Música

A São Paulo de Itamar Assumpção

De loja de discos a feira livre, conheça os cinco lugares preferidos do poeta paulista, que morreu há dez anos

Por: Mayra Maldjian - Atualizado em

Itamar Assumpção
Itamar Assumpção: poeta é homenageado por Zélia Duncan (Foto: Marcos Mendes)

Itamar Assumpção, vulgo Nego Dito, gostava de bater perna pela Penha, bairro paulistano onde morou até morrer, em 2003, aos 53 anos.

A vivência na região alimentava os cadernos (reunidos em livro pelas filhas Serena e Anelis Assumpção) e as composições do músico nascido em Tietê (SP). Apesar do apego pela vizinhança, o poeta desbravava outros cantos da cidade, como Pinheiros, Vila Madalena, Pompeia e o centro.  

Controverso, o cantor e compositor tornou-se um dos ícones da vanguarda paulistana na década de 1980, mas foi tachado de maldito da MPB e seu nome foi parar no submundo da música brasileira.

A obra de Itamar, no entanto, não mofou nas sombras. Além das filhas, que perpetuam seu legado, artistas populares como Zélia Duncan levam a poesia do Nego Dito a diversos públicos. A cantora faz uma temporada de oito espetáculos no Sesc Pinheiros, em que interpreta o disco Tudo Esclarecido. Lançado em novembro, traz treze canções compostas por Itamar Assumpção, entre elas seis inéditas.

Para aproveitar a homenagem, a produtora cultural e cantora Serena Assumpção listou para a VEJA SÃO PAULO os cinco lugares da capital paulista por onde seu pai gostava de perambular. A herdeira também elegeu as cinco canções de Itamar que mais gosta, indicadas abaixo como trilha sonora. Bom passeio!

Feiras livres

Itamar Assumpção não economizava sola de sapato. Caminhava toda semana até a feira mais próxima de sua casa. E feira livre é o que não falta na região da Penha, bairro onde morava. Segundo Serena, o pai gostava de comprar peixes, frutas e flores. Era apaixonado por orquídeas.

Trilha sonora: Batuque, do disco Às Próprias Custas S.A.

Serviço: Feiras livres na Penha - Rua Omacha, Rua Mirandinha, Rua Pedro Alegretti, Rua Maria Carlota, Rua Engenheiro Trindade, Pç. Maria Helena Bonelli Palma, Pç. Danilo José Fernandes, Rua General Sócrates.

Coral apresenta clássicos de Beatles e Queen na Galeria do Rock
A Galeria do Rock, no Centro, onde o poeta costumava garimpar vinis (Foto: Veja São Paulo)

Baratos & Afins

Nego Dito era facilmente visto de papo com Luiz Calanca por entre as cobiçadas prateleiras da loja, uma das mais famosas do ramo em São Paulo. “Ele fez cópias de seus álbuns pelo selo da Baratos & Afins, então ia usualmente até lá para ver os discos e conversar com o dono”, conta a filha, que herdou alguns vinis que ele “curtia em casa”. Títulos de Bob Marley, Candeia e Villa-Lobos.

Trilha sonora: Nega Música (feita no nascimento de Serena), do disco Beleléu, leléu, eu.

Serviço: Galeria do Rock, lojas 314 e 318. Informações, tel. 3223-3629.

Galpão da Pizza
Galpão da Pizza, uma das preferidas de Itamar Assumpção (Foto: Divulgação)

Galpão da Pizza

Vira e mexe o poeta enfrentava as ladeiras da Pompeia para visitar um grande amigo, o arquiteto Ricardo Cukierman, no Galpão da Pizza. Itamar o ajudou a pensar no projeto do restaurante. Serena não se lembra da pizza preferida do pai, mas diz que uma bem famosa é a de linguiça de javali.

Trilha sonora: Noite Torta, do disco Orquídeas do Brasil

Serviço: Rua Doutor Augusto de Miranda, 1156. Informações, tel. 3672-4767.

Bar da Jandira

Aos sábados, ele apreciava a feijoada desse boteco que, segundo vizinhos, já não existe mais. Ali, até jogo de bocha tinha. Ficava pertinho, a alguns passos da casa da família Assumpção, na Rua Leopoldo de Freitas.

Trilha sonora: Nego Dito, do disco Beleléu, leléu, eu.

Sesc Pompeia
A fachada do Sesc Pompeia, um dos palcos onde Nego Dito foi mais assíduo na cidade (Foto: Divulgação)

Sesc Pompeia e Teatro da Funarte

Ícone da vanguarda paulista, Itamar Assumpção costumava mostrar sua espirituosa performance no teatro Lira Paulistana, reduto de artistas independentes em Pinheiros. Os palcos do Sesc Pompeia e da Funarte, no entanto, foram os que mais receberam shows do músico em São Paulo, segundo Serena.

Trilha sonora: Zé Pelintra (com Wally Salomão), do disco Intercontinental, Quem diria, Era Só o que Faltava.

Fonte: VEJA SÃO PAULO