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Mikaele Bezerra ensina manobras de futebol freestyle

Acompanhamos um dia de treino da vice-campeã brasileira da modalidade. Saiba mais sobre o gênero e aprenda manobras básicas para começar a praticar

Por: Marcus Oliveira - Atualizado em

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É bem comum esbarrar na internet com vídeos de famosos jogadores de futebol fazendo “manobras” mirabolantes com a bola nos pés. Exemplos já foram vistos com o português Cristiano Ronaldo e o ídolo Ronaldinho Gaúcho, que inspiraram jovens como a vice-campeã brasileira de freestyle, Mikaele Bezerra, de 18 anos, que pratica há dois anos e investe agora no esporte fora das quatro linhas.

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Diferente do que fazem esses astros da bola, o freestyle é uma modalidade diferente do futebol e levada a sério pelos praticantes. A prática consiste em muito mais habilidades do que simplesmente fazer embaixadinhas, ao contrário do que imaginam muitos fãs da bola.

Mikaele Freestyle
Mikaele Bezerra é a vice-campeã brasileira de freestyle (Foto: Marcus Oliveira)

Uma prática comum entre o público masculino, a modalidade começa a despontar entre as meninas, que pouco a pouco ganham seus espaços. “Já sofri preconceito no futebol, inclusive quase apanhei de um time de meninos. Mas com freestyle, não. No Brasil ainda não dá para as mulheres viverem de jogar bola e mesmo assim algumas ainda insistem. Tenho amigas em times e já fiz eventos onde ganhei bem mais que elas”, comenta Mikaele.

Natural de Franco da Rocha, na grande São Paulo, a garota pratica durante duas horas por dia, cinco vezes por semana, e às vezes, ela diz, esquece do tempo, o que pode lhe custar boas seis horas de manobras e ensaios.

Diferente dos times de futebol, no freestyle os praticantes não possuem técnicos, o que faz deles um grupo unido. “Pratico com os movimentos e vejo vários vídeos. Não existe um treinador, então os praticantes mesmo se ajudam. Falo pela internet com alguns mais evoluídos e quando não sabem algum movimento indicam outros e assim vai”, comenta.

Mikaele Freestyle
A jovem treina cerca de duas horas por dia (Foto: Marcus Oliveira)

As manobras – também chamadas de dricks - necessitam de muito treino sem a bola, para depois serem feitas com a pelota. Mas antes é preciso uma pratica básica: dominar as embaixadinhas.

O interesse de Mikaele surgiu há pouco mais de dois anos, quando teve uma resposta positiva para fazer parte de um time de futebol em uma cidade vizinha a que reside, mas não pode ingressar na equipe, devido uma resistência de sua mãe, por conta da distância que deveria percorrer diariamente para treinar.

A partir daí, passou a ver vídeos de futebol e esbarrou no freestyle. Logo, a jovem se apaixonou. Foi em busca de mulheres que praticavam e encontrou pouquíssimas. “Quando comecei não sabia fazer nada. Ficava treinando horas só na embaixadinha. Comecei com cem e mais cem, e por aí foi. Com um mês, fui colocando as manobras básicas”, recorda ela, que credita tudo ao ex-praticante Daniel Costa Mello, o D-Eleven, que a ensinou tudo e apoiou seu início.

Mikaele Freestyle
Mikaele se prepara para sua primeira disputa internacional esse ano (Foto: Marcus Oliveira)

Manobras

No freestyle, as manobras são dividas em categorias: iniciantes; médio intermediário; intermediário; avançado e hard core. “Estou tentando uma manobra chamada Skora, que ganhou o mesmo nome do criador, um polonês, um dos meus ídolos”, adianta Mikaele.

Outras quatro divisões são relacionadas aos movimentos. São elas: uper - usa cabeça, olhos, nariz boca, orelha, ombro e peito; lower – feitas em pé; sit down - manobras sentadas e grounds – que consiste nos dribles, usando paredes, por exemplo.

Mikaele treina, atualmente, as drick mais evoluídas, como uma que até agora não viu nenhuma mulher fazendo, o PATW, com a bola e as pernas suspensas. Dominado a prática, pretende usá-la no Campeonato Brasileiro, em julho.

Mikaele Freestyle
As manobras são dividias em quatro categorias: uper - usa cabeça, olhos, nariz boca, orelha, ombro e peito; lower – feitas em pé; sit down - manobras sentadas e grounds – que consiste nos dribles (Foto: Marcus Oliveira)

No Brasil, esse é a única competição oficial, organizada pela Federação de Futebol Freestyle. Qualquer pessoa pode participar, basta enviar um vídeo, que será avaliado por um júri. A competição ocorre em apenas um fim de semana. No sábado, é a classificação geral com dois rounds, com um minuto para cada participante.

No domingo, a grande final ocorre com os mais bem avaliados pelos jurados, que analisam três quesitos: habilidade, domínio e estilo. Nesse momento, os participantes travam uma “batalha” de dois minutos, onde cada um tem trinta segundos para mostrar suas habilidades e passar a bola ao outro.

Mikaele Freestyle
No Brasil, há apenas uma competição oficial, o Campeonato Brasileiro, que ocorre em julho (Foto: Marcus Oliveira)

Mikaele disputa hoje com a atual campeã brasileira, Marisa Cintra, de 25 anos. Por falta de participantes femininas, as duas acabam sempre decidindo o título. Outra competição relevante na modalidade é o Red Bull Street Style, onde Mikaele fará sua estreia esse ano.

A princípio, ela deve vencer as competições regionais, feitas em cidades diferentes do país, onde dezesseis competidores disputam uma vaga para concorrer ao título internacional. Este ano, a competição será no Japão. “É o título máximo que uma pessoa que pratica pode conquistar. No freestyle é você superando seus limites e no campo ou na quadra há um time, é coletivo”.

passo a passo freestyle
(Foto: Renata Aguiar)

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO