Transporte público

Manifestantes entram em confronto novamente com a polícia

Grupo protesta contra o aumento das tarifas do transporte público

Por: João Batista Jr. e Juliana Deodoro - Atualizado em

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Mais um ato contra o aumento das tarifas de ônibus, metrô e trem termina em depredação, fogo, bombas de efeito moral, balas de borracha e gás de pimenta. Na noite desta terça-feira (11), manifestantes e policiais entraram em conflito nas ruas da região central. Outra ação está programada para acontecer na próxima quinta-feira (13), a partir das 17h,  em frente ao Teatro Municipal.

Segundo policial do patrulhamento de rua, de 10 000 a 12 000 pessoas participaram do ato. Mas representantes do grupo que organizou o ato registraram 15 000 pessoas.Responsável pela operação, o coronel Marcelo Pignatari disse que pelo menos dez manifestantes foram detidos. O Ministério Público de São Paulo realiza nesta quarta-feira (12) uma reunião a partir das 14h com representantes dos grupos contra o aumento da tarifa e das Secretarias Estadual e Municipal de Transportes

Confusão

Nesta terça, a confusão começou no Terminal Parque Dom Pedro II. Apesar do bloqueio, alguns participantes conseguiram entrar. Segundo a PM, eles tentaram atear fogo em alguns veículos. Com isso, homens do Choque e da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) revidaram com bombas de efeito moral, balas de borracha e gás de pimenta. Do outro lado, representantes do Movimento Passe Livre afirmaram que só queriam entrar para finalizar a manifestação. Mas, como a entrada foi bloqueada, ficou difícil mobilizar a multidão para retornar. 

Após a confusão no terminal, os manifestantes se dividiram em grupos. Alguns promoveram depredação e pichação por onde passavam, quebrando lixeiras e até mesmo vidros de agências bancárias. Além disso, atearam fogo em uma barricada na Rua Senador Feijó. Policiais entraram em conflito com eles também na Praça da Sé.

Antes mesmo de chegarem no Terminal Parque Dom Pedro II, alguns manifestantes depredaram e atearam fogo em um ônibus na Avenida Rangel Pestana, além de picharem outros coletivos e também muros. Era possível encontrar sinalizadores como os utilizados em jogos de futebol.

O protesto começou por volta das 17h45, quando as pessoas deixaram a Avenida Paulista e seguiram pela Rua da Consolação. Por causa da forte chuva no início do ato, alguns participantes procuraram abrigo e ficaram pelo caminho. Entretanto, a maioria continuou caminhando. 

Aos gritos de "São Paulo parou", eles interditavam as vias por onde passavam. O ato organizado pelo Movimento Passe Livre contou também com a participação de representantes do Sindicado dos Metroviários.

No início o grupo prometeu seguir para a Câmara Municipal, depois resolveu ir para a Prefeitura. Entretanto, acabou mesmo no Terminal Parque Dom Pedro II. 

Pignatari disse que todos os atos de vandalismo foram contidos e que a manifestação terminou no Masp. Entretanto, novo confronto aconteceu no local e a via foi totalmente ocupada. Homens do Batalhão de Choque jogaram bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes, que destruíram a entrada do Metrô Trianon-Masp. 

Segundo Pignatari, 400 policiais acompanharam o protesto, além do helicóptero da PM e um caminhão do Corpo de Bombeiros. A segurança contou posteriormente com o reforço dos homens do Batalhão de Choque e da Rota.

No período da tarde, duas outras manifestações ocorreram simultaneamente no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo). De um lado, policiais civis protestaram contra o governo. Do outro estavam servidores da saúde estadual em greve. Apesar dos eventos acontecerem simultaneamente, nenhum problema foi registrado. Apenas uma faixa da avenida foi interditada, sem bloquear totalmente o trânsito de veículos.

Outros atos

Na última semana, o Movimento Passe Livre realizou dois atos. No primeiro, na última quinta-feira (6), os participantes entraram em confronto com a Polícia Militar, que utilizou bombas de efeito moral e balas de borracha para conter manifestantes no entorno da Avenida Paulista. Ônibus, placas de sinalização e estações do Metrô foram depredados.

Já na sexta-feira (7), cerca de 5 mil pessoas participaram de nova manifestação contra aumento da passagem de ônibus. Durante o protesto, que começou e terminou no Largo da Batata, os policiais utilizaram bombas de efeito moral para evitar a ocupação de algumas vias, com a Marginal Pinheiros. 

Causa

Os protestos começaram logo após o reajuste da passagem de ônibus, metrô e trens de R$ 3,00 para R$ 3,20, no domingo (2). A tarifa não sofria alterações desde janeiro de 2011. A cota de junho para estudantes já será calculada com base no valor de R$ 1,60, o equivalente à metade do novo bilhete.

Publicada no Diário Oficial do último dia 25 de maio, a decisão do prefeito Fernando Haddad decretou um reajuste de 6,67%. Se fosse aplicada a inflação do período, a tarifa cheia chegaria a R$ 3,40.

Fonte: VEJA SÃO PAULO