Música

Descoberta nas ruas, banda Mustache e os Apaches faz sucesso na cidade

Grupo formado há três anos leva primeiro disco de inéditas a casas como o Bourbon Street, mas mantém presença nos espaços públicos

Por: Mayra Maldjian

Mustache e os Apaches
Rubens, Tomas, Lumineiro e Pastoriz: quatro dos cinco integrantes da banda na Passagem Literária da Consolação (Foto: Ricardo D'Angelo)

Em 2011, jovens de uma república em Perdizes, na Zona Oeste, resolveram tentar a sorte como músicos de rua na cidade. A inspiração do grupo veio dos pioneiros do jazz e do blues e dos espetáculos de vaudeville, mix de música, dança e artes circenses popular no início do século XX. Eles ensaiaram um repertório que mesclava ritmos americanos e foram à luta nas calçadas da Vila Madalena e de outros bairros, fazendo covers de Just a Gigolo e outros standards. “Tocávamos três canções e passávamos o chapéu”, lembra Pedro Pastoriz, o responsável pelo banjo e pelo violão.

Batizada de Mustache e os Apaches, a trupe é composta ainda de Tomas Oliveira (contrabaixo), Axel Flag (percussão), Jack Rubens (bandolim) e Lumineiro (washboard, uma tábua de lavar roupas antiga). Eles chamam atenção também pelo visual retrô, usando chapéus e camisas estampadas nos shows. No início, recebiam “uns trocados” por noite. Hoje, embolsam cachês de até 15 000 reais para se apresentar em lugares como o Bourbon Street e o Auditório Ibirapuera, onde lançaram um disco de composições próprias em dezembro.

O álbum tem canções ao estilo folk-jazz e vendeu até agora 1 000 cópias, sem contar os 7 000 downloads gratuitos. “Ganhávamos o suficiente para pagar o aluguel. Hoje, dá para comprar obras de arte”, brinca Pastoriz. A repercussão, quase toda na base do boca a boca, rendeu ainda uma ponta na novela Cheias de Charme, da Globo, e outra no curta Modo Ave, de Beto Brant e Lu Brites. Após uma turnê europeia, em fevereiro de 2013, apoiada pelo Ministério da Cultura, o número de performances cresceu, em média, 20%. “Eles são muito versáteis e ousados, conseguem captar a energia da plateia e usar a favor do show”, elogia Debora Pill, uma das curadoras do bar Riviera, onde o Mustache se apresentou em setembro. 

Museu da Casa Brasileira. Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705, Jardim Paulistano, ☎ 3032-3727. Sábado (25), 11h. Grátis.

Bourbon Street (400 lugares). Rua dos Chanés, 127, Moema, ☎ 5095-6100. Quarta, 5 de fevereiro, 21h30. R$ 50,00. IR.

Papo de rua

As aparições dos meninos nas esquinas paulistanas ainda ocorrem, apesar de serem mais raras e pontuais. Na véspera do show no Auditório Ibirapuera, por exemplo, eles foram às ruas para ajudar a divulgar a apresentação. "Funcionou, estava cheio de gente nova na plateia", lembra Pastoriz. Segundo ele, essa é uma das razões pelas quais mantêm um vínculo com o asfalto. "O senhorzinho fala que isso é música do tempo dele, as crianças dançam, os cachorros latem, as meninas cantam e por aí vai, as pessoas fazem parte do show, não há hierarquia naquele espaço e as coisas vão sempre para um lugar interessante nesse tipo de relação", analisa.

Assunto do momento, a ocupação dos espaços públicos é outro motivo. "Fico impresionado com algumas praças que vimos por aí, com bancos onde não dá para sentar, sem árvores. É a época de se questionar a utilização desses espaços tomando de volta a cidade, gente nas esquinas, parques, música nas ruas, graffitti e menos medo." 

Outras bandas que ocupam espaços públicos paulistanos 

Fonte: VEJA SÃO PAULO