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Quais as prioridades para reverter a insatisfação com a rede pública?

Confira as respostas de Geraldo Alckmin (PSDB), Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT) para a pergunta do professor da Faculdade de Medicina da USP, Miguel Srougi, sobre saúde

Por: Sérgio Ruiz Luz, Mauricio Xavier e Alexandre Nobeschi

Hospital das Clínicas
Setor de neurologia do Hospital das Clínicas: pacientes no corredor (Foto: Jefferson Coppola/Folhapress)

Geraldo Alckmin: A principal questão nacional nessa área é a falta de financiamento. Aqui em São Paulo estamos aumentando os recursos, empregando quase 13% do nosso orçamento no setor. Entre as prioridades para a utilização desses recursos está a ampliação da rede. Fazemos isso no momento em projetos como o Instituto do Câncer em Osasco. No campo do tratamento para dependentes químicos, tínhamos 500 leitos no estado. Aumentamos esse número para 3 000. Para os próximos anos, entre outras coisas, vamos transformar o Hospital Panamericano, na Vila Madalena, que foi comprado pelo governo, num centro de ponta no país na área de traumatologia. São Paulo é uma referência na saúde. Casos muito graves de outros estados vêm para cá em busca de atendimento. E todos são atendidos.

Paulo Skaf: O problema principal na saúde é a gestão. O orçamento da pasta no estado para 2015 será de cerca de 20 bilhões de reais. Então é preciso administrar bem esse dinheiro. Em alguns locais faltam equipamentos e materiais básicos. Querem me convencer de que falta recurso para comprar esparadrapo, agulha e seringa? Não, é só erro de gestão. Um dia desses, fui visitar o Hospital Geral Vila Penteado, na Zona Norte, e no fim de semana não havia nenhum médico por lá. Quem tocava o trabalho eram as enfermeiras. Como prioridade, vou construir dez hospitais e 52 ambulatórios de especialidades, além de clínicas móveis, para atender a bairros mais carentes e cidades com população menor. Também criarei uma espécie de prontuário eletrônico, um cadastro único para os pacientes.

Alexandre Padilha: São Paulo não investe o suficiente. No meu governo será proibido usar a expressão gasto para educação, para saúde e para políticas sociais. Para mim, isso é investimento no ser humano, no cuidado tanto na prevenção quanto no tratamento e reabilitação da saúde do nosso povo. Farei um orçamento crescente na saúde e passarei a colocar recursos no Samu, nas UPAs 24 horas e no apoio à atenção básica nos municípios. É um absurdo que o estado não aplique 1 real no Samu nem nas UPAs, deixando todo o custo para os municípios e para o governo federal. Minha conduta na área da saúde será usar ao máximo a capacidade de leitos dos nossos hospitais, algo que o atual governador, Geraldo Alckmin, não vem fazendo. Ele fechou prontos-socorros, reduziu leitos e cirurgias.

Fonte: VEJA SÃO PAULO