Educação

Número recorde de alunos trocam escolas particulares pelas públicas

Com a crise financeira, capital registrou um aumento na taxa de inadimplência da rede particular

Por: Adriana Farias

Stella Camargo - Educação
Stella, de 10 anos, nova estudante da Blanca Zwicker Simões, no Tatuapé: “Achei que não ia me adaptar” (Foto: Ricardo D`Angelo)

Em 17 de fevereiro, Stella Camargo, de 10 anos, chegou ansiosa ao primeiro dia de aula do 5º ano do ensino fundamental da Blanca Zwicker Simões, no Tatuapé. “Senti um frio na barriga, não sabia se ia me adaptar”, recorda. “Quando entrei na classe, contei uns trinta colegas, bem mais gente do que no local onde eu estudava antes.” Sua irmã Rafaela, 12, também teve uma experiência parecida no início deste ano. Ela é uma das novatas do 8° ano do João Borges, outro colégio estadual localizado no mesmo bairro da Zona Leste

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Ambas deixaram escolas particulares em Embu das Artes depois que a família se mudou do município para a capital em busca de uma solução para seus problemas financeiros. Passado o impacto inicial, Stella afirma estar gostando das novas colegas. Rafaela, no entanto, ainda tem queixas. “Sua reclamação é não ter muita lição de casa”, diz a mãe das meninas, Viviane Sanches, que começou a trabalhar em uma loja de decoração e artigos para bebês.

Divorciada do pai das garotas, ela tomou a decisão após ver o faturamento de até 8 000 reais de sua empresa de prestação de serviços de vendas cair pela metade. “Eu não dava mais conta de pagar os quase 1 000 reais de mensalidade, fora o material escolar e todas as outras despesas”, afirma. “Foi aí que chamei as duas para conversar e expliquei que elas teriam uma experiência diferente.”

A exemplo das irmãs de Embu das Artes, muitos estudantes estão passando pela mesma situação. Em 2016, o total de transferências das instituições particulares para as da rede estadual na cidade foi de 21 891 alunos, o maior número registrado nos últimos seis anos pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

Desde 2011, esse tipo de migração aumentou 22%. O volume ainda é pequeno perto do universo de 1 milhão de matriculados no sistema, mas seu crescimento tem chamado a atenção dos especialistas. “Com a crise econômica, muitas famílias, principalmente da classe C, precisam cortar despesas. Nesse contexto, o ensino pago acaba sendo sacrificado”, afirma Anna Helena Altenfelder, superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

Fernando Henrique - Educação
Fernando Henrique, 7: auxílio de psicólogo para a transição (Foto: Ricardo D`Angelo)

No universo dos colégios particulares, a inadimplência vem se tornando maior. Em fevereiro, a taxa de atrasos na quitação das mensalidades chegou a 12,8%, contra os 8,4% registrados no mesmo período de 2015. Segundo a direção do Pentágono, com três unidades por aqui, um total de 360 alunos (pouco mais de 10% dos matriculados) deixou a instituição no ano passado, sobretudo por problemas financeiros de seus pais. “Não conseguimos repor tudo, e sobraram trinta vagas”, afirma Bruno Belliboni, diretor administrativo da rede, cuja mensalidade pode chegar até a 3 400 reais. “Na nossa unidade em Alphaville, por exemplo, notamos sobretudo uma ‘volta para casa’ dos filhos de executivos estrangeiros devido à situação do país.”

No Palmares, tradicional colégio de Pinheiros, de um ano para cá, houve aumento no pedido de desconto na mensalidade: aproximadamente 150 famílias recorreram ao expediente, quase o dobro do volume habitual. Nos casos aceitos pela direção, ocorreram abatimentos de até 15%. Por lá, os boletos enviados à casa dos alunos podem alcançar 3 838 reais no ensino médio. “Há famílias desfazendo-se de apartamentos para quitar dívidas. Nesses casos, negociamos um congelamento dos vencimentos até a venda do bem”, conta Alex Silva, diretor financeiro do Palmares.

Diego Jimenez - Educação
Diego Jimenez, 15: aulas de skate para os novos amigos (Foto: Léo Martins)

Alguns estabelecimentos não suportam a situação. O Colégio Bilac, no Jabaquara, fechou as portas em fevereiro, depois de 74 anos de atividade. “Em 2015, muitos pais só pagaram a matrícula, e ficaram devendo o resto”, lamenta o diretor José Rubens Bueno de Abreu, que calcula que a dívida seja de cerca de 185 000 reais. Além do problema do calote, o local vinha sofrendo com a evasão de estudantes.

Nos últimos tempos, das 1 000 vagas, apenas 250 estavam preenchidas. Para evitar casos semelhantes, o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp) passou a aconselhar seus 3 000 associados a redobrar a vigilância sobre as contas atrasadas. “Estamos orientando os estabelecimentos a fazer cobranças mais exaustivas, ligar, mandar carta e até ajuizar ações na Justiça nos casos mais graves”, afirma o presidente Benjamin Ribeiro da Silva.

José Rubens Abreu - Colégio Bilac - Educação
Bueno, do Colégio Bilac: salas fechadas neste ano (Foto: Léo Martins)

Na visão da maioria dos pais, arcar com uma mensalidade é o sacrifício necessário para garantir um futuro melhor aos filhos. Uma pesquisa de 2013 feita pelo Instituto Nacional de Vendas e Trade Marketing (Invent) quantificou o peso desse gasto ao longo da vida. De acordo com o levantamento, uma família de classe C (com renda de 2 000 a 5 999 reais) desembolsa, nos primeiros 23 anos de um filho, mais de 400 000 reais para custear despesas com educação, lazer, saúde e vestuário. Quase a metade desse total está relacionada aos estudos. No momento atual de crise econômica, essa conta não cabe mais no orçamento de muitas famílias e a rede pública acaba virando a opção forçada.

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Com cinquenta anos de atividade, a Blanca Zwicker Simões é a escola que, na capital, possui a maior quantidade de alunos vindos da rede privada: 129 dos seus 912 estudantes, segundo a Secretaria da Educação estadual. Esse número só não é maior por limitação de espaço. Em 2016, ela recebeu 339 pedidos de matrícula, dos quais 67% eram de ex-alunos de instituições particulares. “Só pudemos aceitar 56%”, diz a diretora Solange Soares Ribeiro. “Teve até chororô de mães que não conseguiram vaga.”

Boa parte da procura é decorrência de indicação de escolas da região. “Neste ano, cerca de 40% do nosso público não ia conseguir manter seus filhos na rede privada e, por isso, orientamos que fossem até a Blanca, que virou referência de qualidade na área”, conta a diretora Paula Ariane, da escola Aquarela, também localizada no Tatuapé (lá, a mensalidade vai de 770 a 1 500 reais). Segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2013, o mais recente da série, a Blanca recebeu nota 7,3, ficando acima da meta, de 7, fixada pelo governo.

Solange Ribeiro - Educação
Solange Ribeiro, diretora da Blanca Zwicker: campeã em ex-alunos das particulares (Foto: Ricardo D`Angelo)

Entre algumas atividades que os alunos desenvolvem por lá estão a confecção de brinquedos aliada ao ensino de gêneros de texto e até a criação de receitas, contos e cantigas para a produção final de um livro. Um dos calouros da Blanca, Fernando Henrique, 7, que, desde os 11 meses, frequentava a rede privada, precisou de auxílio na adaptação, devido à ansiedade.

No fim do mês passado, ele começou a fazer terapia duas vezes por semana para administrar melhor a mudança. “Ele ainda estranha coisas como a proibição de levar o tablet e brinquedos para o colégio, e, em alguns dias, acorda dizendo que não quer ir para a aula”, conta o pai do menino, o vendedor Faberson Lancioni, que recentemente perdeu o emprego que tinha em uma empresa de alimentos. Apesar das dificuldades, Lancioni vê um lado bom na situação. “Na escola particular, Fernando vivia numa redoma, muito protegido”, relata. “Agora, está vendo a realidade, aprendendo a valorizar as coisas, e que nem sempre pode ter tudo”, completa.

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A rede pública de educação já teve seus tempos áureos na cidade. Por volta dos anos 60, era referência de ensino de qualidade e excelência. Um aluno que frequentasse instituições como a centenária Escola Estadual Caetano de Campos tinha grandes chances de ingressar em uma universidade de renome da capital. “Ao longo do tempo, no entanto, a expansão do sistema não se fez com todas as condições necessárias, como qualificação e valorização dos professores”, explica Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da USP. “Com isso, a qualidade acabou caindo.”

Amanda Santos - Educação
Amanda Santos,15: grupo de estudo para ajudar colegas com notas baixas (Foto: Léo Martins)

O recente movimento de transferência de estudantes da rede particular para a pública pode promover uma situação benéfica, ajudando na recuperação do nível de educação. “Esses pais acostumados a um padrão mais alto de ensino cobram mais qualidade e uma boa estrutura das escolas, e seus filhos promovem uma diversidade de experiências, com a troca de repertório cultural e social”, diz Quézia Bombonatto, conselheira da Associação Brasileira de Psicopedagogia.

Um bom exemplo disso é o caso de Amanda dos Santos, 15, que deixou, em 2015, o colégio particular Marco Polo e se mudou para a escola estadual Major Arcy, também na Vila Mariana. Tempos depois de chegar à nova classe, ela montou um grupo de estudo para ajudar amigas com dificuldade em matemática. “Vi que elas tiravam nota baixa, faltavam muito e não se interessavam, aí resolvi mudar essa história”, conta.

Diego Jimenez, 15, outro aluno da Arcy vindo do Colégio Santo Agostinho, é craque em temas como astronomia, mas enturmou-se no pedaço ensinando técnicas de skate nos encontros semanais da escola chamados de “clubes juvenis”. “As conversas aqui são mais da vida cotidiana mesmo, como sobre um filme que acabou de sair no cinema”, descreve o garoto. “No outro colégio, eu voltava de um feriado prolongado e o papo era a viagem que um colega tinha feito para os Estados Unidos.”

Colaborou Bárbara Öberg

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  • Italianos / Cantina / Trattoria

    Jamie’s Italian

    Avenida Horácio Lafer, 61, Itaim Bibi

    Tel: (11) 2365 1309

    VejaSP
    14 avaliações

    Conhecido pela defesa de uma alimentação mais natural e variada, o chef inglês Jamie Oliver causou alvoroço ao vir para o Brasil para fazer campanha para uma grande indústria. Até agora imune a polêmicas, seu restaurante não mudou — nem em relação aos fornecedores nem quanto ao sucesso de público. No espaguete alla norma (R$ 19,00 a porção pequena; R$ 29,00 a inteira), a quantidade de pimenta dedo-de-moça no molho de tomate com berinjela é bem tímida. Mas os sabores ficam mais potentes no linguine com camarão e rúcula (R$ 45,00 e R$ 69,00), no tagliatelle à bolonhesa (R$ 30,00 e R$ 42,00), um dos melhores pratos do menu, e na porção de cogumelos assados com mussarela defumada e tomilho (R$ 39,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Franceses

    Bistrot de Paris

    Rua Augusta, 2542, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3063 1675

    VejaSP
    16 avaliações

    Parece detalhe, mas uma gentileza da brigada é capaz de deixar a experiência de sair para comer fora mais agradável. Em dias de chuva, como é simpático alguém com guarda-chuva acompanhá-lo pela galeria ao ar livre que separa a rua do salão, não? Na cozinha do chef francês Alain Poletto, quase tudo se sai bem. A exceção: o clássico moules et frites (R$ 59,00), porção de mexilhões insossos com fritas. Na regra de qualidade exemplar estão as costelinhas de porco confitadas (R$ 54,00), acompanhadas de purê de maçã e chips de batata-doce, e a musse de chocolate com bastante sabor de cacau, servida direto da travessa em porção generosa, por R$ 16,00.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Italianos / Cantina / Trattoria

    uttina

    Rua João Moura, 976, Pinheiros

    Tel: (11) 3083 5991

    VejaSP
    2 avaliações

    Cuidada pelo casal de proprietários Filomena Chiarella e José Otávio Scharlach, a trattoria tem os melhores lugares no salão dos fundos, junto ao quintal com jabuticabeiras. O quarteto de antepastos — sardela, patê de ricota, berinjela desfiada e azeitona verde— é a indicação para começar (R$ 28,00). Feito na casa como todas as massas frescas, o nhoque (R$ 48,00) tem uma leveza extraodinária, que, vez ou outra, pode ser prejudicada pelo molho de tomate ácido. Se pedida foi uma carne, vá de cordeiro cozido com purê de feijão‑branco aromatizado por marcante quantidade de gengibre (R$ 63,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bar-restaurante

    BOS BBQ

    Avenida Pedroso de Morais, 1036, Pinheiros

    Tel: (11) 3034 1371

    VejaSP
    16 avaliações

    A casa funcionou no Itaim Bibi até 2015 e, após breve hiato, reabriu em Pinheiros com uma pegada mais informal. Sua especialidade, contudo, continua a mesma: carnes à moda texana, preparadas em uma churrasqueira a lenha conhecida como pit. Elas ganham sabor defumado, caso do beef brisket (R$ 35,00; 300 gramas), corte do peito bovino que chega a desmanchar, e da costelinha suína (R$ 65,00 a porção maior). Ambas vêm com uma fatia de pão de fôrma, mas dá para complementar o pedido com batata frita (R$ 15,00). As cervejas, da marca Madalena, saem na pressão (lager ouIPA, R$ 12,00; R$ 16,00 o pint).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Empórios ou mercados gourmet

    Armazém Cerealista

    Rua João Cachoeira, 167, Itaim Bibi

    Tel: (11) 2371 1000

    VejaSP
    Sem avaliação

    De uns tempos para cá, o Itaim Bibi tornou-se um bairro interessante para os adeptos da alimentação saudável. Veteranos como o Frutaria São Paulo e a rede Mundo Verde ganharam recentemente rivais. Ao lado do Daya & Ture e do Season Food Market, faz parte desse time o Armazém Cerealista. Esse último, um mercadinho de bairro bem moderno, destaca-se por concentrar cerca de 4.000 produtos integrais, livres de glúten ou lactose e orgânicos. De açafrão (R$ 25,90 o quilo) a mirtilo (R$ 17,99, 150 gramas), o hortifrúti localizado ao fundo do estabelecimento soma mais de sessenta itens. Vendidos a granel, há sal rosa do Himalaia (R$ 24,90 o quilo) e tigernuts (raiz semelhante ao grão-de-bico importada da Nigéria; R$ 149,90 o quilo). As gôndolas refrigeradas são repletas de boas marcas. Dá para comprar pratos completos da Pronto Light (arroz integral de brócolis e frango com shimeji, R$ 34,90), além de tortas, quiches e bolos da Bianca Simões.

    Preços checados em 6 de abril de 2016.

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  • Na televisão lá dos anos 90, deixar na mão dos espectadores o destino de uma trama era a sacada do programa Você Decide. Para as crianças na plateia de Chiquita Bacana no Reino das Bananas, porém, a brincadeira interativa tem cara de novidade — e das boas. Logo no início, o público escolhe qual papel os treze atores interpretarão nos sessenta minutos seguintes. Dirigido por Dagoberto Feliz, o grupo Folias recria de maneira leve e engraçada o texto escrito por Reinaldo Maia em 1977. Na história, a garota Chiquita se envolve em uma grande encrenca depois de comer uma fruta do Rei Leonino, o líder do Reino das Bananas. Duas girafas, um coelho, um elefante, um exército de macacos e outros animais incrementam o enredo. O desfecho, definido pelas crianças, muda a cada sessão. Mantêm-se sempre o carisma e o talento do elenco. Vestidos de preto e sem cenário elaborado, os atores seguram o ritmo do improviso e conquistam o carinho dos meninos e meninas. Depois dos aplausos, recebem abraços carinhosos que indicam: o final foi feliz. Com Bruno Camargo, Camila Spinella, Clarissa Moser, Gabriel Hirschhorn, Juliana Tedesch, Laruama Alves, Leandro Goulart, Lui Seixas e Marcellus Beghelle, entre outros. Recomendado a partir de 5 anos. Estreou em 12/3/2016. Até 12/6/2016.
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  • Escrito em 1947 por Tennessee Williams, o drama Um Bonde Chamado Desejo é incapaz de acumular mofo e frequentemente ganha revisões nos palcos. Uma arrebatadora versão, dirigida por Rafael Gomes e protagonizada por Maria Luisa Mendonça, pode, inclusive, ser conferida no Tucarena. Um dos nossos maiores encenadores, Antunes Filho concebeu uma viagem pelo universo desse clássico e do dramaturgo americano que resultou em Blanche, título da montagem, que propõe uma radicalização sujeita a questionamentos. As palavras do texto foram substituídas pelo fonemol, uma língua imaginária criada por Antunes para exercitar os alunos em ensaios, aqui incorporada à íntegra da peça. Na trama, a falida e enigmática Blanche (interpretada pelo ator Marcos de Andrade) busca refúgio na casa da irmã, Stella (papel de Andressa Cabral) e entra em confronto com o cunhado, o truculento Stanley (Felipe Hofstatter), que decide vasculhar seu passado. Tudo bem que o enredo é bem conhecido, e o público inclusive tem a chance de ler um folheto com o resumo das cenas antes da apresentação. É inegável, no entanto, que a ausência de diálogos compreensíveis exige uma bagagem do público que limita o entendimento da história, mesmo para iniciados, e tira o impacto que o espetáculo poderia ter. Blanche, no entanto, não deixa de ser uma curiosa experiência e rende fortes interpretações para Andrade e, principalmente, Andressa, que imprime personalidade para sua Stella. Com Stella Prata, Alexandre Ferreira, Luis Fernando Delalibera e outros. Estreou em 23/3/2016.  Até 1º/11/2016.
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  • Poucas fontes de inspiração podem ser mais musicais que o cancioneiro de Gilberto Gil. Então, a obra do baiano é um prato cheio para o gênero. Concebido e dirigido por Gustavo Gasparani, Gilberto Gil, Aquele Abraço — O Musical enfileira 55 composições, divididas em blocos, que são defendidas por oito atores, cantores e instrumentistas. Além do sucesso usado no título, aparecem Palco, Drão, Expresso 2222 e Vamos Fugir. Falta, no entanto, uma dramaturgia mínima para justificar o caráter teatral. A montagem resulta em um agradável show, mas passa longe de qualquer dramaticidade. Uma exceção é a canção O Seu Amor, defendida por Jonas Hammar e Daniel Carneiro, que surpreende pela delicadeza e chega a causar reações na plateia. Estreou em 18/3/2016. Até 29/5/2016.
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  • No início, eram oito. Agora, restam quatro. Mesmo com metade da força original, os Titãs ainda resistem e contabilizam mais de trinta anos na estrada. Lançaram, em 2014, Nheengatu, que foi bem recebido pelos fãs, seguido por um disco ao vivo no ano seguinte. Em fevereiro, esquentaram a plateia na abertura das duas apresentações dos Rolling Stones no Morumbi. Agora, Paulo Miklos, Sérgio Britto, Branco Mello e Tony Bellotto chegam ao Sesc Pompeia para três shows com uma proposta diferente. Eles dividem o palco pela primeira vez com Walter Franco, cantor e compositor paulistano que, com álbuns cheios de arranjos experimentais, letras inspiradas na poesia concretista e alguns rompantes roqueiros, fez a cabeça de muitos artistas nos anos 70. A lista incluiu na época os jovens Titãs, bem antes de a turma pensar em montar a banda. Do repertório de Franco, o grupo toca faixas como a visceral Canalha. E, é claro, vai ter espaço também para Sonífera Ilha, Cabeça Dinossauro, Televisão e muitos outros hits das décadas de 80 e 90. Dias 15, 16 e 17/4/2016.
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  • No passado de Alexandre Nero, bem antes que ele encarasse o personagem Romero Rômulo, de A Regra do Jogo, havia a música. São oito discos no currículo do curitibano. Ele mostra seu lado mais roqueiro no Teatro Porto Seguro na segunda e na terça, às 21 horas. Em um formato intimista, o ator/cantor brinca com composições próprias de seu álbum Vendo Amor — Em Suas Mais Variadas Formas, Tamanhos e Posições e do DVD Revendo Amor — Com Pouco Uso Quase na Caixa. Dias 11 e 12/4/2016.
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  • Comédia romântica

