Férias

Os empreendedores do litoral que faturam bem na alta temporada

As estratégias dos comerciantes que chegam a ganhar 4 000 reais por fim de semana no verão

Por: Ana Carolina Soares - Atualizado em

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Uma multidão de aproximadamente 4,3 milhões de pessoas buscou o rumo do mar de São Paulo para celebrar achegada de 2015, segundo estimativa do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sinhores). Enquanto essa turma numerosa curte mais uns dias de férias, cerca de 200 000 comerciantes das cidades da costa do estado se empenham no verão, a época mais dura e também lucrativa no trabalho.

A ideia de ganhar dinheiro em um cenário paradisíaco soa tentadora, mas os empreendedores da orla suam a camisa para o negócio deslanchar. “Planejamento e um estudo do ponto de pelo menos seis meses são fundamentais”, diz Cesar Ossamu, consultor de marketing do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) da Baixada Santista. Outras dicas para não “morrer na praia”: saber economizar os ganhos da alta temporada e diversificar o cardápio de ofertas no inverno.“Mas não há nada tão fundamental quanto entender e atender os desejos do consumidor. Um bom atendimento fideliza o freguês”, ressalta Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo.

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Muita gente aprendeu essa teoria na prática e prosperou. Em Caraguatatuba, um ex-pescador montou um superquiosque frequentado por famosos como o cantor sertanejo Leonardo. Outro exemplo de sucesso vem de Santos, onde um rapaz que começou fazendo desenhos de hena nos banhistas virou o principal tatuador do pedaço (o craque Neymar, do Barcelona e da seleção brasileira, já fez treze desenhos com o artista).

No sempre quente mercado imobiliáriode São Sebastião, um dos melhores corretores ganha comissões de 2,5% em média sobre imóveis de até 9 milhões de reais. Isso dá 225 000 reais em uma só tacada. Confira ao longo da reportagem essas e outras histórias surpreendentes dos reis da lábia do litoral paulista.

SABOR E SIMPATIA

Heloísa Pereira da Silva - capa edição 2407
Heloísa Pereirada Silva: 150 caipirinhas e 50 lanches em um dia de verão (Foto: Mario Rodrigues)

No verão de 1993, Heloísa Pereira da Silva dividiu o cabelo em duas trancinhas pela primeira vez. Com 22 anos na época, a garota vestiu um short e seguiu para a praia da Barra do Sahy para dar uma força na barraquinha de dona Tereza, sua mãe. A dupla vendeu tanto cachorro-quente e chá-mate naquela estação que Helô largou um emprego de oito anos como garçonete em São Sebastião e se tornou sócia.

Ela reformulou o cardápio — inseriu frutas, saladas e sanduíches, sempre com ingredientes frescos —, incrementou a barraca, implantou uniforme com logotipo, deixou a mãe concentrada na cozinha (o que ela realmente gostava de fazer) e assumiu a frente do balcão para atender os clientes. “Lidar com o público não é para qualquer um, exige paciência e dedicação, mas gosto dessa rotina”, diz.

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Por causa da comida boa e da cortesia da moça, o quiosque de dona Tereza virou a Barraca da Helô, um ponto de referência do Litoral Norte. Em um dia ensolarado de janeiro, ela chega a servir 150 caipirinhas (em média, 20 reais cada) e cinquenta lanches naturais (por 16,50 reais o de frango, na foto).

Na alta temporada, fatura quase 50 000 reais por mês. Ao longo do ano, a pedagoga dá aulas para crianças na Riviera de São Lourenço. Nascida em São Sebastião, Helô gosta de sua vida simples ao lado do marido (o motorista Edson Júlio da Costa) e do filho, Ian, de 9 anos, em uma casa na Barra doSahy. Nunca pensou em morar em outra cidade. “Já tive propostas de abrir uma franquia em praias de Salvador e no Rio de Janeiro, mas não quis. Para que buscar fortuna se tenhoo dia a dia que sempre pedi a Deus?”

LEVANDO A VIDA "NA MANHA"

Adalberto Guedes - capa edição 2407
Adalberto Guedes: Hebe Camargo e Gustavo Rosa entre os clientes (Foto: Mario Rodrigues)

A Praia de Tabatinga, em Caraguatatuba, tem águas calmas e areia fofa, além de artistas, empresários e executivos como frequentadores, devido a um condomínio de luxo construído por lá. Independentemente do perfl (rico ou pobre, famoso ou anônimo), quem pisa no quiosque mais “hypado” daquela costa ouve a mesma pergunta: “Ô,‘na manha’, vai querer o quê?”. De tanto falar assim, ninguém conhece Adalberto Guedes pelo nome. Para a turma do pedaço, ele é o Na Manha.

O comerciante bonachão de 70 anos senta-se à mesa dos clientes, conta piadas e fala pelos cotovelos. “Sempre fui amalucado”, diz. Ele nasceu em Santos e se mudou para Tabatinga há quarenta anos, quando se casou coma caiçara Glória Oliveira. Pescador, começou seu negócio vendendo seus peixes, milho-verde e caldo de cana em uma Kombi adaptada.

Na década de 80, o condomínio de luxo na vizinhança aumentou a freguesia e o tagarela ganhou a simpatia de uma cliente importante: Hebe Camargo. A apresentadora, que morreu em 2012 em decorrência de um câncer, deu-lhe o apelido, a ideia de transformar a perua velha em um quiosque e levou ao ponto amigos famosos, como o artista plástico Gustavo Rosa. O pintor, aliás, em uma manhã preguiçosa ali, desenhou uma mulher voluptuosa que se tornou o logotipo do ponto.

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Hoje, o Rancho da Glória Na Manha serve macarronada com frutos do mar, caipirinhas e o famoso pastelzinho de camarão (12 reais a unidade). O faturamento alcança em média 40 000 reais em um mês da alta temporada e cai pela metade no inverno. “Não fiquei rico, mas dá para levar a vida do jeito que eu gosto: no mar e na manha.”

MISS PACIÊNCIA

Marcia da Silva Sousa - capa edição 2407
Marcia da Silva Sousa: venda de dez a vinte peças em um dia (Foto: Mario Rodrigues)

O sol baixava na tarde deu m sábado de dezembro, mas um grupo de quatro amigas acompanhadas por um cãozinho da raça shih tzu nem sequer percebia. Em meio a uma pilha de biquínis, cafetãs e saídas de praia, elas discutiam cores, caimento e detalhes no provador de uma loja de beach wear do Shopping Jequiti, na Praia de Pernambuco, no Guarujá. O impasse já durava mais de uma hora.

Todo vendedor sofre com a indecisão dos clientes e a maioria estampa muito bem essa tortura no semblante, mas Marcia da Silva Sousa, de 32 anos, ouvia cada comentário com um sorriso. Ela mesma sugeria voltar ao estoque em busca da peça mais adequada ao perceber que a roupa não valorizava a cliente. Após revistar todas as araras, o grupo começava a se despedir. Até que Marcia mostrou uma sandália de 300 reais com tiras de strass, o mesmo material de que era feito o brinco de uma delas. E, enfm, fechou uma venda. “Adoro moda e lidar com um público de bom gosto”, diz.

Ela começou a atender naquela loja no verão de 2011 e, em agosto do ano passado, foi promovida a subgerente. É responsável por comercializar de dez a vinte peças por dia. Há itens ali que passam dos 1 000 reais, o dobro do que recebia por mês na época em que trabalhava como faxineira no Guarujá. Marcia foi diarista na adolescência e parou de trabalhar nos primeiros anos de casada.

Quando sua flha, Maria Eduarda, completou 3 anos, quis voltar ao mercado e optou pelo comércio. Desde 2004 está atrás dos balcões. “Troquei de lojas cinco vezes, porque recebia propostas melhores”, conta. Márcia não revela seu salário, mas diz que, com a renda dos biquínis, comprou um terreno no Perequê, bairro caiçara da cidade, e ajuda nas despesas da casa dos seus pais. “Sempre ouvi isto, mas é a pura verdade: quem faz o que gosta melhora de vida.”

