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Galeria Ouro Fino recebe inquilinos modernos após reforma

Dez novos estabelecimentos ocupam terceiro andar do pavimento

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Virou caso de polícia a mudança, nas últimas semanas, de dez novos inquilinos para o terceiro pavimento da Galeria Ouro Fino, na Rua Augusta. Informado por uma denúncia anônima de que o espaço abrigaria um cassino, um policial foi até lá apurar os fatos. "Ele chegou aqui e viu que de jogo só havia uma mesa de bilhar", conta o diretor de filmes publicitários Sergio Cuevas, que, juntamente com o também diretor Homero Olivetto, seu sócio na produtora Ouro21, lidera a ocupação do piso, alugado e sublocado pela dupla. Cuevas explicou ao investigador que a mesa de sinuca foi colocada no centro do lugar para uso de funcionários e clientes. "Ela precisou ser desmontada para chegar até aqui, numa operação que chamou a atenção de muita gente." De fato, a reforma do último andar da galeria, iniciada em fevereiro, rendeu curiosidade e blablablá entre lojistas e freqüentadores da Ouro Fino. Ninguém conseguia entender direito o que seria a Laje – nome dado ao grupo de escritórios instalados no topo do edifício e com inauguração prevista para a última quinta-feira (28). São todas empresas descoladas e moderninhas. Afinal, de que outra forma definir uma "agência de tendências de web e Second Life" chamada Gruda em Mim que o Boi Não Te Lambe? Ou uma galeria de arte, a Cubículo, especializada em stickers (obras de arte adesivas)?

A exemplo de Homero Olivetto, filho do publicitário Washington Olivetto, há entre os novos inquilinos uma série de nomes conhecidos, como a diretora de arte Flávia Soares (sócia da Cubículo e ex-mulher do apresentador Jô Soares), o empresário Beto Lago, do Mercado Mundo Mix, e a produtora executiva Biba Berjeaut, da Ôlôko Records, neta do empresário e bibliófilo José Mindlin. Já familiarizados com os autodenominados "lajeanos", os inquilinos mais antigos da Ouro Fino comemoram a chegada dos novos vizinhos. Com 101 lojas, a galeria tem no momento 20% delas vazias. Incômodas placas de aluga-se são vistas por todos os lados. Nos últimos dois anos o endereço vem perdendo marcas de peso do segmento alternativo, como A Mulher do Padre (AMP), a Slam – ambas abriram as portas lá em 1997 – e a Theodora. "A falta de manutenção do prédio acabou nos expulsando", conta a vendedora da AMP Vanessa Monteiro. "O encanamento estava em péssimo estado e levava o mau cheiro do esgoto para dentro da nossa loja." E tem mais. Vanessa diz que várias vezes passou pelo constrangimento de levantar sapatos e mostrar aos clientes a disparada de uma barata. Depois de trabalhar durante meses sob o efeito de poderosos incensos, ela há dois anos respira livremente na nova AMP, que hoje funciona na esquina das ruas Oscar Freire e Augusta.

Com suas 101 lojas distribuídas entre 54 proprietários, a Ouro Fino é administrada pela síndica Mônica da Silva, que tem dois pontos-de-venda ali, e por um conselho formado por outros quatro proprietários. "Os negócios vão muito bem", garante ela. "As placas de aluga-se têm se espalhado porque alguns donos, muito idosos, são pouco atuantes." O aluguel mensal na galeria varia de 1 500 a 3 500 reais. Esse valor, considerado alto, seria a causa da debandada no subsolo, onde há nove lojas fechadas. "Estou quase sozinha neste andar", diz a dona do brechó Passado Presente, Magali Camargo, inquilina há vinte anos. Com a Laje, porém, a Ouro Fino espera voltar a seus melhores dias.

Os novos ocupantes da Ouro Fino

Com dez empresas, o coletivo Laje propõe a parceria entre seus integrantes

Ouro21

Produtora de cinema publicitário

Cria.Lab

Agência de eventos e conteúdos multimídia

Salacadula

Escritório de jornalismo e ateliê de bordados

Cubículo

Galeria especializada em stickers (arte em adesivos)

Gruda em Mim que o Boi Não Te Lambe

Agência de tendências de web e Second Life

Ôlôko Records

Gravadora indie

Mercado Mundo Mix

Escritório de produção do evento

Atelier 5inco

Escritório e consultoria de moda, imagem e estilo

M. Butterfly

Loja e showroom de marcas de moda

Atelier de Francisca Botelho

Oficina e loja da designer de jóias

Fonte: VEJA SÃO PAULO