Protestos

"Levei soco, joelhada e chute", diz ativista preso em manifestação

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Fábio Hideki Harano conta como foram seus dias na prisão

Por: Redação VEJASÃOPAULO.com - Atualizado em

Preso durante uma manifestação na Avenida Paulista no dia 23 de junho, o estudante e funcionário da USP Fábio Hideki Harano, de 27 anos, foi solto no último dia 7 após 45 dias na cadeia. A libertação ocorreu porque um laudo do Instituto de Criminalística mostrou que ele e o professor Rafael Lusvarghi, detido na mesma ocasião, não carregavam explosivos na mochila - esse era o principal argumento da Justiça para mantê-los atrás das grades.

Em entrevista para a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, Harano conta que sofreu agressões por parte da polícia e se sentiu mais seguro na prisão do que no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). "Um policial, que eu sei reconhecer, me deu um soco, joelhada e chute na barriga. Vi estrelas. Ele me jogou no chão: 'Aqui é o Deic, p.! Quem manda aqui é nóis'. Tiraram fotos minhas com seus celulares, como se tivessem um álbum de bandidos. Reviraram minha mochila", disse. 

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Os pais do estudante, que também participaram da conversa, contam que ele já era frequentador assíduo de manifestações - foi detido em um protesto na USP em 2011 e, dois anos antes, quase foi preso durante a Marcha da Maconha. Quem o salvou foi o deputado federal Paulo Teixeira (PT), de quem guarda o telefone em uma lista de contatos que levava no dia da prisão. "Eu sempre carrego telefones de advogados. Eles (os policiais) riram. 'Nossa, lista de advogados, é bandido mesmo'". Harano diz que em momento algum entrou em pânico, mas chegou a pensar que passaria o Natal na prisão. 

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O estudante afirma que já estava na mira da polícia naquele 23 de junho. "Inclusive um policial me falou: 'Você me f., japonês. Eu queria ver o jogo do Brasil e recebi ordens de te seguir a tarde toda e de te prender depois'. Eu tava marcado". 

Harano ainda vai responder processo por associação criminosa, incitação ao crime e desobediência. 

Manifestantes divulgaram nas redes sociais o vídeo da prisão. Confira:

 

 

 

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO