Teatro

Três perguntas para Marcos Caruso

No ar na novela Joia Raia, o ator dirige o drama Agora, que apresenta o universo dos dependentes químicos e tem entrada franca

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

Marcos Caruso
Marcos Caruso: ator e diretor (Foto: Geanne Carvalho)

O que o motivou a se envolver em um projeto de teor assistencial?

Senti que dirigir esse texto me faria muito bem como ser humano. Agora é a segunda parte de uma trilogia escrita por José Scavazini, meu amigo, que foi iniciada com o espetáculo Antes e será encerrada com Depois. Não me interessa dinheiro. São quatro dependentes de drogas que buscam recuperação em uma clínica, uma questão que deve ser discutida e levada a sério.  

Como encenar um tema tão pesado sem deprimir o espectador?

Trata-se de uma abordagem difícil. Procurei fugir de qualquer julgamento ou visão maniqueísta. Não coloquei em cena a figura de enfermeiros, por exemplo. É mostrada ali a convivência forçada de um grupo de pessoas. A droga funciona só como o ponto de partida.  

A questão social anda esquecida nos palcos?

O teatro tem feito concessões que não admito, pois o público precisa de espetáculos que provoquem a reflexão. Isso é mais importante do que somente a diversão. Escrevi a comédia Trair e Coçar... É Só Começar, que está em cartaz há 28 anos e ainda faz muita gente rir, mas sei que minha função como artista não é só essa. O teatro deve ter comédias, dramas, musicais, tragédias... A importância comum está em trazer questões sociais, mesmo que, com isso, a plateia seja restrita.

Fonte: VEJA SÃO PAULO