    De Onde Eu Te Vejo
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    3 avaliações
    Depois de Por Trás do Pano (1999) e Cristina Quer Casar (2003), o diretor Luiz Villaça retoma a parceria no cinema com sua mulher, a atriz Denise Fraga. De Onde Eu Te Vejo é, de longe, o trabalho mais maduro e bem-acabado do casal. A idade fez bem à dupla, que, aqui, enfoca a crise entre Fábio (Domingos Montagner) e Ana Lúcia (Denise), após vinte anos de casamento. Eles decidiram se separar. O marido, porém, vai morar no apartamento ao lado e, da janela, consegue ver e até se comunicar com a ex e com Manu (Manoela Aliperti), a filha prestes a bater asas e fazer faculdade em outra cidade. São Paulo, assim como a relação deles, está desgastada. Antigos restaurantes deram lugar a empreendimentos imobiliários, e o cinema de rua fechou as portas. A recessão econômica do país se reflete na vida profissional: Ana Lúcia, antes arquiteta, vive agora à procura de imóveis velhos para a construção de novos edifícios, e Fábio, veterano jornalista, foi demitido. Do Cine Marabá às ruas de Higienópolis, do bar Estadão ao Terminal Rodoviário Tietê, a capital paulista também é personagem de uma história de amor. Sem deixarem de lado o humor que marcou a carreira de ambos, Villaça e Denise propõem à plateia uma comédia romântica de fundo emotivo. Se a graça vem, às vezes, de forma estereotipada (na festinha com os amigos da ioga, por exemplo), o drama conjugal, surpresa!, impõe-se de forma bem mais realista. Como a cereja do bolo, Juca de Oliveira, Fúlvio Stefanini e Laura Cardoso fazem participações especiais. Estreou em 7/4/2016.
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  • A pergunta que não quer calar: Rua Cloverfield, 10 tem “parentesco” com Cloverfield — Monstro, um terror apocalíptico de 2008? Sem spoilers, a resposta é sim. São, contudo, filmes independentes, e será preciso ficar antenado para sacar qual é a ligação entre os dois longas-metragens, produzidos por J.J. Abrams. Revelar muito do enredo também estraga as surpresas. Resumidamente, a história foca Michelle (Mary Elizabeth Winstead), que, após abandonar o namorado, sofre um acidente de carro na estrada. Ao acordar, a moça está acorrentada num porão, localizado dentro de um bunker. Quem a socorreu no desastre foi o militar aposentado Howard (John Goodman), que é o construtor desse espaço. Quando ocorre a chegada da garota, já há um “hóspede” por ali: o jovem Emmett (John Gallagher Jr.). Depois de um tempo, o “anfitrião” faz uma revelação assustadora a Michelle: a Terra foi invadida por alienígenas. Embora atencioso, Howard mostra-se um sujeito controlador e rígido, e, não raro, tem acessos de fúria. Com apenas três personagens em cena, tensão de endurecer o pescoço e narrativa hipnótica, o filme se abre em muitas perguntas, mas muda o rumo nos minutos fnais para combinar com uma solução capaz de dividir opiniões. Estreou em 7/4/2016.
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  • Gerard Butler e Aaron Eckhart retomam os papéis de Invasão à Casa Branca, lançado exatamente dois anos atrás. Desta vez, em Invasão a Londres, Mike Banning (Butler) vive um dilema: sua mulher está prestes a dar à luz e ele pensa em desistir de ser guarda-costas do presidente americano, Benjamin Asher (Eckhart). Mas ainda fará um último trabalho: acompanhar o chefe no funeral do primeiro-ministro britânico. O local será o palco de um encontro dos maiores líderes das nações mundiais e alvo de um ataque terrorista sem precedentes na história. É preciso se distanciar do realismo para embarcar na aventura repleta de cenas de ação. O personagem de Butler, na linha de John McClane, de Duro de Matar, usa o humor como justificativa da truculência. Londres está no título e há sequências na cidade, mas as ruas da Bulgária serviram para muitas locações externas. Resultado: satisfação em um programa-pipoca sem contraindicações. Estreou em 7/4/2016.
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  • De tempos em tempos, surge no horizonte algum diretor capaz de fazer barulho com algo desconcertante. Dida Andrade e Andradina Azevedo são os rapazes da hora. Formados em cinema pela Faap em 2009, tiveram curtas premiados e estreiam no longa-metragem com A Bruta Flor do Querer. Os amigos tiveram a ideia de levar às telas uma história muito parecida (ou igual) à trajetória deles. Escreveram o roteiro, dirigiram e estrelaram uma trama simples sobre Diego (Dida), um cineasta recém-formado que trabalha, a contragosto, gravando cerimônias de casamento. O amor platônico por Diana (Bia Vilela) o atormenta diariamente. Andradina, assim como na vida real, faz o parceiro de farras e desabafos. Sim, é uma viagem egocêntrica da dupla, com direito a filmagens cruas, nudez frontal, sexo, diálogos misóginos, cigarro como companhia e muita maconha na cabeça. Talvez seja a forma de os realizadores jogarem (ou cuspirem) na cara do espectador o universo da juventude perdida ao qual eles também pertencem. São sinceros, ousados e verdadeiros. E possuem olhos apurados para gravar cenas sensíveis e ouvidos antenados para a boa música — incluir na trilha sonora Elis Regina e 20 Anos Blues, de Vitor Martins e Sueli Costa, é uma prova disso. Estreou em 7/4/2016.
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  • Instant Article

    Carol

    Atualizado em: 8.Abr.2016

Fonte: VEJA SÃO PAULO