Televisão

Marcos Caruso vive o auge da popularidade na novela "Avenida Brasil"

Após quatro maridos bananas o ator paulistano faz sucesso como o ciumento Leleco

Por: Dirceu Alves Jr.

Marcos Caruso Leleco - televisão 2271
Com a atriz Eliane Giardini: o sessentão desfaz o casamento para ficar com uma garota de 20 anos (Foto: TV GLOBO/Alex Carvalho)

Desde a estreia da novela "Avenida Brasil", em 26 de março, o ator paulistano Marcos Caruso, de 60 anos, mal consegue ficar em seu apartamento, no bairro de Higienópolis. Nas raras folgas no meio da semana, ele voa do Rio de Janeiro, pega as contas debaixo da porta e corre para abraçar seu pai, o aposentado Alberto Caruso, de 90 anos, retornando logo depois ao Aeroporto de Congonhas. O cronograma de gravações na Rede Globo e a temporada do espetáculo “Em Nome do Jogo”, apresentado de sexta a domingo também na capital fluminense, o impedem, ainda, de visitar por aqui a neta Clarice, de 1 ano e meio. O reencontro com a garotinha se deu há duas semanas e, para surpresa de todos, ela balbuciou “Leleco” ao encontrá-lo. “Caramba, minha neta ainda não me reconhece como avô e já me identifica como o cara da novela.”

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Marcos Caruso vive o suburbano Leleco, que larga a mulher (papel de Eliane Giardini) por causa de uma jovem (a atriz Débora Nascimento), (Foto: Gianne Carvalho)

O espanto de Caruso dentro da própria casa só não foi maior porque a reação acontece o tempo inteiro nas ruas. Pai do ex-jogador Tufão (interpretado por Murilo Benício), o suburbano Leleco, que larga a mulher (papel de Eliane Giardini) por causa de uma jovem (a atriz Débora Nascimento), caiu nas graças do público. Dizem que o sucesso não tem explicação, mas nesse caso a máxima merece ser contestada. Descendente de italianos e criado no Itaim, Caruso aprendeu a nadar nas piscinas do Clube Pinheiros, gosta de vinho e sempre teve um padrão de vida razoável. Para completar, mede 1,90 metro, pesa 79 quilos e passa longe do físico exigido a um ex-pugilista carioca, sempre de camiseta regata e com óculos escuros na cabeça. Logo, seria o intérprete menos indicado para o papel. “Não queria um ator pronto, e sim alguém que construísse o personagem”, afirmou o diretor Ricardo Waddington ao convidá-lo.

Marcos Caruso - televisão 2271
Um escritor psicopata no teatro: ele divide a cena com Emílio de Mello na peça 'Em Nome do Jogo' (Foto: Guga Melgar)

Como se fosse um principiante, Caruso tremeu de medo e, após noites de insônia, decidiu procurar alguns Lelecos pela periferia do Rio de Janeiro. Durante cinco fins de semana, ele hospedou-se na casa do ator Vinicius Marins — seu colega na novela Cordel Encantado (2011) — e conviveu com a família e os amigos do rapaz no bairro do Santíssimo. “Foi bonito vê-lo abrindo mão do próprio conforto por um trabalho”, conta Marins. “Ele chegava de van, bebia cerveja nos botecos e passava as tardes conversando com o pessoal na padaria e no mercadinho.” A risada de Leleco é inspirada na do pai de Marins, o mecânico Enek Bastos, de 55 anos, que trabalha de bermuda porque não suporta o calor ao vestir uma calça. “Descobri uma gente que não tem vergonha de expressar a alegria e cuja maior preocupação é com os amigos”, relata Caruso, que pedala três vezes por semana e ainda incorporou à sua rotina aulas de boxe e musculação para o físico ficar mais próximo do exigido pela ficção.

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O prefeito de 'Cordel Encantado' (2011): enfim, um papel cômico na TV (Foto: Rede Globo/Divulgação)

A repercussão de Avenida Brasil coroa quatro décadas dedicadas basicamente ao teatro e estendidas com cautela ao vídeo. “Sempre fui reticente em assinar contrato com a Rede Globo porque durante trinta anos não precisei botar a cara na tela para viver”, diz ele, que é autor da comédia “Trair e Coçar... É Só Começar”, megassucesso em cartaz desde 1986 e que ainda lhe rende uma “boa grana”, como deixa escapar. O medo de se repetir e ficar marcado por papéis idênticos o ameaçou depois da novela Páginas da Vida, em 2007, quando interpretou, nas palavras dele, o quarto “marido banana” consecutivo. Um padre mineiro, um vilão e um prefeito nordestino antecederam Leleco. “Eu me sinto privilegiado quando mostro tipos tão diferentes de mim”, afirma ele. “Poderia me contentar em viver apenas de teatro, mas ainda é muito bom ser desafiado aos 60 anos.”

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Mais um drama em 'Páginas da Vida' (2006/2007): contracenou com Fernanda Vasconcellos, Max Fercondini e Lilia Cabral (Foto: Rafael Campos/Divulgação)
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Ao lado da atriz Regiane Alves em 'Mulheres Apaixonadas' (2003): a primeira novela de repercussão na Globo (Foto: Gianne Carvalho/Rede Globo/Divulgação)

Após três casamentos duradouros — com a atriz Jussara Freire, mãe de seus dois filhos, Mari e Caetano, com a sonoplasta Aline Meyer e com a bailarina Dani Calicchio —, o ator vive sozinho há dois anos. “Ninguém mais manda em mim”, brinca. Na televisão, seu personagem apaixonou-se por uma menina com um terço de sua idade. Caruso garante estar mais sossegado, mas não nega que Leleco é uma massagem no ego dos sessentões. “Trata-se de uma garota linda e que poderia ter o mundo aos seus pés, mas preferiu um coroa porque é amada e o ama sem nenhum interesse.”

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO