Folia

Monobloco é o terceiro grupo carioca com oficina de percussão em SP

Bangalafumenga e Quizomba foram os pioneiros do Rio de Janeiro a invadir o carnaval de rua paulistano

Por: Veja São Paulo - Atualizado em

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Fundadores do Monobloco começam a ministrar oficina de percussão em São Paulo neste mês, mas só devem desfilar por aqui em 2016 (Foto: Mariana Vianna/Divulgação)

O carnaval de rua de São Paulo está ganhando um pouco mais de sotaque carioca. Célebre grupo do Rio de Janeiro, o Monobloco acaba de abrir uma oficina de percussão aqui na capital. Ele segue o exemplo do seus conterrâneos Bangalafumenga e Quizomba, que fizeram o mesmo em 2011 e 2012. O trio mistura rock, pop, funk e outros ritmos nacionais à batida do samba.

Por enquanto, a oficina do Monobloco está funcionando como um "esquenta" para uma turma fixa de 2015. As aulas, com trinta pessoas, começaram no dia 1º de novembro, na casa de shows Lapa 40 Graus. No total, serão cinco aulas, sempre aos sábados, das 14h às 17h, até o dia 5 de dezembro.

Para ganhar intimidade com tamborim, chocalho, surdo e outros instrumentos de escola de samba, o candidato a ritmista paga 100 reais por aula. E já no dia 6 de dezembro, os novatos farão uma participação no show do Monobloco no Audio Club. As aulas são ministradas por CA Ferrari, Celso Alvim, Mauro Moura e Sidon Silva, que criaram o bloco com Pedro Luís em 2000.

"Essas aulas são um piloto para uma oficina permanente em São Paulo a partir de maio do ano que vem", explica o percussionista CA Ferrari. Segundo ele, não há previsão do grupo desfilar na cidade em 2015. "Estamos guardando a surpresa para 2016. Queremos vir para São Paulo." Na capital fluminense, o bloco costuma arrastar 500 000 pessoas pela Avenida Rio Branco, no centro.

A ideia de criar o Monobloco no Rio de Janeiro surgiu após uma aula de batucada no Sesc Vila Mariana, com os integrantes de Pedro Luís e a Parede, em 1999.  "É como se agora, com essa oficina em São Paulo, estivéssemos voltando às origens", diz Ferrari.

Concorrência na folia

Bangalafumenga
Bangalafumenga: o primeiro bloco carioca a desembarcar em São Paulo (Foto: Reprodução/Facebook)

O primeiro bloco carioca a desembarcar em São Paulo foi o Bangalafumenga, em 2011, trazido pelo Oficina de Alegria. No primeiro ano, eram sessenta alunos. Atualmente, são 220, que pagam por mês 225 reais. Os ensaios ocorrem no Carioca Club, todas as terças.

Nos carnavais de 2012 e 2013, o bloco saiu na Vila Madalena. Mas a explosão de público levou os batuqueiros a se mudarem, neste ano,  para a Avenida Paulo VI, em Perdizes. De acordo com os organizadores, 90 000 pessoas curtiram a folia com o Banga"O paulistano tomou gosto de ir para rua e fazer uma ocupação consciente", diz Cesar Pacci, diretor do Oficina de Alegria, responsável pelas aulas e pela organização do desfile e shows em São Paulo.

A chegada do Monobloco, diz Pacci, demonstra que a cidade é um mercado promissor para o Carnaval. "É fantástico que outros blocos criem oficinas. Tem espaço para todo mundo. É uma concorrência para o bem", afirma. 

Quizomba
Oficina do Quizomba na Vila Madalena tem sessenta alunos (Foto: Divulgação)

Já o Quizomba, fundado em 2001 no Rio de Janeiro, faz oficinas regulares em São Paulo desde 2012.  Atualmente, são setenta alunos que ensaiam todas as terças no Jongo Reverendo. Em 2013 e 2014, o bloco foi parceiro nos desfiles do Acadêmicos do Baixo Augusta. Os ritmistas formados na aula de percussão e a banda carioca arrastaram o público pela Rua Augusta até a Praça Roosevelt, no centro.

"São Paulo tem tradição de carnaval de rua.  Não começa com a chegada dos blocos cariocas. Nós, do Rio de Janeiro, só viemos para ajudar a engrossar o caldo", diz o diretor do Quizomba, André Schmidt. Segundo ele, o bloco já se assume também como paulistano. "O Quizomba tem DNA carioca, mas sangue paulista."

Nesta sexta (14), o Quizomba abre a temporada de eventos pré-carnavalescos na cidade com um show do bloco no Cine Joia, a partir das 23h30.  A apresentação será realizada em parceria com a Festa Pardieiro, do DJ Leandro Pardí.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO