Educação

Escola Municipal de Música: Celeiro de músicos eruditos

Escola que formou os regentes Roberto Minczuk e Naomi Munakata abre inscrição para seus cursos gratuitos

Por: João Batista Jr - Atualizado em

Enquanto a maior parte dos adolescentes se prepara para prestar no próximo fim de semana a prova do Enem, que soma pontos para os principais vestibulares do país, um grupo mais restrito conta os dias para outro teste. Entre 5 e 9 de outubro, a Escola Municipal de Música (EMM) abre a inscrição anual para os seus cursos gratuitos. Entre os interessados, jovens dispostos a seguir carreira na música erudita. Eles disputarão vagas em uma das vinte disciplinas disponíveis atualmente — vão de saxofone (com cinco anos de duração) a harpa e piano (com doze anos). Duas novas turmas começarão no ano que vem, as de regência orquestral e composição. “Não se exige idade mínima ou um currículo específico”, diz o diretor Henrique Gregori. A escola tem capacidade para 800 alunos, sendo que, em média, 200 ingressam a cada ano.

Criada pelo prefeito Faria Lima em 1969, a EMM nasceu inspirada nos conservatórios europeus. Sob os cuidados do maestro Olivier Toni, as aulas contemplam todos os naipes que compõem uma sinfônica: cordas, madeiras, metais e percussão. Ensina-se também canto, violão e instrumentos de música barroca, como cravo e teorba. O curso de piano, que ironicamente necessita apenas de um músico por orquestra, é o que tem maior demanda. No ano passado, a relação foi de dezesseis candidatos por vaga — o que o torna mais competitivo que os cursos de veterinária (13,19), enfermagem (12,56) e odontologia (8,26), entre outros, do concurso da Fuvest. Com dois concorrentes por vaga, harpa e cravo são os menos procurados. “É que esses instrumentos são caros”, afirma Aída Machado, coordenadora das aulas teóricas e integrante do corpo de conselheiros da escola. “Como custam em média 35 000 reais, poucos alunos poderiam tê-los em casa para praticar.”

O processo de seleção é composto de duas fases. Na primeira, que vale três pontos, está em jogo o refinamento auditivo dos concorrentes. Eles respondem, por exemplo, quantos instrumentos tocam em determinado trecho de uma música. A segunda fase é prática e vale sete pontos. Nela, o candidato deve tocar ou cantar. A lista de aprovados sai na última semana de fevereiro. Os estudantes passam três dias por semana na escola, tanto para as aulas individuais quanto para as classes de música de câmara ou ensaios de orquestra. “Minha vida é adaptada de acordo com o programa daqui”, conta Pedro Ribeiro, de 16 anos, aluno de flauta doce e transversal. “Estudo bastante, pois meu sonho é cursar música barroca na Holanda.” Alec Fukuda, de 13 anos, estuda violoncelo. É filho do professor Ricardo Fukuda, integrante da Orquestra Sinfônica Municipal. “Por isso, para mim o rigor é ainda maior.”

Os alunos da EMM — que formou os regentes Roberto Minczuk, diretor artístico da Orquestra Sinfônica Brasileira, e Naomi Munakata, responsável pelo Coro da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) — podem disputar uma vaga na Orquestra Sinfônica Jovem, reativada pela prefeitura no ano passado. Localizada em um casarão antigo no bairro do Paraíso, a escola vai se mudar para a Praça das Artes, no centro, prevista para 2012. Integrante do grupo de entidades administradas pelo Teatro Municipal, ela tem um orçamento anual de 3,3 milhões de reais — o que corresponde a 6,6% dos 50 milhões de reais destinados ao teatro. “Essa mudança pretende dar mais espaço aos alunos e integrá-los ao nosso corpo de dança e de músicos”, afirma Carlos Augusto Calil, secretário municipal de Cultura.

Fonte: VEJA SÃO PAULO