Exposições

Judith Lauand ganha retrospectiva no MAM

"Experiências" resume, por meio de uma seleção de 111 obras, pontos fundamentais da trajetória da artista

Por: Jonas Lopes - Atualizado em

Judith Lauand - 2200 - Concreto Amado
A têmpera 'Concreto Amado': ênfase na geometria e formas de rigor matemático (Foto: Everton Ballardin)

Um dos principais expoentes do concretismo, Judith Lauand é foco de uma retrospectiva na Sala Paulo Figueiredo do MAM. “Experiências” resume, por meio de uma seleção de 111 obras, os pontos fundamentais da trajetória da artista, apelidada de dama da escola que marcou a arte brasileira na década de 50. Paulista de Pontal, Judith deu início à carreira ao estudar na Escola de Belas Artes de Araraquara. Pouco depois, fixou residência na capital, onde se tornou a única mulher do Grupo Ruptura, coletivo vanguardista formado por Waldemar Cordeiro, Luiz Sacilotto, Hermelindo Fiaminghi e Lothar Charoux, entre outras figuras icônicas. Aos 88 anos, ela ainda mora e produz na cidade, embora a atual mostra reúna somente trabalhos feitos de 1954 até meados da década de 70. Há pinturas, aquarelas, desenhos, pratos e raras xilogravuras, oriundas de coleções públicas e particulares.

Conhecida e celebrada, a fase concretista traz Judith Lauand exercitando as premissas básicas do gênero, com ênfase na geometria, nas linhas e formas espalhadas de modo rígido, quase matemático, pelas telas. Mais tarde, abraçou a figuração de inflexão pop e excursionou por temas de apelo político e feminista, chegando inclusive a inscrever palavras e frases de efeito nos quadros. Em certas peças, fez uso de materiais não muito usuais, a exemplo de pregos, alfinetes e tachinhas. “Já nos anos 70, Judith retomou a abstração, porém de maneira livre e lírica, menos rígida e concreta, focada nas cores em vez de se concentrar apenas na composição”, explica o curador Celso Fioravante.

Fonte: VEJA SÃO PAULO