Histórias que se cruzam

Diretores de Curitiba unem forças no drama "Circular"

A fita demonstra o talento e a viralidade de cinco jovens que se conheceram na faculdade de cinema

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

Circular
'Circular': drama paranaense lembra o mexicano 'Amores Brutos' (Foto: Divulgação)

O cenário cinematográfico brasileiro hoje se divide, basicamente, entre comédias populares de muito sucesso (na linha de E Aí, Comeu?) e produções alternativas que não resistem sequer um mês em cartaz por falta de público. O drama Circular encaixa-se no segundo grupo. Mas, ao contrário de trabalhos pedantes e pretensiosos, a exemplo do recente Ponto Org, a fita, que estreia apenas no Frei Caneca Espaço Itaú de Cinema, demonstra vitalidade e revela o talento de cinco jovens diretores de Curitiba. Adriano Esturilho, Aly Muritiba, Bruno de Oliveira, Diego Florentino e Fábio Allon se conheceram na faculdade de cinema e uniram forças para o projeto de um longa. A proposta: cada um escreveria seu roteiro e dirigiria seu próprio curta. Para dar liga, as cinco histórias foram costuradas em um enredo plausível.

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Carlos (papel do ator uruguaio César Troncoso) tenta negociar o resgate de seu filho sequestrado e, ao entrar num ônibus, saca uma arma ao ver o criminoso e a vítima. Corta! Pastor evangélico, Samuel (Marcel Szymanski) torna-se alvo de chacotas em seu humilde bairro depois de trocar as baladas pela Bíblia. Corta! Três punks da banda Gengivas Podres, prestes a iniciar uma nova turnê, não sabem qual rumo tomar. Corta! Na mais artificial das tramas, Letícia Sabatella, em um tom teatral, interpreta uma arrogante artista plástica aconselhada por sua médica a abortar. Todos ospersonagens vão entrar no ônibus, cujo cobrador também tem sua trajetória lembrada. Corta! Além de viver uma relação desgastada com a mulher, Lourival (Santos Chagas) extravasa o tedioso cotidiano participando de lutas de boxe clandestinas.

Circular lembra Amores Brutos, filme mexicano em três partes sobre pessoas envolvidas num acidente de carro — a fórmula, já repetida várias vezes, portanto, não é nova. Embora imperfeito, sobretudo pela falta de um desfecho consistente, o trabalho do quinteto curitibano traz o frescor de cineastas estreantes aliado a um desempenho semelhante ao dos bons realizadores experientes.

AVALIAÇÃO: ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO