Cinema

"E Se Vivêssemos Todos Juntos?" reflete sobre a terceira idade

Segundo longa-metragem do diretor Stéphane Robelin, o drama francês apresenta um elenco afiado

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

E Se Vivêssemos Todos Juntos?
Jean, Albert, Jeanne, Annie e Claude na fita francesa: em pré-estreia (Foto: Divulgação)

Ao escolher um filme, o público tende a evitar temas baixo-astrais, a exemplo dos dramas ligados a doenças, e normalmente prefere fitas estreladas por jovens astros — não à toa, Hollywood virou um celeiro de produções pop. É incomum, por exemplo, o cinema americano abordar enredos referentes à terceira idade e, quando o faz, o tratamento pende para o humor ou o dramalhão. Ainda em cartaz na cidade, o sensível Intocáveis, merecido sucesso mundial protagonizado por um tetraplégico, contraria as expectativas. Segue essa linha o também francês E Se Vivêssemos Todos Juntos?, no qual o protagonista mais velho (Claude Rich) tem 83 anos e a mais nova (Geraldine Chaplin), 67. O longa-metragem ganha sessões de pré-estreia e seu lançamento está prometido para sexta (12).

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Na região da Grande Paris, vivem os casais Jean e Annie (Guy Bedos e Geraldine Chaplin) e Albert e Jeanne (Pierre Richard e Jane Fonda) mais o viúvo paquerador Claude (Claude Rich). Eles são amigos há décadas e, embora felizes, os sinais da idade começam a aparecer. Jeanne tem um câncer terminal, mas decidiu não contar a Albert, que já apresenta lapsos de memória. Claude, afeito a transas com garotas de programa, não possui o mesmo coração da juventude. Parte, então, de Jean e Annie, ambos com a saúde em dia, a proposta de todos morarem juntos na casa deles. Além da ajuda mútua, a vida comunitária permite a troca de experiências e um contato diário próximo. O grupo contrata um jovem alemão (Daniel Brühl) para auxiliá-los.

Para um ator idoso, deve ser um prazer imenso interpretar um ótimo personagem principal. Com gosto e rugas no rosto (exceto a esticada Jane Fonda), o elenco mostra-se afinado e com fôlego de sobra. Entre a graça e a morte iminente, o diretor e roteirista Stéphane Robelin comanda seu segundo longa-metragem sem choro nem vela. Prefere fazer um registro real da velhice oferecendo reflexões prudentes e comoções contidas.

AVALIAÇÃO ✪✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO