Exposições

MAM faz maior retrospectiva já realizada da obra de Oswaldo Goeldi

Mostra conta com 200 itens entre desenhos e gravuras

Por: Adriano Conter - Atualizado em

Oswaldo Goeldi - Exposições - 2273
"A Dança do Guarda-Chuva e do Cachorro": melancolia é um dos traços do artista (Foto: Divulgação)

Meio século depois de ter sido encontrado morto no quarto onde morava de favor no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, o carioca Oswaldo Goeldi (1895-1961) ganha a maior retrospectiva já realizada de sua obra. Com curadoria de Paulo Venâncio Filho, a montagem traz ao MAM, a partir de sexta (15), 200 itens, entre desenhos e gravuras.

Uma outra sala, de caráter educativo, reúne sob a organização de Lani Goeldi, sobrinha-neta do artista, objetos pessoais e profissionais, além de documentos, cartas, fotografias e uma prensa, na tentativa de reproduzir o ateliê do expressionista.

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Criados a partir da década de 20, quando a produção do gravador atingiu a maturidade, os trabalhos foram arranjados por afinidade temática e plástica. O percurso leva o visitante a uma trajetória em zigue-zague, passando por cruzamentos e becos, temas comuns no universo sombrio de Goeldi. “A intenção foi criar uma exposição que não tivesse começo ou fim definidos”, diz o curador. Predominam as xilogravuras de alto contraste, com atmosfera marginal e melancólica na qual a luz luta para ganhar seu espaço. Sobressaem ainda os exemplares do início dos anos 30, época em que o artista começou a explorar a cor, e a sessão dedicada ao mar e aos pescadores.

“Um europeu sentimental exilado”, como ele mesmo se definia, Goeldi era filho do cientista Emílio Augusto Goeldi. Cresceu e começou sua carreira na Suíça. Ao voltar para o Rio, em 1919, recusou a euforia artística do período entreguerras. Chegou a ilustrar revistas e livros, como a “Obra Completa”, de Fiódor Dostoievski, publicada pela Editora José Olympio em 1937. Foi ainda professor na Escolinha de Arte do Brasil e na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ali abriu uma oficina de xilogravura, que mais tarde deu origem ao curso de graduação em gravura da instituição.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO