Paulistano Nota Dez

Analista financeiro cria multa educativa para motoristas que estacionam em vagas para deficientes

Cadeirante há dezessete anos, Rodrigo Bottini multou sozinho mais de duzentas pessoas e agora conquistou a ajuda de fiscais voluntários

Por: Jussara Soares

Paulistano - Multa Moral
O analista financeiro Rodrigo Bottini: multa moral em quem para irregularmente em vaga para pessoas com deficiência (Foto: Mario Rodrigues/Veja São Paulo)

Em março de 1998, um mergulho imprudente mudou a vida do analista financeiro Rodrigo Bottini. O objetivo era passar por um bambolê na piscina. Ao pular, no entanto, ele ficou com os braços presos no aro e bateu com a cabeça no fundo. O resultado da brincadeira foi trágico. Bottini teve lesão medular e ficou tetraplégico. Com fisioterapia, conseguiu recuperar os movimentos dos braços e das mãos.

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Hoje, aos 39 anos, locomove-se com uma cadeira de rodas. Além de trabalhar, pratica esportes, é ritmista de dois blocos carnavalescos e circula pela cidade com um automóvel adaptado. Os obstáculos mais frequentes são motoristas que estacionam irregularmente em áreas para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Das 38 798 vagas na Zona Azul, 819 são exclusivas, segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Existem 31 056 condutores  autorizados a usar esses espaços. Mas é comum espertinhos ocuparem os lugares, mesmo correndo o risco de pagar pela infração 53,20 reais e receber 3 pontos na carteira.

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Dez anos atrás, cansado de ver esse tipo de problema na cidade, Rodrigo começou a aplicar “multas educativas”. Ao encontrar um carro parado onde não deve, coloca um informativo no parabrisa, alertando o proprietário. Quando pega a pessoa no flagra, costuma ouvir pedidos de desculpa e a promessa de que as instruções serão lidas. “A conscientização leva tempo”, afirma.

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Ele já “autuou” mais de 200 motoristas em ruas e estacionamentos de bancos, shop pings e lojas. Em julho, ampliou o projeto, batizado de Multa Moral. Com a ajuda de um financiamento coletivo no site O Pote, imprimiu 1 000 talões para que outros cadeirantes e simpatizantes multipliquem a ação na metrópole. Pelo menos 2 000 folhas já estão nas mãos de agentes voluntários. “Minha meta é que as pessoas se tornem fiscais da cidadania”, explica.

Multa Moral: www.opote.com.br/multa-moral

Fonte: VEJA SÃO PAULO