PREDADORES NO AQUÁRIO

Jayson Huss - capa edição 2407
Jayson Huss: humor negro para ajudar nos medos dos clientes (Foto: Mario Rodrigues)

A vontade de nadar com os peixes do Acqua Mundo, o aquário do Guarujá, muitas vezes vai por água abaixo quandoo candidato a mergulhador avista os tubarões. Para amenizar o clima nessa hora, o instrutor Jayson Huss, de 38 anos, usa o humor negro. “Fiquem tranquilos: eles já almoçaram hoje e vocês serão apenas a sobremesa”, brinca o mergulhador.

Normalmente, ele prolonga a piada na sequência: “Prazer, sou Jayson, mas pode me chamar de Sexta-Feira 13”, apresenta-se, citando o serial killer das telas.

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A tática parece estranha, mas funciona. Ele é o professor do local há seis anos e, na alta temporada, costuma dar quarenta aulas por mês (cada uma custa 300 reais, com uma hora de duração). Também ensina mergulho no mar, geralmente na Laje de Santos, e, na melhor época (nesse caso no inverno), faz dezesseis saídas a um custo de 450 reais cada uma.

No verão, ganha em torno de 6 000 reais por mês, e o valor cai pela metade nos demais períodos do ano. “Não dá para virar magnata, mas faço o que amo.” Paulistano, Jayson decidiu viver a vida nolitoral aos 22 anos, durante um intercâmbio em Cairns, na Austrália. Depois, passou cinco anos como instrutor em Fernando de Noronha e, em 2007, mudou-se para Santos para estudar biologia marinha. “Conheço bem o meio ambiente, mas sou craque na natureza humana e me considero uma espécie de psicólogo”.

Ele se gaba de um episódio ocorrido há cerca decinco anos. Uma senhora havia caído acidentalmente em uma piscina na infância, e por décadas se afligiu em todos os lugares em que a água ficava acima de seu tornozelo. Mesmo assim, sonhava mergulhar. Semanas depois de muito treinamento, ela entrou no aquário com Jayson.“Qualquer pessoa pode mergulhar comigo”, orgulha-se.

O CRAQUE DE NEYMAR

Adão Rosa - capa edição 2407
Adão Rosa: das tatuagens de henna na areia para a pele dos famosos (Foto: Mario Rodrigues)

Televisores de plasma exibem os clientes célebres (Neymar, Bruna Marquezine, MC Guimê e Valesca Popozuda, entre outros), em meio a uma decoração imponente com direito a poltronas de veludo vermelho e espelhos grandes com molduras rebuscadas. Assim é o estúdio “ostentação” de tatuagem de Adão Rosa no shopping Praiamar, em Santos.

Aos 34 anos, o profssional mais procurado da Baixada desse ramo tem outro ponto, no Litoral Plaza Shopping, na Praia Grande. Naquelas areias, tudo começou. Em 1999, o rapaz bom no desenho decidiu incrementar sua renda como marceneiro fazendo um bico nas horas vagas. O negócio consistia em tatuar com henna os banhistas. Logo noprimeiro dia, arrecadou 1 200 reais, uma pequena fortuna para quem vivia em uma rua de terra na Vila Sapo, na periferia da cidade. Chamou cinco amigos, e eles passaram a oferecer o serviço uniformizados com a camiseta da marca recém-criada, a Tatooadão.

Em 2002, o jovem comprou um kit de tatuagem defnitiva e treinou na própria pele. Meses depois, montou um estúdio no shopping, a náutica Tattoo.

Na base da propaganda boca a boca, o local foi ganhando fama e virou ponto dos craques do Santos. Neymar é um dos campeões: fez ali treze desenhos (de diamantes a frases como “Tudo passa”). No início da carreira, para ganhar experiência, Adão cobrava 5 reais por sessão. Hoje, um desenho seu não sai por menos de 800 reais.

VAI UMA MANSÃO AÍ?

Dênei Corrêa Lima - capa edição 2407
Dênei Corrêa Lima: corretor requisitado do Litoral Norte (Foto: Mario Rodrigues)

O jeito extrovertido e o tino para os negócios apareceram ainda na infância para Dênei Corrêa Lima, 54 anos, o principal corretor de uma imobiliária no Litoral Norte.“Aos 12 anos, eu fazia pipas e as vendia a meus colegas de classe”, lembra. Ele se formou em administração de empresas e fez carreira como executivo do mercado fInanceiro. Há quatro anos, resolveu mudar de ramo e escolheu um ofício com horário mais fexível para poder fcar mais tempo perto da família.

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Matriculou-se no curso do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) e virou vendedor. Na empresa em que trabalha, a Seaport, os imóveis custam entre 300 000 e 9 milhões de reais. Dênei costuma fechar a venda de duas ou três dessas casas de alto padrão por mês, embolsando uma comissão de 2,5% em média sobre o valor do negócio. “Para ter sucesso nessa área, é preciso entender o cliente e manter o celular ligado 24 horas por dia”, ensina.

Um dos maiores desafios ocorreu logo no início da carreira. Um casal visitou uma mansão, e a esposa se apaixonou por uma obra de arte exposta na sala. Mas a proprietária da residência tinha um apego emocional pela peça e não queria vendê-la. “Para não perder o negócio, convenci minha cliente a adquirir um quadro semelhante, do mesmo autor, e tudo deu certo.” Depois de meia hora relatando suas peripécias, Dênei decide aproveitar a oportunidade: “Aliás, você não quer comprar uma casa na praia? Posso apresentar uma perfeita”.

SHOPPING AMBULANTE

Camila da Silva Matos - capa edição 2407
Camila da Silva Matos: sonho de abrir loja física e um terreno para construir sua casa (Foto: Mario Rodrigues)

Tem boia da Hello Kitty, bolas para todos os torcedores do futebol paulista, pranchas para adultos e crianças, cangas da indonésia, biquínis de Minas Gerais, vestidos do Brás... São mais de 300 peças no carrinho de Camila da Silva Matos. Há dois meses, a garota e o namorado (o marinheiro Wellington de Oliveira, de 32 anos) levam nos braços sua loja ambulante pela Praia da Enseada, a mais extensa do Guarujá.

Apesar da pouca idade (25 anos) e experiência empresarial da dona, o mercadinho é um dos mais procurados do pedaço. Em fins de semana ensolarados ou feriados, o faturamento alcança os 1 800 reais por dia. “A variedade dos produtos e a forma organizada de exibi-los atrai os clientes”, diz.

Ela também aposta na facilidade de pagamento: aceita todos os cartões de crédito e débito. Nas compras acima de 200 reais, parcela em duas vezes. Camila aprendeu com o pai que praia pode também ser lugar para lucrar. Desde 1994, Antonio Carlos Mota, 47, ganha a vida com uma barraca de sanduíches na orla vizinha, Pernambuco. “Ele sustentou a família assim, e eu sempre adorei visitar o trabalho dele”, conta Camila.

Durante dois anos, a comerciante viveu no mar como garçonete em cruzeiros marítimos. “Motivos não faltaram para eu querer fincar os pés aqui”, conta. A garota quis ficar perto da família, do namorado e abrir o próprio negócio.

Como rendimento da temporada 2015, ela quer comprar outro carrinho e inaugurar uma loja física no Guarujá. “Sonho também em comprar um terreno para construir minha residência, casar e criar nossos filhos.” Tem de ser perto do mar, é claro.

MUSA DAS PISTAS

Karlinha Balsano - capa edição 2407
Karlinha Balsano: balada é trabalho (Foto: Mario Rodrigues)

Aos 27 anos, Karlinha Balsano tem o poder do “sim” e do “não”. Ela distribui as pulseiras vips do Sirena, em Maresias, a principal balada do Litoral Norte. “Até as 3 da manhã, administro pessoas que pedem as entradas na última hora”, diz.

Karlinha batia cartão no clube como frequentadora desde seus17 anos. Simpática, chamou atenção dos diretores da casa e, em 2009, recebeu o convite para recepcionar os convidados de um dos camarotes do endereço e vender garrafas de champanhe, uísque e vodca (no esquema do endereço, quem compra uma garrafa dessas ganha na faixa a entrada).

Ela se revelou uma boa profssional e aprimorou a técnica ao cursar relações públicas na Universidade Metodista de São Paulo. Hoje, ocupa o cargo de supervisora de marketing do Sirena. Em uma só noite, chega a vender 160 garrafas de bebidas que custam entre 500 e 800 reais cada uma. A mesa de camarote, para dez pessoas, sai por 5 000 reais. E o clube costuma lotar esses 150 lugares na alta temporada.

Karlinha recebe uma comissão de 7% sobre tudo o que comercializa, além do salário fxo. Há quatro anos, comprou um apartamento no bairro da Saúde. Ela mora em São Paulo e todo fim de semana desce para maresias.“Balada, para mim, é trabalho”, afirma.

AS LIÇÕES DO GALÃ DE JUQUEHY

Marcelo Bonomi - capa edição 2407
Marcelo Bonomi: professor galã fecha cinco aulas por dia durante o verão (Foto: Mario Rodrigues)

Na Praia de Juquehy, opções não faltam para quem quer aprender a se equilibrar no stand-up paddle, esporte no qual o praticante fica em pé e movimenta uma prancha longboard por meio de um remo. De toda a extensão daquela orla,o ponto em frente à igrejinha concentra a maior aglomeração. Com um porte atlético, cabelos e pele dourados pelo sol que ressaltam os olhos azuis, Marcelo Bonomi, o Alemão, 29 anos de praia, é o professor ali.

A boa aparência serve de chamariz, mas bastam poucos minutos de conversa para perceber queo boa-pinta entende do assunto: ele explica as ondulações com propriedade, adora um papo sobre ecoturismo e transmite segurança. Com tais trunfos, o galã de Juquehy fecha por dia cinco aulas de surfe (por 100 reais cada uma, com um hora de duração) e mais de dez aluguéis de prancha (70 reais por uma hora) em fins de semana e feriados.“Tenho uma espécie de ímã, chamo atenção desde a adolescência, mas sempre soube que só beleza não garante negócios”, diz.

Alemão nasceu em Jundiaí e frequenta a casa de praia da família desde menino. Aos 17 anos, começou a dar aulas de surfe informalmente em Juquehy. Na época de definir uma profissão, optou por um curso técnico de gestão de recursos humanos em Santos. Ele trabalhou como caixa de um banco até seus 25 anos. “Definitivamente, ficar trancado em um escritório não era para mim.”

Voltou a jundiaí para gerenciar uma casa noturna e, em dezembro do ano passado, jogou tudo para o alto para realizar o sonho de trabalhar no mar. “Como estou recomeçando, ganho um pouco menos do que no antigo emprego, mas a qualidade de vida não se compara.”

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  • Cozinha contemporânea

    Tuju

    Rua Fradique Coutinho, 1248, Vila Madalena

    Tel: (11) 2691 5548

    VejaSP
    5 avaliações

    Escolhido o chef revelação na última ediçãode VEJA COMER & BEBER, Ivan Ralston continua em curva ascendente. Seu extenso menu degustação (R$ 290,00, em quinze etapas) brinca com texturas e sabores diferentes. Uma untuosa bruschetta de língua fica maisrefrescante com a folha de beldroega (R$ 28,00). Surpreendem também a tapioca fininha de foie gras com cambuci (R$ 32,00) e o éclair de ovas de ouriço com purê de limão- siciliano (R$ 32,00). Entre os pratos mais substanciosos aparecem o peixe do dia no tucupi preto com caldo de bacalhau e bolinhas de tubérculos (R$ 75,00) e o miolo de acém extraído de wagyu (R$ 180,00). Para tornar a refeição mais agradável, não deixe de pedir um dos ótimos drinques do barman Maurício Barbosa.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Franceses

