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Enfrentando uma nova escola

Por: Cisele Ortiz

Cisele Ortiz
Cisele Ortiz: psicóloga e coordenadora adjunta do Instituto Avisa Lá — Formação continuada de educadores (Foto: Divulgação)

Muitas famílias, nesta época do ano, já decidiram mudar seus filhos de escola. Sejam quais foram as razões, as crianças e os jovens podem vivenciar um período de insegurança e ansiedade. Digo podem porque não é uma regra absoluta. Cada pessoa é de um jeito e reage de forma diferente a uma mesma situação em razão das experiências que já viveu.

Espere passar as festas de fim de ano, curta as férias com os filhos e depois comece a ajudá-los a se preparar para a nova escola.

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(Foto: Veja São Paulo)

É sempre importante conversar, pois as palavras ajudam a dar um contorno às questões internas que nem sempre podem ser elaboradas de forma solitária. Como essa conversa será conduzida, depende evidentemente da idade da criança ou do jovem.

Em qualquer idade podemos nos ressentir por perder os amigos ou os professores queridos e pelo estranhamento do espaço, das rotinas e das normas específicas. Pode haver choro e tristeza. O acompanhamento de pais, professores e coordenadores é fundamental nesse momento. A ansiedade pode se manifestar de várias formas. Observe seu filho, veja se ele está se comportando da maneira como faz normalmente. Algumas crianças pequenas podem regredir no que já haviam conquistado: voltar a fazer xixi na cama, roer unhas e fazer birras. Aí a continência afetiva é necessária. Adolescentes podem exagerar na sua dose de rebeldia, o que exige segurança e sustentação por parte dos familiares.

Um dos aspectos mais difíceis, ou talvez o mais difícil, se refere às amizades. As crianças maiores que já estabeleceram laços de amizade podem ficar muito tristes e deprimidas, com a sensação de que o mundo vai acabar. É bom conversar com elas e estabelecer um princípio de realidade: quem é realmente amigo?, quem é colega?, quais amizades quer mesmo manter? Puxe pela memória e relembre como aquela amizade se deu. Ajude a criança a perceber que a amizade se constrói na convivência e também na disponibilidade de investimento pessoal na manutenção desse vínculo. Assegure a ela que pode telefonar, compartilhar coisas interessantes da construção de novas amizades que se formarão e também da própria escola. Se puder, garanta que as crianças se visitarão. Faça com a criança uma agenda com o endereço completo e o telefone dos amigos, incentive-a a mandar um cartão de vez em quando e ensine-a como as amizades se constroem e são preservadas.

Sobre a nova escola podemos pensar em diferentes estratégias para ajudá-los neste período a se aproximar dela. Seguem algumas sugestões:

1. Converse sobre a nova escola, procure saber o nome da professora. No caso da Educação Infantil ela será a principal referência da criança.

2. Instrua seu filho a procurar ajuda, sempre que precisar: professores ou coordenadora pedagógica. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Afinal, todos precisam de colaboração para poder se integrar.

3. Se tiver formulários ou fôlderes da escola, releia-os com as crianças, relembre as razões da escolha e ressalte os aspectos positivos que mais chamam atenção. Evite falar o que desconhece para não criar falsas expectativas.

4. Se a criança for passar da fase de professor polivalente para a de diversos professores de várias disciplinas, ela precisará de mais ajuda ainda, quanto a horários, agenda, materiais, cadernos específicos e, quando as aulas começarem, às tarefas de casa de cada matéria.

Na escola, conhecer os diferentes ambientes, as pessoas com as quais a criança vai conviver e a divisão de salas também ajuda. Mais perto do início das aulas, vá organizando as coisas, monte o cardápio do lanche, leve-a às compras de material escolar. Combine como será a nova rotina e planeje fazer alguma coisa juntos na volta da escola.

Se a criança estiver na Educação Infantil e quiser levar um objeto de casa para a escola, deixe. Pode ser importante para ela durante o período de adaptação. Chupetas, paninhos ou brinquedos prediletos auxiliam no processo de separação por criar um campo de transição entre a casa e a escola.

A família precisa ter um pouco de paciência e suportar momentos de resistência ou contraposição até que novos vínculos sejam formados e a adaptação realmente aconteça.

 

Cisele Ortiz é psicóloga e coordenadora adjunta do Instituto Avisa Lá — Formação continuada de educadores

Fonte: VEJA SÃO PAULO