Televisão

Monica Pimentel fala sobre sua saída da Rede TV

“O candidato que ocupar a direção artística deverá ter criatividade para solucionar problemas e gerir crises”, diz a ex-diretora da emissora

Por: Ricky Hiraoka - Atualizado em

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Monica Pimentel, que deixou a Rede TV: "Minha saída não está baseada em questão financeira" (Foto: Divulgação)

Na última terça, o mercado televisivo foi pego de surpresa com o anúncio da saída de Monica Pimentel da Rede TV. Por anos, ela comandou a direção artística do canal e foi responsável por viabilizar sucessos como o Pânico na TV, que ficou no ar entre 2003 e 2012 no canal. Na entrevista abaixo, ela explica os motivos de sua decisão a analisa o período em que trabalhou na emissora.

Como você decidiu a sua saída?  Eu senti que o tempo deu. Encerrou o ciclo na Rede TV. Estou desde o período gestacional, quando era uma pequena produtora com duas unidades de externa que produzia programas para a Manchete. Eu me senti confortável para tomar essa decisão tanto para mim quanto para emissora. Em 2012, tiveram instabilidades e dificuldades. A emissora está crescendo. Dobramos o share no último mês e estreamos novos produtos. Todo mundo está otimista.

Esperava essa repercussão?  Minha decisão gerou grande espanto porque estou na Rede TV há quinze anos e saio sem ter brigado com ninguém. Foi inesperado mesmo. Eu não acordei e falei: “não quero mais”. Eu amadureci essa decisão nos últimos seis meses internamente. Não falei nem com minha família sobre isso. Outra coisa que gerou espanto em minha saída é que em TV tudo vaza antes de qualquer anúncio oficia e eu consegui manter o sigilo.

Como Amílcare Dallevo e Marcelo de Carvalho (donos da Rede TV) encararam sua decisão?  Nós conversamos várias vezes e deixei claro meu desejo. Minha saída não está baseada em questão financeira. Foi tudo conversado, eles pediram um tempo e vou cumprir meu contrato até o fim. Tenho o maior interesse que tudo dê certo.

O que você destaca desses quinze anos de Rede TV?  É muito difícil resumir quinze anos de trabalho. Eu citaria o caso mais clássico: o Pânico. Ele nasceu, cresceu e teve resultados históricos na Rede TV. O projeto não foi meu, mas eu tirei do papel e tive uma contribuição enorme na gestão dos talentos do programa. Eu fui responsável pela permanência deles na emissora por tanto tempo. Mas quero deixar claro que todos os artistas e talentos que contratei foram e são importantes para mim.

Qual o grande desafio de seu sucessor?  Além do conhecimento da área artística, o candidato que ocupar minha vaga deverá ter  criatividade para solucionar problemas. Não falo de formatos, mas de gerir crises. Equilíbrio, confiança, liderança e espírito conciliador são qualidades necessárias para ser diretor artítico da Rede TV.

Sente falta de não ter criado um núcleo de dramaturgia no canal?  Na questão d e dramaturgia, uma experiência importante foi Donas de Casa Desesperadas. Tirar esse projeto do papel foi um grande desafio. Mas se você perguntar se faltou alguma coisa, digo que fiz tudo que poderia ter feito. O tempo de produzir dramaturgia chegará na Rede TV e vai ajudar a desenvolver diversos setores da emissora. A dramaturgia traz a maturidade necessária para qualquer canal. Eu não tive condições de fazer isso na minha gestão.

Qual foi o momento mais difícil?  Se você editar sua vida profissional ou pessoal, você pode fazer um filme de horror ou de amor. Eu sempre tive um olhar otimista. Não guardo momentos ruins na memória. Eu os usei para me superar como profissional. Todos os momentos que vivenciei aqui, quando todo mundo fazia um tsunami de notícias negativas, de que tudo iria acabar, foi quando  estive mais forte. Eu levantava a manga e dizia: “Vamos nos virar e reverter a crise”.  As dificuldades estimularam minha criatividade.

Surgiram boatos que a Record e a Endemol já estariam de olho em você. Isso procede?  Eu sempre tratei as propostas que recebi com muito respeito e total discrição. Se ela não é concretizada, só interessa as duas partes. Eu vou continuar agindo da mesma maneira. Ninguém vai saber de nada até assinar um contrato.

Fonte: VEJA SÃO PAULO