    Bistrô L’Entrecôte d’Olivier - Alameda Lorena

    Alameda Lorena, 1821, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3063 4107

    VejaSP
    2 avaliações

    O chef Olivier Anquier, que abriu em agosto o restaurante Esther Rooftop, na Praça da República, segue com o duo de bons bistrôs dedicados a um prato só, o entrecôte. Invariavelmente, o garçom perguntará o ponto da carne e o anotará no papel que cobre a mesa. Antes, chega uma salada verde e, na sequência, vem o bife banhado em um molho untuoso, cuja fórmula é mantida em segredo. As fritas de acompanhamento, finas e sequinhas, são servidas à vontade. A pedida custa R$ 79,90. Em vez de arrematar com uma sobremesa francesa, peça o dueto de tiramisu, em versão clássica e com frutas vermelhas (R$ 23,90).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Portugueses

    Tasca do Zé e da Maria

    Rua dos Pinheiros, 434, Pinheiros

    Tel: (11) 3062 5722 ou (11) 3064 0107

    VejaSP
    3 avaliações

    O espaço apertado está repleto de mesas cobertas por toalhas branquinhas. O couvert, composto de pão, manteiga, queijo fresco e salgadinhos fritos, vale os R$ 21,90. Sugestão de prato, o bacalhau à brás (R$ 88,00) pode fazer parte do menu executivo no almoço de segunda a sexta (R$ 59,00, com entrada e sobremesa). Bem úmido, o rocambole de laranja merece cada garfada (R$ 20,90).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Drinques

    Riviera Bar

    Avenida Paulista, 2584, Bela Vista

    Tel: (11) 3258 1268

    VejaSP
    17 avaliações

    Ao entrar, o visitante dá logo de cara comum bonito balcão vermelho. No piso de cima, o espaço é mais escuro, com vista para a Avenida Doutor Arnaldo. Clássico boteco paulistano, a casa reabriu em 2013 mais arrumadinha e como um bom lugar para investir nos coquetéis, hoje selecionados pelo talentoso bartender Kennedy Nascimento, que cuida dos endereços do grupo. O west side (R$ 26,00) é uma mistura de vodca, hortelã e limão-siciliano. Outro drinque bem-sucedido, o famous avenue (rum, bourbon, limão-siciliano e xarope de maple; R$ 29,00) alcança equilíbrio satisfatório. Para mastigar, a bruschetta caprese é cheia de frescor (R$ 33,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bar da Dida está entre as opções
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  • Lanchonetes

    Lanchonete da Cidade - Pinheiros

    Rua dos Coropés, 51, Pinheiros

    Tel: (11) 3812 9508

    VejaSP
    2 avaliações

    No fim de 2014, a marca inaugurou uma unidade em Pinheiros, bem em frente ao Instituto Tomie Ohtake. Agora, são cinco os endereços de sucesso desta lanchonete que vive com pequenas filas de espera em horários mais concorridos, como o almoço e o jantar. Entre as novidades do cardápio, o churrasquinho pacaembu (R$ 19,00), com um bifão suculento acompanhado de vinagrete, também pode ser pedido no prato, na companhia de arroz e batata frita rústica (R$ 29,00). Outro que estreou recentemente foi o lanche recheado com rosbife prensado, queijo e tomate grelhado (R$ 22,00). O cachorro-quente bidu 2.0 (R$ 23,00) recebe uma agradável combinação de chili, equilibrado na picância, e creme de cheddar suave. As novas sobremesas do menu levam a assinatura da confeiteira Carole Crema, da La Vie en Douce. É exemplo o sedoso pudim de leite assado no copo americano e coberto com crocante de castanha-de-caju. Em recipiente idêntico chega o quindim, doce na medida (R$ 12,50 cada um).

    Preços checados em setembro/outubro de 2015.

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  • Reaberto em maio, o Museu da Imigração também tem programação dedicada às crianças. A partir de quarta (7/1/2015), toda quarta e sábado, às 15h, haverá narração de histórias ou apresentação de teatro de fantoche. Às quintas, às 10h, tem vez a atividade educativa Navegar É Preciso, que mostra a trajetória dos que chegavam à antiga Hospedaria dos Imigrantes. O edifício recebeu cerca de 2,5 milhões de pessoas de 1887 a 1978.
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  • Uma das artistas contemporâneas mais importantes do Líbano, Mona Hatoum apresenta trinta trabalhos na Estação Pinacoteca que compõem um panorama de sua carreira desde os anos 80 até os dias de hoje. Cinco obras desse conjunto foram feitas especialmente para a exposição, fruto de uma temporada de cinco semanas em São Paulo. O resultado é que a cidade está presente em diversas peças, a exemplo de Janela. Na projeção, imagens captadas ao vivo por uma câmera no Largo General Osório são exibidas em uma parede. Entre os destaques de seu início de trajetória está Roadworks (1985), vídeo em que ela caminha pelas ruas, descalça, arrastando botas militares. Extremamente simples e comovente. Em outra sala, uma luminária giratória joga luz ao seu redor. Lembraria uma mera discoteca, não fossem as projeções em forma de soldados. Paravent, de 2008, segue a mesma lógica: um objeto de decoração, o biombo, é feito com as lâminas cortantes de um ralador. “Apesar dos temas espinhosos de que trata, Mona não deixa a estética visual de lado”, diz a coordenadora de curadoria Natasha Barzaghi Geenen. Talvez este seja o maior mérito da artista: produzir trabalhos que discutem guerra, opressão e morte sem ser panfletária e enchê-los de poesia.  De 6/12/2014. Até 1º/3/2015. 
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  • Cinco exposições imperdíveis

    Atualizado em: 15.Ago.2016

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  • Um dos mais profícuos escritores das décadas de 70 e 80, o gaúcho Caio Fernando Abreu (1948-1996) volta e meia é objeto de inspiração para montagens teatrais. A maioria delas reforça a temática homossexual e, muitas vezes, limita as histórias produzidas pelo contista e romancista ao universo gay. No drama Animais de Hábitos Noturnos, o autor e diretor Robson Phoenix surpreende por trazer à tona um olhar mais amplo em relação aos textos de Abreu. Ele construiu uma dramaturgia estruturada em cenas curtas sem ordem cronológica, mas interligadas, para enfocar dois casais perdidos em andanças noturnas. Amor, solidão, desejo e autodestruição rondam a vida deles. Os atores André Fusko, Einat Falbel, Guilherme Gorski e Wanessa Morgado representam bem os personagens. Um destaque é um diálogo encenado em quatro versões. O quarteto protagoniza um interessante revezamento e, com segurança, envolve o espectador nessa ciranda contemporânea. Estreou em 4/12/2014. Até 16/10/2015.
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  • A soul music feita no Brasil é quase sempre associada à contundência e à roupagem urbana das músicas de Tim Maia, Tony Tornado e Gerson King Combo. Em 1975, o baiano Hyldon fez diferente e revestiu de leveza e bucolismo Na Rua, na Chuva, na Fazenda, seu disco de estreia. Apesar de ter sofrido com a versão da faixa-título feita pelo Kid Abelha e com a de As Dores do Mundo do Jota Quest, o álbum manteve a beleza intacta ao longo de décadas. Músicas como Na Sombra de uma Árvore, Vamos Passear de Bicicleta e Eleonora conseguem ser melancólicas sem esbarrar na pieguice. Com Felipe Marques (bateria), Arthur de Palla (baixo), Guinho Tavares (guitarra), Léo de Freitas e Marcio Pombo (teclado), Diogo Gomes (trompete) e Rodrigo Revelles (saxofone e flauta), Hyldon relembra a obra no ano em que ela completa quarenta anos. Além das canções do trabalho, ele canta Velho Camarada e Estão Dizendo por Aí. Dias 9 e 10/1/2015.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO