Teatro

Monólogos são destaque nos palcos

Bons atores estrelam sozinhos peças que valem a pena ser vistas

Por: Veja São Paulo - Atualizado em

Cena de 'Marica', sob direção de Marcio Aurélio
Cena de 'Marica', sob direção de Marcio Aurélio (Foto: Laercio Luz)

Saiba quais são os espetáculos onde um único ator encara a exigente plateia paulistana:

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  • Monólogo tragicômico

    A Geladeira
    VejaSP
    Sem avaliação
    Conhecido como Copi, o argentino Raúl Damonte Botana (1939-1987) poderia ter integrado a corrente do besteirol carioca dos anos 80. O monólogo tragicômico A Geladeira conserva ligação estreita com as peças escritas por Miguel Falabella, Mauro Rasi ou Vicente Pereira na época. Sob a direção de Nelson Baskerville, Fernando Fecchio ousa na versão brasileira do solo ao protagonizar uma história no limite do surrealismo. O ator vive um modelo aposentado que atravessa suas horas entre delírios e o projeto de uma autobiografa. No dia seguinte ao seu aniversário, ele encontra um refrigerador no meio da sala. De dentro do eletrodoméstico começam a sair pessoas significativas de sua vida, todas representadas por ele. O ritmo é ágil e, em alguns momentos, a montagem carrega um irresistível clima dos despretensiosos shows de boate. Sem medo do ridículo, Fecchio exagera nos trejeitos, carrega nas composições, dança e ainda canta divertidas versões de músicas do pop. A mensagem do texto revelas e atual: por medo do preconceito ou de reações homofóbicas, o personagem se fecha em seu mundo. Mas o charme e até certa leveza de um espetáculo de significados mais densos se encontram justamente na atmosfera datada, cheia de referências oitentistas. Estreou em 22/11/2014. Até 8/4/2016. + Leia entrevista com Fernando Fecchio
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  • Monólogo dramático

    A Lista
    VejaSP
    4 avaliações
    Ainda cultivando o sucesso de A Alma Imoral, a atriz Clarice Niskier se impôs mais um desafio. No monólogo dramático da canadense Jennifer Tremblay, a intérprete dá vida a uma mulher dominada pelas tantas atribuições do dia a dia. Perfeccionista, ela anota cada obrigação a cumprir, dos serviços domésticos aos favores devidos aos amigos próximos. A morte de uma vizinha a faz atravessar um turbilhão emocional e, inclusive, questionar a validade de sua agenda. A estrutura da montagem é muito próxima à de A Alma Imoral, e Clarice injeta uma naturalidade tão grande na personagem que, muitas vezes, parece promover um bate-papo. Apoiada na simplicidade, a atriz acerta nessa nova tentativa de comunicação com o público e põe o dedo em questões bastante profundas. Dessa forma, muitos espectadores são gradativamente conduzidos às lágrimas. Estreou em 14/11/2014. Até 13/12/2015.
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  • Em um cenário simples, composto de velas, cruzes e lampiões, ao som de viola e percussão, Gero Camilo vive Zé, um romeiro que caminha pelos sertões brasileiros em busca de sobrevivência, estruturado por sua fé. Dias 19 e 20/12/2014. 
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  • Como atriz do Grupo XIX de Teatro, a paulistana Janaina Leite participou dos espetáculos Hysteria (2002) e Hygiene (2005) em que os limites de ficção e realidade beiravam o subjetivo. Em seguida, dramatizou o fim de sua relação com o filósofo Felipe Teixeira Pinto em Festa de Separação (2010). Na mesma linha do documentário cênico, ela surpreende pelo equilíbrio de razão e emoção ao protagonizar e dirigir Conversas com Meu Pai. A montagem ganhou encorpada dramaturgia de Alexandre Dal Farra, ao mesclar fatos reais e verídicos sem especificar a natureza de cada um, para mostrar o desabafo de uma filha. Em um primeiro momento, o foco recai sobre Janaina e os bilhetes deixados por seu pai, Alair Pereira Leite (1950-2011), que perdeu a capacidade de fala e se expressou por escrito nos seis anos finais de vida. Longe da pieguice, a proposta toma amplitude ao optar pela incomunicabilidade entre as pessoas e, numa fusão de imagens em vídeo e música, Janaina atinge um intenso momento de atriz. O ápice é a cena em que, abafada pela canção Amor Perfeito, na gravação de Roberto Carlos, a protagonista não pode ser ouvida pela plateia. Esse solo dura mais de três minutos. Surda e muda, assim como o público, ela transcende o teatro. Estreou em 25/4/2014. Até 14/12/2014.
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  • Monólogo dramático

    Marica
    VejaSP
    5 avaliações
    O dramaturgo espanhol Federico García Lorca (1898-1936) cresceu com uma frase em seu ouvido que se tornou cada vez mais sonora: ”Esse menino parece diferente...”. Autor das peças Bodas de Sangue e A Casa de Bernarda Alba, ele foi perseguido pela ditadura franquista e morto em represália ao seu discurso político e por ser homossexual assumido. As décadas se passaram, e esses temas permanecem incômodos ainda no século XXI. Por isso, o monólogo dramático Marica, escrito pelo cubano Pepe Cibrián Campoy, se mostra uma importante ferramenta para pensar sobre a atualidade. O ator Washington Luiz recria os últimos instantes de vida de Lorca. Cara a cara com o assassino, o protagonista repassa os 38 anos vividos, devolve provocações e propõe uma reflexão sobre o papel de cada um na sociedade. Sob a direção minimalista e sensível de Marcio Aurelio, Washington Luiz aproveita o precioso texto que tem nas mãos. Sem ser didático nem tendencioso, o autor apresenta Lorca em uma dramaturgia rica em detalhes e simbologias. Mesmo quem jamais teve uma referência do espanhol acompanha atento a história e fica penalizado diante da represália que lhe foi imposta. Estreou em 3/10/2014. Até 11/9/2015.
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  • Monólogo cômico

    Myrna Sou Eu
    VejaSP
    6 avaliações
    Ninguém jamais viu a cara de Myrna. Só havia uma certeza: tratava-se de uma mulher que distribuía conselhos sentimentais nas páginas de um jornal no fim dos anos 40. O ator Nilton Bicudo criou uma imagem para representar no monólogo cômico esse pseudônimo feminino do dramaturgo Nelson Rodrigues. Elegante e sóbria, a personagem surge com um cabelo curto e grisalho e, diante de um microfone, reflete sobre relacionamentos, inquietações e solidão feminina. Sob a direção de Elias Andreato, Bicudo mostra o domínio de cena ao saltar da ironia para o escracho e ainda transitar pela melancolia em diversas passagens da montagem. É capaz de arrancar gargalhadas e, em seguida, transmitir uma amargura intrigante. Um dos pontos altos é a hora em que o ator traz à tona fragmentos da peça Toda Nudez Será Castigada, escrita por Nelson em 1965, e transforma Myrna na emblemática personagem Geni. Nessa cena, a conselheira sentimental entra em desespero durante uma conversa telefônica com o namorado e, humana, contradiz boa parte de tudo o que prega. Estreou em 22/5/2013. Até 11/12/2016. + Leia entrevista com o ator Nilton Bicudo no Blog do Dirceu. Conselheira amorosa: Myrna assinou crônicas no jornal Diário da Noite nos idos de 1949.
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  • Celso Frateschi adaptou e protagoniza o monólogo dramático apoiado no conto homônimo de Fiódor Dostoievski (1821-1881). Iluminação, cenário e trilha sonora parecem confluir para a reprodução de uma São Petersburgo sombria, o lar de um infeliz funcionário público. Certa noite, depois de quase se matar, o homem tem um sonho. Nele, viaja para uma espécie de paraíso e lá acaba semeando a discórdia e a corrupção entre imaculadas criaturas. Sob a direção de Roberto Lage, Frateschi atinge um grande momento de ator e passa uma mensagem atual diante dos fatos contemporâneos. Estreou em 4/8/2005. 
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Fonte: VEJA SÃO PAULO