Criminalidade

Personagens do Parque Santo Antônio: Joseane Mateus e Jaqueline Mendes

Em dias de chuva, a região onde as duas vizinhas moram se transforma em um piscinão

Por: João Batista Jr.

Capa 2283 - Parque Santo Antônio - Joseane Mateus
Jô (à direita): “o campo salva as nossas residências” (Foto: Mario Rodrigues)

Funcionárias de uma biblioteca comunitária e vizinhas de bairro, Joseane Mateus, 26 anos (à direita na foto), e Jaqueline Mendes, 23, até poderiam dizer que moram em uma área privilegiada do Parque Santo Antônio não fosse um detalhe: com vista para um campo de futebol — o único equipamento de lazer do bairro — suas casas ficam em frente a um córrego. Em dias de chuva, ele transborda e o campo faz as vezes de piscinão. É quando o mau cheiro no local piora ainda mais. “Apesar disso, o campo drena a água e salva nossas residências das inundações”, conta Jô, como é conhecida.

+ A cada seis dias, uma pessoa é morta no Parque Santo Antônio

Casada desde os 15 anos, ela é mãe de dois filhos. Seu marido coordena o time de futebol do pedaço, batizado de esporte clube Humildade. O companheiro de Jaqueline, com quem teve três filhos, faz projetos sociais na área com a ajuda do arquiteto Marcelo Rosenbaum.

Ex-traficante, o homem de 26 anos deixou o mundo do crime em 2011. “Graças a Deus, o pesadelo acabou”, diz ela. “Antes, ele saía no meio da chuva para pegar droga e eu ficava apavorada.” Segundo Jaqueline, até a metade dos anos 2000 era comum escutar tiroteio quase todos os dias. “Hoje, esse tipo de coisa não acontece mais”, afirma. Não significa que a área está segura. Longe disso. No campinho, o uso de maconha é livre. Há também quem cheire cocaína ali sem nenhum constrangimento.

Fonte: VEJA SÃO PAULO