Teatro

"Nem um Dia Se Passa sem Notícias Suas" faz reflexão sobre perdas

Espetáculo é protagonizado por Edson Celulari e seu sobrinho, Pedro Garcia Netto

Por: Dirceu Alves Jr.

Nem um dia se passa sem noticias suas
Edson Celulari e o sobrinho Pedro Garcia Netto: montagem desafiadora (Foto: Camilla Coutinho)

Ao lado de Jô Bilac e Pedro Brício, a autora Daniela Pereira de Carvalho, de 34 anos, forma a tríade das mais importantes revelações da dramaturgia carioca — e brasileira — na última década. Com mais de uma dezena de textos encenados, ela se destaca por um versátil e profundo olhar sobre o universo masculino. “Nem um Dia Se Passa sem Notícias Suas” prova a capacidade de transformar um ponto de partida convencional em uma ousada construção narrativa. Surpreendente para o espectador e desafiadora para os atores, a trama foge da linearidade de um conflito familiar para fazer uma reflexão sobre a morte.

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Edson Celulari interpreta o cardiologista Joaquim. Ele perdeu o pai e precisa se desfazer da casa herdada. O irmão caçula, Juliano (o ator Pedro Garcia Netto, sobrinho de Celulari), questiona a objetividade com a qual o mais velho enfrenta a fase dolorosa. Nesse embate entra ainda o filho adolescente do médico, Miguel (também vivido por Garcia Netto). As relações humanas mais próximas, antes relegadas a segundo plano pelo protagonista, centralizam a ação.

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Dirigida por Gilberto Gawronski, a montagem embarca no jogo do texto e ludibria a plateia. A discussão de valores ganha o apoio do lirismo de uma trilha sonora sentimental e facilitadora. Garcia Netto e, principalmente, Celulari pouco se arriscam na condução de Juliano e Joaquim, entregando uma despretensão que a princípio destoa da pesada situação. A chegada à cena do filho adolescente marca a virada da história e justifica as intenções de Gawronski e do elenco. Apesar de o início não se mostrar envolvente, a revelação da outra metade perderia força caso uma profundidade maior fosse explorada. Os intérpretes também teriam o caminho limitado e cairiam na pieguice. Nesse controle, Celulari convence na solidão do personagem, entretanto não alça voo. Garcia Netto, por sua vez, se sai bem por contar com mínimos recursos para diferenciar Juliano de Miguel.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO