Cinema

Estreiam dois ótimos filmes indicados ao Oscar

O Regresso deve premiar Leonardo DiCaprio e Filho de Saul tem tudo para receber o troféu de produção estrangeira 

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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As melhores estreias da semana podem não combinar com o clima de Carnaval, mas, certamente, são filmes obrigatórios, sobretudo para quem dá preferência para ver os longas-metragens no cinema. 

O Regresso, que tem doze indicações ao Oscar, traz Leonardo DiCaprio, favorito para o prêmio de melhor ator, como um caçador de peles em busca de vingança numa terra tomada pelo gelo. 

O filme que Leonardo DiCaprio fez, se arrependeu e proibiu nos Estados Unidos

Igualmente imperdível é Filho de Saul, produção húngara e favorita ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Trata-se de uma imersão única e angustiante num campo de concentração durante a II Guerra, sob o ponto de vista do protagonista, o judeu Saul.

Algo mais leve pode ser encontrado na comédia Tangerine, sobre duas amigas transexuais que se prostituem nas ruas de Hollywood.

Injusto! Vinte (ótimos) atores que nunca receberam o Oscar

  • Com o iminente dilúvio, Noé sumiu, mas deixou o leão encarregado de liberar (ou não) a entrada dos bichos na arca. Chegam pares de elefantes, girafas, gorilas... Porém Dave e seu filho, simpáticos nestrians (algo como tamanduás coloridos em escala menor), são proibidos de subir. O jeito é se disfarçarem de grymp (espécie de raposa antipática e antissocial) para seguir viagem. Será que o plano vai dar certo? Fartamente colorida, a animação Epa! Cadê o Noé? tem bons momentos de humor, mas faz a linha “tudo se copia” ao emular o enredo de Procurando Nemo. Estreou em 4/2/2016.
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  • Romance / Drama

    A Escolha
    Sem avaliação
    Nicholas Sparks, autor de Noites de Tormenta e Um Homem de Sorte, entre outros livros, tem mais um romance adaptado para o cinema. Desta vez, a história gira em torno de Gabby Holland (Teresa Palmer) e Travis Parker (Benjamin Walker). Eles são vizinhos numa cidade litorânea da Carolina do Norte e se apaixonam. Durante uma década, o casal terá o amor testado em diversas circunstâncias. Estreou em 4/2/016.
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  • O drama, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, faz uma incursão singular e inédita por um campo de concentração na II Guerra. Não, não se trata de um documentário, embora o diretor, László Nemes, queira jogar o espectador em um registro realista do Holocausto. O prisioneiro Saul (papel de Géza Röhrig) tem uma função, no mínimo ingrata, em Auschwitz. A fim de escapar da morte imediata, ele “trabalha” para os nazistas levando judeus para a câmara de gás. Ao retirar os corpos, encontra um menino a quem julga ser seu filho. O objetivo dele, daí em diante, vira uma obstinação: Saul quer encontrar um rabino para recitar o Kadish e enterrar o garoto. Nemes, de 38 anos, obtém um trabalho estupendo em sua estreia no longa: usa uma câmera praticamente colada no protagonista, formato de tela quadrado (para dar sensação claustrofóbica), arrepiantes planos-sequência e sons da agonia e do desespero — tudo para deixar a plateia sem fôlego, incomodada e perplexa. Estreou em 4/2/2016.
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  • O mexicano Alejandro G. Iñárritu ganhou duas vezes o Oscar de melhor direção em anos consecutivos e... fez história (!). No comando, em 2015, do excepcional Birdman, voltou à corrida e faturou mais dois prêmios para seu vistoso filme: melhor ator (Leonardo DiCaprio) e melhor fotografia (mais um estupendo trabalho de Emmanuel Lubezki). Com planos-sequência de tirar o fôlego e luz natural nas filmagens de locações inóspitas (no Canadá e na Patagônia), a trama, simples porém de pesada carga emocional, tem fundo verídico. Hugh Glass (DiCaprio), um caçador de peles no Missouri de 1823, acompanhado do filho (Forrest Goodluck), guia seu grupo por locais gélidos quando é atacado por uma fêmea de urso. Ele sobrevive a duras penas, mas tem seu corpo retalhado. Atenção: a sequência, desde já memorável, ganha uma impressionante dose de realismo e violência. Seus colegas não acreditam em sua recuperação e dois deles (papéis de Tom Hardy e Will Poulter) ficam incumbidos de esperar que ele morra. Segue-se, então, uma história de traição, vingança e, sobretudo, uma desesperadora luta pela vida como raras vezes o cinema mostrou com tanta crueldade. DiCaprio fala pouco, e sua atuação vem do formidável vigor físico. Estreou em 4/2/2016.
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  • Baseado no livro de Irène Némirovsky (1903-1942), judia ucraniana radicada em Paris desde a juventude, Suíte Francesa traz à tona um romance à moda antiga (em todos os sentidos) cujo destaque fica para o trio de protagonistas. A história, ambientada durante a II Guerra, mostra como os franceses do interior reagiram à chegada dos nazistas, após a Alemanha invadir a capital. Entre os oficiais que aportam em um vilarejo está o tenente Bruno von Falk (Matthias Schoenaerts). Ele se instala na residência de Madame Angellier (Kristin Scott Thomas), uma senhora desgostosa por seu filho ter partido para os combates e que trata sua nora, Lucile (Michelle Williams), com descaso e severidade. A jovem nota a sensibilidade do “hóspede”, que gosta de música clássica e toca piano. A aproximação entre eles vai gerar um desconforto geral. Falado em inglês (motivo de um estranhamento), o filme se sustenta em requintada produção de época e, mesmo usando um tema desgastado no cinema, consegue surpreender com certa originalidade. Estreou em 4/2/2016.
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  • Comédia

    Tangerine
    VejaSP
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    Sin-Dee (Kitana Kiki Rodriguez), transexual e prostituta, retorna às ruas de Los Angeles após quase um mês na prisão. O caldo entorna quando sua amiga Alexandra (Mya Taylor) revela que Chester (James Ransone), cafetão e namorado de Sin-Dee, está de caso com uma loira. Na comédia Tangerine, o diretor Sean Baker capta, com a câmera de um smartphone, as dores e os amores de personagens marginalizados. Trata-se de um feito técnico, sobretudo pela qualidade da fotografia nas cenas noturnas. Expondo o lado B de Hollywood em uma véspera de Natal, o cineasta põe o glamour para escanteio e foca, com um toque de melancolia, a vida de amigas solidárias (e não menos carentes) em busca de mudanças ou apenas de um lugar ao sol. Estreou em 4/2/2016.
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  • Dono de uma das filmografas mais importantes dos anos 70 e 80 (vide os clássicos Taxi Driver, O Poderoso Chefão II e Touro Indomável), Robert De Niro já fez besteiras como Profissão de Risco e Temporada de Caça. Mas talvez seu mais desastroso trabalho esteja na comédia Tirando o Atraso, que, embora tenha dois ou três momentos de humor perspicaz, confunde o tom politicamente incorreto com vergonhosas baixarias. Em uma trama machista, preconceituosa e de apelos sexuais, De Niro entra na história como o “vovô safado” do título original. Após o enterro da esposa, o “velhinho” pede ao neto, Jason (Zac Efron), para levá-lo de carro à sua casa na Flórida. Advogado careta, o rapaz vai casar dali alguns dias e não tem afinidade com o avô. Um desvio no caminho os deixa nas praias de Daytona Beach, palco de mulheres insinuantes, bebedeiras homéricas e competições alucinantes. Enquanto o personagem de Efron exibe o corpo sarado e deixa de lado a timidez fumando crack, De Niro se presta a atuar em cenas patéticas na tentativa de conquistar uma universitária assanhada. Isso não é papel — é papelão (!). Estreou em 4/2/2016.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO