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Detran ainda tem problemas com a burocracia

Após cinquenta anos no Ibirapuera, Detran descentraliza atendimento

Por: Giovana Romani - Atualizado em

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Unidade do Departamento Estadual de Trânsito aberta dia 14 na Avenida do Estado: circulação de 8 000 pessoas (Foto: Fernando Moraes)

Inaugurado em 1954, o edifício localizado no número 1301 da Avenida Pedro Álvares Cabral, no Ibirapuera, foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer para abrigar o Pavilhão da Agricultura. Cinco anos depois, se tornaria sede do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Desde o último dia 14, porém, seus funcionários passaram a dar expediente em outros dois endereços: na Avenida do Estado, que concentra a maior parte do atendimento, e na Rua Boa Vista, onde fica a área administrativa e há a prestação de alguns poucos serviços à população, como um posto da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). ‘ Tivemos de acelerar a mudança e estamos enfrentando um fluxo superior ao esperado ’, afirma o delegado de polícia Gilson Cézar Silveira, assistente da diretoria do Detran. A transferência para a Avenida do Estado custou 8 milhões de reais. Mais 3 milhões de reais destinaram-se à compra de novos equipamentos.

O edifício do Ibirapuera, que será ocupado pelo Museu de Arte Contemporânea (veja quadro), tem nove andares e 21 000 metros quadrados. Apesar do terreno da Avenida do Estado somar 54 000 metros quadrados de área, apenas um prédio de 4 500 metros quadrados está em operação. ‘ No ano que vem, pretendemos construir sete anexos, incluindo uma praça de alimentação ’, diz Silveira. Enquanto as melhorias não chegam, as cerca de 8 000 pessoas que passam pelo novo Detran diariamente penam para conseguir informações corretas. ‘ Peguei duas vezes a fila errada’, reclama a advogada Karina Torquato. ‘ E não achei o banheiro.’ Moradora de Perdizes, ela chegou à Avenida do Estado às 13h30 da última terça (29) para renovar sua carteira de habilitação. Só saiu de lá duas horas e meia depois — e deveria voltar no dia seguinte para buscar o documento. As aglomerações espalham-se por toda parte: no balcão de informações, na agência bancária... Há piso tátil para cegos, mas o elevador ainda não está pronto.

Aos poucos, uma infraestrutura mais adequada vai se formando no entorno. Associações e sindicatos de profissionais ligados ao setor, como os despachantes, abriram filiais de suas sedes na região. Com central na Vila Mariana, o Sindicato das Auto Moto Escolas e Centro de Formação de Condutores no Estado de São Paulo tem agora um espaço na Avenida Santos Dumont. ‘Esperávamos uma mudança com maior planejamento’, diz o presidente José Guedes Pereira. ‘ Ainda não existe, por exemplo, um lugar onde os micro-ônibus das autoescolas possam estacionar para o desembarque seguro dos alunos. ’

A descentralização deixa o público em dúvida sobre o que pode e o que não pode ser resolvido em cada unidade. Por oferecer menos serviços, a sede da Boa Vista tem movimento muito menor. Vistoria, emplacamento e lacração de veículos ainda são feitos na Avenida Doutor Dante Pazzanese, em espaço anexo à antiga sede do Ibirapuera. Vale a pena entrar no site do Detran (www.detran.sp.gov.br) para não dar com a cara na porta, como ocorreu com o tecnólogo Alan Constâncio da Silva. Na semana passada, ele fez uma peregrinação pelos três postos até conseguir a transferência da documentação de seu carro. ‘ Economizei quase 1.000 reais em despachante, mas tive muita dor de cabeça ’, conta.

Em até sessenta dias, mais um posto do Detran deve ficar pronto. Será no Shopping Interlagos, na Zona Sul. Para o fim de dezembro está previsto outro abertura, no Shopping Leste Aricanduva. ‘ Queremos estar em todas as regiões da cidade para dispersar o atendimento ’, diz Silveira. ‘ Vamos escolher ainda imóveis nas zonas Norte e Oeste. ’ A cada nova sede em funcionamento, espera-se que o movimento no posto da Avenida do Estado diminua em torno de 30%.

Fonte: VEJA SÃO PAULO