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Diretor do Hospital da USP diz que não vai esperar uma "tragédia"

Em razão da greve de funcionários, centro de saúde anunciou que vai restringir atendimento no pronto-socorro

Por: Julia Gouveia

Na última sexta-feira (8), a greve dos funcionários da USP adquiriu contornos ainda mais dramáticos: o Hospital Universitário anunciou que restringirá os atendimentos de urgência e emergência no pronto-socorro. Desde as 19h de ontem, os serviços do SAMU e do Corpo de Bombeiros foram avisados para não levarem pacientes socorridos para o local. Pedidos de transferência do AMA (Assistência Médica Ambulatorial) também estão sendo evitados.

 

“Não posso esperar uma tragédia para me posicionar”, afirmou José Pinhata Otoch, diretor-médico da instituição. Segundo ele, na última semana, mais funcionários aderiram à greve após terem sido feitos descontos na folha de pagamento pelos dias não trabalhados. “Com o quadro reduzido, cheguei à conclusão de que estávamos pondo os pacientes em risco”, diz.

Apesar de a equipe médica estar trabalhando normalmente, outros departamentos importantes, como enfermagem, limpeza, nutrição, laboratório clínico e radiologia, estão com as equipes reduzidas. “Das dez salas do centro cirúrgico, por exemplo, atualmente só consigo ativar uma”, afirma. Otoch garante, no entanto, que os atendimentos não foram suspensos. “Se alguém chegar, vamos atender, mas se der para evitar, melhor”, recomenda o médico.

De acordo com um técnico de enfermagem (que pediu para não ser identificado), os funcionários estão cumprindo o acordo de escala mínima. “Esse tipo de medida é um jeito de boicotar a greve”, afirma. Segundo ele, mais de 60% do pronto-socorro está fechado por causa de uma reforma – e não devido às reivindicações. Os grevistas pedem um reajuste salarial de 9,78%.

Desde o início da paralisação, em junho, houve uma diminuição de cerca de 80% dos atendimentos. Consultas e cirurgias agendadas foram desmarcadas. Localizado na Cidade Universitária, no Butantã, o hospital recebe cerca de 8 000 pacientes por mês e faz mais de 400 cirurgias mensais.

Fonte: VEJA SÃO PAULO