Carnaval

Um número recorde de 75 blocos se prepara para desfilar na capital

Acadêmicos do Baixo Augusta, Nois Trupica Mais Não Cai e outros cordões que reúnem milhares de pessoas pelas ruas da cidade

Por: Nathalia Zaccaro - Atualizado em

Manifesto de blocos de rua - Carnaval
Protesto dos foliões: pedido de ajuda à prefeitura (Foto: Divulgação)

Por volta das 21 horas de domingo (20), uma multidão se aglomerava na altura do Studio SP, número 591 da Rua Augusta, e uma longa fila de espera descia pelo quarteirão. Do lado de dentro, cerca de 500 foliões se esbaldavam com confetes e serpentinas ao som de hits como Vou Festejar, de Beth Carvalho, Chiclete com Banana, de Gilberto Gil, e Festa do Interior, de Gal Costa. O ponto alto da noite foi quando o cantor Simoninha subiu ao palco entoando versos do hino que o público conhecia de cor: “Augusta, robusta, me gusta, você apavora, mas não assusta; apavora, mas não assusta, o Carnaval do Baixo Augusta...”. A noite fez parte da temporada de ensaios oficiais de um dos blocos mais badalados da cidade, o Acadêmicos do Baixo Augusta, que desfila desde 2010 pelo centro sempre no último domingo antes do Carnaval. A expectativa é reunir 15.000 pessoas neste ano. “Esse tipo de manifestação cultural é fundamental para a vida da cidade”, entende Ale Youssef, um dos fundadores do cordão.

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Simoninha e Ale Youssef - Acadêmicos do Baixo Augusta
Simoninha e Ale Youssef: expectativa de 15.000 foliões (Foto: Fernando Moraes)

A SPTuris estima que existam 75 blocos espalhados pela capital, número que aumenta a cada ano e vem dando uma nova cara à folia paulistana, a exemplo do que já acontece há muito tempo no Rio de Janeiro. Por lá, rainhas de bateria, mestres-salas e porta-bandeiras continuam sendo o coração do Carnaval, mas é impossível passar pela cidade nessa época sem notar os quase 500 blocos que ganham as ruas, reunindo cerca de 5 milhões de pessoas. Agora, a moda está ganhando força total por aqui. O agito se concentra no centro e na Vila Madalena, na Zona Oeste, mas bairros como Cambuci, Tremembé e Bixiga também viram palco das festas. Na maioria dos casos, ninguém paga nada para se divertir.

Enquanto o Baixo Augusta reúne a turma dos moderninhos, as patricinhas e os mauricinhos preferem o Nu’Interessa, que há nove anos passa pela Vila Madalena. Por ali ainda devem desfilar o Nois Trupica Mais Não Cai e o Vai Quem Quer. Saudosistas encontram seus pares na Banda do Candinho, que entoa marchinhas e frevos há mais de trinta anos no Bixiga, com participação de percussionistas e passistas. “Neste ano o tema será uma homenagem ao centenário do meu pai, Benedito, que acompanha nosso desfile desde o início e estará presente”, conta Cândido de Souza Neto, o Candinho.

Candinho  - Carnaval - Blocos de rua
Candinho e suas passistas: trinta anos de tradição no Bixiga (Foto: Fernando Moraes)

Apesar do crescimento do negócio, sua organização ainda precisa ser melhorada. Apenas 25 blocos são registrados pela prefeitura. Só fazem parte da lista os integrantes da Associação das Bandas Carnavalescas de São Paulo (Abasp) e da Associação das Bandas, Blocos e Cordões Carnavalescos do Município de São Paulo (ABBC). Uma das vantagens de estar ligado a essas entidades é o acesso às verbas municipais. Juntas, elas recebem 400.000 reais por ano para organizar a festa. Os cadastrados também contam com o apoio da CET e da Polícia Militar nos trajetos. Quem está de fora tem dificuldade para entrar nesses grupos. “Até poderíamos receber novos integrantes, mas só aceito turmas organizadas e com boa estrutura”, justifica Candinho, presidente da Abasp, que recusa a maioria dos pedidos de inscrição que recebe todos os anos. A ABBC exige que os participantes desfilem em horários predeterminados e sempre na região da Luz.

Quadro - Serpentina nas Ruas
(Foto: Veja São Paulo)

Em dezembro, representantes de 24 cordões piratas organizaram o Manifesto Carnavalista na Vila Madalena para reclamar da situação. “Não queremos receber dinheiro, mas precisamos do apoio dos órgãos públicos para garantir a segurança dos nossos participantes”, afirma Lígia Fernandes, fundadora do Kolombolo Diá Piratininga, que desfila desde 2008 no bairro da Zona Oeste. Depois do protesto, ocorreu uma reunião entre os interessados e a prefeitura. A turma saiu de lá com a promessa de que, até a data dos desfiles, todos estariam legalizados e iriam para a rua com o apoio da CET e da Polícia Militar. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO