Serviço

Empresa de valet contrata modelos

Clientes pensam que novas funcionárias fazem parte de pegadinha

Por: Fabio Brisolla - Atualizado em

Os olhos azuis de Simone Siwek, de 27 anos, estão atentos ao carro importado que se aproxima na Rua Amauri, no Itaim Bibi. Simone tem cabelos castanhos, 1,60 metro, veste calça jeans justa, tênis e blusa branca com os dois primeiros botões abertos. Quando o automóvel pára em frente ao restaurante Santi, ela se dirige ao motorista com um sorriso de aeromoça, assume o volante e acelera. Comissária de bordo, Simone faz alguns trabalhos como modelo em seu tempo livre e, recentemente, descobriu uma nova função. Ela é uma das 100 mulheres contratadas pela empresa de valet GR Park. Há seis meses, o empresário Rodrigo Buschinelli formou uma equipe feminina de manobristas para festas e outras ocasiões especiais.

"Selecionamos garotas bonitas e, no mínimo, com dois anos de habilitação", afirma Buschinelli. É preciso ainda ter intimidade com carros automáticos e passar por avaliação técnica. "Fazemos um teste de direção para checar a capacidade no trânsito e também o desempenho nas balizas", diz Giuliano Gandolfi, sócio da empresa. Uma modelo ganha como manobrista 150 reais por dia, três vezes mais que um marmanjo. A loura Heline Pinheiro, de 32 anos, frisa que "dirige muito bem", mas alguns motoristas custam a acreditar. Certa vez, um deles cismou que estava em uma pegadinha. "Ele ficou rindo, procurando pelas câmeras e perguntando o nome do programa", lembra Heline. A preocupação é visível, principalmente entre os clientes do sexo masculino. "Quando deixam o veículo, esperam para ver se conseguimos arrancar", conta Juliana Lima, de 23 anos. Apenas 45 mulheres, menos da metade do cadastro da empresa, estão credenciadas a dirigir. As outras auxiliam na recepção. E, antes de estacionar na vaga, todas entregam os automóveis a manobristas homens contratados para os bastidores da operação. "Não usamos a mão-de-obra feminina nesse caso porque elas ainda não têm a experiência necessária", afirma Gandolfi.

Fonte: VEJA SÃO PAULO