Cinema

Jovens atravessam a África para ver a Copa em "Uma Incrível Aventura"

Roteiro vai além do esporte e explora mazelas sociais e paisagens do continente africano

Por: Miguel Barbieri Jr.

Uma Incrível Aventura-2248
Na estrada: 5.000 quilômetros de Ruanda até Johannesburgo (Foto: Divulgação)

Dos filmes que mostram a paixão de povos distantes pelo futebol, talvez o melhor exemplo esteja em “A Copa”, longa-metragem de 1999 rodado no Butão. Também entra no terreno da curiosidade “Uma Incrível Aventura”, sobre a extraordinária trajetória de um grupo de adolescentes de Ruanda em busca de um sonho: assistir à abertura da Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. Algo raríssimo no circuito comercial, a fita africana, por sua combinação de ação juvenil e drama realista, levou o Prêmio da Juventude na última Mostra Internacional de Cinema. Motivos não faltam para a plateia se entreter com uma história movida a risos verdadeiros e lágrimas dispensáveis.

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O ótimo ator mirim estreante Eriya Ndayambaje faz uma abertura marcante. De frente para a câmera, revela de início quem é seu personagem: chama-se Dudu (inseto, no dialeto local), tem 13 anos, perdeu os pais vitimados pela aids, e dá as instruções de como transformar uma camisinha numa bola. Fabrice (Roger Nsengiyumva), seu melhor amigo, vem da classe média e revela-se um boleiro de primeira. Não à toa, recebe um convite para participar de um teste em um time da capital, Kigali. No dia seguinte, a dupla mais a irmã de Dudu partem de ônibus para lá. Mas, por um erro de direção, passam sem perceber pela fronteira e chegam à hostil República Democrática do Congo.

Dois outros personagens juntam-se a eles na sequência, quando começa uma jornada de quase 5.000 quilômetros atravessando Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue (as filmagens, porém, ocorreram apenas em Ruanda e Burundi). Dirigida pela inglesa Debs Gardner-Paterson, a produção vai além do esporte e mostra-se um road movie de temas amplos, a exemplo das precárias condições do sistema de saúde, do abandono infantil e da violência das guerrilhas urbanas. Embora opte por um desfecho melodramático, o roteiro ressalta uma saborosa e genuína aventura no pouco explorado, em termos cinematográficos, continente africano.

Avaliação ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO