Cinema

'O Amante da Rainha' retrata escândalo na corte da Dinamarca

Adequado ao gosto da Academia de Hollywood, drama concorre à estatueta de melhor produção estrangeira no Oscar 2013

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

'O Amante da Rainha'
Da história para as telonas: o personagem do médico e da nobre vivem um romance (Foto: Divulgação)

É quase certo: Amor, ainda em cartaz, deve levar o Oscar demelhor produção estrangeira. Elogiado por crítica e público, o drama austríaco está concorrendo a outros prestigiados prêmios, entre eles os de melhor filme (junto de oito fitas faladas em inglês), direção e atriz (Emmanuelle Riva). Embora seus predicados sejam evidentes, Amor não tem o que se convencionou chamar de “a cara do Oscar”. Trata-se de um conflito intimista tratado de forma dura. Em certo ponto, parece o oposto de O Amante da Rainha, o candidato dinamarquês, em pré-estreia na cidade. Esse longa-metragem, sim, está adequado ao gosto da Academia de Hollywood — uma caprichada produção de época embala um escândalo ocorrido na corte dinamarquesa no século XVIII.

Princesa da Grã-Bretanha, Carolina Matilde (Alicia Vikander) casa-se com Cristiano VII (Mikkel Boe Folsgaard), rei da Dinamarca, em 1766. O matrimônio se consuma desajeitadamente, e ele prefere a companhia de cortesãs. Após o nascimento do filho, o tédio continua reinando no cotidiano de Carolina. Mas sua rotina tende a mudar ao conhecer Johann Struensee (Mads Mikkelsen).

Aconselhado por um amigo, esse doutor alemão torna-se médico oficial da corte e percebe estar diante de um monarca de personalidade frágil e considerado insano por seus conselheiros. Muito ligado ao novo amigo, Cristiano acaba aceitando suas sugestões de dar ao povo miserável melhores condições de vida. As mudanças provocam barulho nos bastidores da realeza. Carolina, no entanto, compartilha dos ideais de Struensee e não tarda a virar sua amante. O relacionamento envolve, além de afinidades íntimas, uma paixão por reformas sociais, extraídas do Iluminismo francês — Struensee até recebe uma carta de aprovação do filósofo Voltaire.

Sem pretensões originais, o diretor Nikolaj Arcel recria um episódio significativo da história de seu país seguindo uma fórmula acadêmica, para não errar a mão. Estão lá as roupas vistosas, as belas locações (em Praga, na República Checa) e um tema interessante desenvolvido corretamente. Apesar de a apagada atuação da protagonista não empolgar, o competente Mads Mikkelsen (o vilão de 007 — Cassino Royale) contorna qualquer deslize da parceira.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO