Roteiro

O que fazer neste domingo (05): exposições

Seis dicas de mostras em cartaz na cidade hoje

Por: Redação VEJA SÃO PAULO on-line

Sala da Relatividade - Escher
Sala da Relatividade: truque de perspectiva elaborado por Escher (Foto: Divulgação)

+ O que fazer neste domingo (05)

  • Nome incontornável do fotojornalismo do século passado, sobretudo nos quase vinte anos em que trabalhou na revista Life, o americano Andreas Feininger (1908-1999) ganha a primeira individual na América Latina. A retrospectiva reúne 93 imagens da cidade de Nova York feitas durante a década de 40. Entusiasmado e ao mesmo tempo cético em relação ao progresso urbano, o fotógrafo clicou pontes, arranhacéus, indústrias, carros e multidões da metrópole. Arquiteto formado pela escola alemã Bauhaus, da qual seu pai, Lyonel, foi um dos fundadores, Feininger pode ser classificado como formalista. Ao contrário de Henri Cartier-Bresson, sempre à espera do “momento decisivo”, ele se preocupava em estruturar com perfeição o ângulo de cada enquadramento, à maneira de uma composição musical. Não à toa, manifestava paixão pelos minuciosos contrapontos de Johann Sebastian Bach.  De 26/03/2011 a 26/06/2011.
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  • Celebrado nome da gravura no século XX, o holandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972) possuía um estilo único. Uma de suas características mais marcantes eram os padrões geométricos criados para entrelaçar imagens e as construções impossíveis. Distribuída por todo o Centro Cultural Banco do Brasil, a retrospectiva O Mundo Mágico de Escher reúne 95 esplêndidos trabalhos feitos para desafiar os olhos. A dica é iniciar a visita pelo 3º andar e descer. Bons exemplos de sua maestria podem ser vistos nas xilogravuras Metamorfose I, Dia e Noite e Oito Cabeças e nas litografias Autorretrato no Espelho Esférico e Subindo e Descendo. Entre as dez instalações interativas, a curiosa Sala do Impossível, um espaço com dois universos invertidos vistos através de duas janelas, chama atenção. Vale ainda tirar uma foto na divertida Sala da Relatividade, capaz de aumentar ou diminuir a altura do espectador por meio de um truque de perspectiva, e assistir ao explicativo filme de sete minutos com projeções de obras de Escher em 3D (para esta atração, deve-se retirar uma senha na bilheteria). De 19/04/2011 a 17/07/2011.
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  • A pintora portuguesa ganha uma retrospectiva com 110 obras realizadas de 1953 a 2009, entre pinturas, desenhos, gravuras e colagens. É uma excelente oportunidade para o público brasileiro entrar em contato com uma produção de grande impacto estético, caracterizada por figuras de formas tão indistintas quanto as do francês Balthus. A abordagem corrosiva e naturalista da sexualidade pode ser digna de comparação com a do alemão naturalizado inglês Lucian Freud, para muitos especialistas o mais importante artista vivo. Às vezes bonecos servem de modelo para Paula, de 76 anos, e o aspecto narrativo das peças advém de fontes diversas. Há desde a influência de contos infantis e de literatura até a crítica social, latente na série O Aborto, composta de pastéis nos quais jovens interrompem a gravidez, e em Circuncisão Feminina, sobre mutilação genital. As águas-fortes do conjunto Rimas Infantis remetem aos perturbadores Caprichos de Goya. Recordações pessoais também aparecem aqui e ali, caso da misteriosa acrílica A Família. É difícil não observar nesses trabalhos, marcados pela presença da libido e da morte, um comentário revelador, algo funesto, acerca da condição humana. De 19/03/2011 a 05/06/2011.
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  • Resenha por Jonas Lopes: Certa vez, o pintor comparou seu trabalho ao de um funâmbulo, a pessoa que caminha sobre uma corda suspensa em grandes alturas. Pretendia, com a analogia, ressaltar a natureza ambígua de uma obra dividida entre a força estética da combinação das cores e as relações com a espiritualidade. Não por acaso, o mineiro Amilcar de Castro (1920-2002) classificou a produção de Paulo Pasta como “uma reza”. As onze telas exibidas em O Fim da Metade É o Começo do Meio, em cartaz na Galeria Millan, reforçam tais características. Herdeiro de uma tradição alinhada às preocupações cromáticas (Morandi, Volpi, Rothko), Pasta impressiona tanto ao recorrer aos vermelhos intensos, matissianos, quanto ao cortejar o silêncio em duas telas marcadas por tons claros, quase invisíveis. Há ainda uma curiosidade: o título da exposição do artista, nascido em Ariranha, no interior paulista, foi extraído de uma canção da dupla caipira Tião Carreiro & Pardinho. Preços não fornecidos. De 01/06/2012 a 30/06/2012.
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  • Iniciado em 2005 com o objetivo de interpretar por meio de fotografias três países de alguma forma ainda vinculados ao socialismo, o projeto Trilogia Vermelha já focou Cuba e Rússia. Trilogia Vermelha: China encerra a sequência e reúne sessenta trabalhos realizados pelos fotógrafos Mauricio Nahas, Ricardo Barcellos e Paulo Mancini. O trio, todos nomes ligados à publicidade, passou por Pequim e Xangai e por mais dezoito pequenos povoados numa jornada de quarenta dias. Com olhares distintos, eles flagraram anônimos no dia a dia na cidade e no campo, num país que se divide entre tradição, modernidade e religiosidade. De 09/04/2011 a 03/07/2011.
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  • A excelente mostra compreende essas relações estabelecidas no período pelo casal formado pela portuguesa Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) e pelo húngaro Arpad Szenes (1897-1985) e pelos artistas brasileiros. A dupla aportou no Rio de Janeiro em 1940 e por lá permaneceu até 1947. Muito bem tramada, a curadoria do crítico Paulo Herkenhoff exercita alguns diálogos lógicos e outros lógicos e outros nem tanto, perpassando a produção do Brasil entre a década de 20 e os nossos dias. A seleção de 100 obras enfoca, sobretudo, Maria Helena. Seu início de carreira é marcado pela figuração geométrica à maneira do modernismo, e nisso encontrou eco em Tarsila e Portinari. Pouco depois, ela realizou estudos de perspectiva semelhantes aos de Alberto da Veiga Guignard. Ao abandonar as formas mais reconhecíveis, antecipou o abstracionismo informal virulento de Antonio Bandeira e o neoconcretismo de Lygia Clark. Maria Helena ainda chegou a assinar a decoração com azulejaria de um restaurante carioca, análoga a trabalhos de Athos Bulcão, Volpi e da contemporânea Adriana Varejão. Menos representado do que a esposa, Szenes surge com pinturas feitas sobre jornal. Elas são postas em comparação aos experimentos com papel de Antonio Manuel. De 18/05/2011 a 26/06/2011.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO