Tradição

Corinthians completa 104 anos com festa no Parque São Jorge

Evento conta com corrida pelas ruas da cidade e desfile no ginásio do clube

Por: VEJA SÃO PAULO - Atualizado em

Arena Corinthians
Arena Corinthians, em Itaquera, Zona Leste da capital: uma das grandes conquistas do clube (Foto: Joel Solav/Folhapress)

Com uma das maiores e mais fanáticas torcidas do Brasil, somando mais de 27 milhões de apaixonados, o Corinthians completa 104 anos de história nesta segunda-feira (1). Na luta por mais um título brasileiro e com um estádio moderno que foi um dos palcos da Copa do Mundo do Brasil, o clube preparou uma programação especial para o próximo sábado (6).

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Evento tradicional que acontece desde 1990, a tocha com o “fogo simbólico” será acessa em frente ao Museu do Ipiranga às 18h30. De lá, os atletas da equipe de caminhada e corrida do Corinthians percorrerão cerca de 13 quilômetros pelas ruas da cidade até o Parque São Jorge.

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Já às 19h10, começa no ginásio do clube o desfile dos 66 departamentos desportivos. Este ano, os grupos apresentarão uma linha cronológica dos fatos importantes do Corinthians, como a fundação e o primeiro título do clube, que foi no atletismo.

O Parque São Jorge contará também com uma praça de alimentação, com comidinhas e apresentações musicais. A festa terminará com um show pirotécnico. A queima de fogos terá cerca de quinze minutos de duração.

No dia 14 de setembro, os associados com cinquenta anos de contribuição participam de um café da manhã, a partir das 10h, no Parque São Jorge.

História

Em 1910, a cidade de São Paulo tinha exatos 375 439 habitantes, dos quais praticamente um terço eram operários. Pintores de parede, como Joaquim Ambrósio e Antonio Pereira. Sapateiros, como Raphael Perrone. Cocheiros, como Anselmo Correa. Trabalhadores braçais, como Carlos Silva. Esses cinco amigos do Bom Retiro, bairro tão operário quanto eles, resolveram fundar um novo time de futebol, inicialmente para jogar na várzea.

Campeonatos, naquela época, eram coisa para “grã-finos”, como os alemães do Germânia, os ingleses do São Paulo Athletic ou os estudantes do Paulistano. Esses clubes disputavam seus jogos no Parque Antarctica ou no Velódromo (localizado onde hoje fica a confluência das ruas Nestor Pestana e da Consolação).

A história oficial do Corinthians fala de um encontro à luz de um lampião, eternizado em uma placa de bronze na entrada do Parque São Jorge: “1º de setembro de 1910. 20h30. À Rua José Paulino, esquina da Rua Cônego Martins, reúnem-se Anselmo Correa, Antonio Pereira, Carlos Silva, Joaquim Ambrósio, Raphael Perrone. E nasce o Sport Club Corinthians Paulista”.

Mais oito pessoas contribuíram com 20 000 réis e também foram consideradas sócias-fundadoras: Alexandre Magnani (fundidor), Miguel Bataglia (fiscal da Light), Antônio Nunes (alfaiate), César Nunes (pintor de paredes), Salvador Lopomo (macarroneiro), Antonio Vizzone, Emilio Lotito e Jorge Campbell (esses três viriam a abrir uma confeitaria com Magnani). Por falta de papel, a primeira ata teria sido registrada no alto de uma palheta, emprestada por um 14º personagem, João Murino, torneiro da companhia ferroviária São Paulo Railway e considerado o dândi daquele grupo. O primeiro presidente foi Miguel Bataglia, que depois de quinze dias pediu licença e se mudou para Piracicaba. Assumiu então Alexandre Magnani, que ficou no cargo até 1914.

Mas de onde veio o nome “Corinthians”? Tratava-se de uma homenagem ao Corinthian Team, da Inglaterra (assim mesmo, sem o “s”, pois “corinthians” eram originalmente seus jogadores, que aqui acabariam traduzidos como “corintianos”). Foi o primeiro clube europeu a excursionar pelo Brasil — e barbarizou com os times daqui.

Fonte: VEJA SÃO PAULO