito visitantes de uma altura de 7 metros. Cinco deles sofreram lesões sérias e tiveram de ser socorridos no hospital. Após o fechamento, no fim deste mês, o parque será reformado com um investimento de 40 milhões de reais. Passará a contar com novos brinquedos e provavelmente trocará de nome. “O espaço é uma das áreas mais tradicionais de lazer da cidade, e São Paulo não pode ficar sem ele”, acredita Marcelo Gutglas, presidente do Playcenter. Parte do empreendimento ficará pronta no primeiro semestre do próximo ano. O término das obras está previsto para 2014, antes da Copa do Mundo. Quando a construção acabar, o espaço terá capacidade máxima para 4.500 pessoas por dia.                                                                                                                                                                                                   Leo Feltran
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O empresário Marcelo Gutglas: novo parque em 2013 (Foto: Leo Feltran)
O empresário Marcelo Gutglas: novo parque em 2013 Enquanto isso, os atores das Noites do Terror mantêm a esperança de atuar em um projeto semelhante num futuro próximo. O grupo deve se reunir em breve para discutir a possibilidade de produzir espetáculos em outros locais. “Temos muitos fãs, e essa magia não pode terminar de uma hora para outra”, diz Ricardo Fernandez — que participou de todas as 26 edições do evento —, por baixo da máscara de Hannibal Lecter, do filme "O Silêncio dos Inocentes". SANGUE FALSOOs números que movimentavam cada noite do evento 180 atores120 profissionais de apoio180 lentes de contato coloridas300 quilos de maquiagem1.500 unidades de pancake80 quilos de cola35 quilos de algodão  

Fonte: VEJA SÃO PAULO