Cinema

'À Beira-Mar' e 'No Coração do Mar' são os destaques

Drama dirigido por Angelina Jolie e aventura com Chris Hemsworth estão entre as dezesseis estreias

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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Angelina Jolie e Brad Pitt se reencontram nas telas dez anos depois de Sr. & Sra. Smith, agora no drama À Beira-Mar, dirigido por ela e estrelado pelo casal. Trata-se de uma vistosa produção de época ambientada em meados dos anos 70, flagrando a crise conjugal dos americanos Roland e Vanessa num vilarejo do litoral da França. 

Quem também merece atenção é No Coração do Mar, que narra a aventura dramática do baleeiro Essex, em 1820. Com cenas de tirar o fôlego, o longa-metragem do diretor Ron Howard (de Rush) ainda conta com uma transformação física impressionante do ator australiano Chris Hemsworth, o Thor.

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Entre as outras catorze estreias, há ainda o surpreendente suspense dramático O Presente, além do nostálgico Califórnia, segundo longa-metragem da diretora (e ex-apresentadora da MTV) Marina Person, ambientado em 1984. 

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A decepção fica por conta de Louis Garrel, o galã francês que passou por São Paulo na semana passada para divulgar Dois Irmãos, sua fraca estreia na direção.

  • Não se pode dizer que Angelina Jolie Pitt (sim, agora ela assina com o sobrenome do marido, Brad) é uma mulher medrosa. Mãe de seis filhos e engajada em ações humanitárias pelo mundo, a bela, além de atuar, virou diretora de ficções, em 2011, com Na Terra de Amor e Ódio. Apenas um ano separa Invencível, seu segundo longa-metragem atrás das câmeras, do novo À Beira-Mar. Angelina também escreveu o roteiro e pegou o papel principal, mas deu a seu marido espaço para brilhar mais. A história, ambientada no início da década de 70, se passa num vilarejo litorâneo do sul da França (as filmagens, porém, foram em Malta) e mostra o desgaste do casamento dos americanos Roland (Brad Pitt) e Vanessa (Angelina). Eles pouco se falam. Hospedados num deslumbrante hotel à beira-mar, buscam “passatempos” opostos. Enquanto o escritor Roland prefere encher a cara e recolher histórias para seu novo livro na companhia de um velho barman (Niels Arestrup), Vanessa faz raras caminhadas e se entrega ao ócio e às pílulas para depressão. Os dois atravessam uma má fase após catorze anos juntos. Pode dar certa esperança a Roland e Vanessa a chegada ao local dos franceses Lea (Mélanie Laurent) e François (Melvil Poupaud), jovens, recém-casados e com o fogo da paixão em alta. Angelina se amparou em técnicos de primeira linha, entre eles Gabriel Yared (de O Paciente Inglês), autor da trilha sonora, e Christian Berger, diretor de fotografia de A Fita Branca. É difícil encontrar algum deslize na fabulosa recriação de época. A trama, embora termine de forma previsível, tem bons (e ousados) achados, como o voyeurismo a que se entregam os protagonistas. Contudo, o registro da intimidade de personagens sofridos carece de emoção. Em narrativa fria (quase gélida), Angelina conduz o drama abrindo mão do calor em nome da estética perfeita. Estreou em 3/12/2015.
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  • O diretor Murillo Salles (o mesmo da ficção O Fim e os Meios, também em cartaz) segue os passos de dois moradores de Samambaia, uma das cidades-satélite de Brasília. No documentário, o DJ Duda e a cantora Milka Reis têm o sonho de viver da música, mas fazem bicos para sobreviver. Estreou em 3/12/2015.
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  • Na comparação com outras comédias nacionais recentes, Bem Casados tem alguns diferenciais. Além de uma dupla de protagonistas em sintonia (Alexandre Borges e Camila Morgado), o humor encontra um bom tom no politicamente incorreto. Ponto também para o diretor Aluizio Abranches, vindo de dramas pesados como As Três Marias (2002) e Do Começo ao Fim (2009) e, aqui, à vontade para driblar o trivial com sagacidade. Na trama, o solteirão Heitor (Borges) é dono de uma produtora especializada em filmar casamentos. Sua próxima missão será gravar a cerimônia da filha (Luíza Mariani) de um senador com um playboy metido a Don Juan (papel de João Gabriel Vasconcellos). Durante o trabalho, Heitor conhece a maluquete Penélope (Camila), amante do noivo. Ao saber de sua gravidez, ele vai dar um jeito de ajudá-la a entrar, secretamente, na festa. Embora divirta no início, o filme perde o fôlego (e a graça) da metade para a frente e desaba em um desfecho chocho. Estreou em 3/12/2015.
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  • É 1984. Estela (Clara Gallo), estudante de 17 anos, deseja fazer uma viagem com Carlos (Caio Blat), seu querido tio jornalista que mora na Califórnia. Em São Paulo, a garota, virgem e tímida, sente-se atraída pelo surfistinha do colégio, mas se aproxima de JP (Caio Horowicz), um tipo de estilo gótico e esquisitão. Califórnia, segundo longa-metragem de Marina Person (o primeiro foi o documentário Person), tem como pano de fundo alguns acontecimentos daquela época, como a campanha das Diretas Já e os primeiros casos de aids. Os temas são tratados superficialmente, e há uma justificativa para isso: o roteiro ganha sempre a visão adolescente de Estela, que sente, sim, a tristeza pela doença do tio, mas também as incertezas da paixão e a insegurança da primeira transa. O peso do filme, contudo, reside no baú de memórias visuais e musicais da diretora. Dos objetos de cena (boneco do E.T., cubo mágico etc.) e da trilha sonora (Bowie, The Cure, Joy Division, New Order, Titãs), brotam um nostálgico registro de uma geração. Estreou em 3/12/2015.
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  • O cinema do americano Larry Clark sempre foi pautado no universo dos adolescentes — vide Kids (1995), Bully (2001), Ken Park (2002) e, claro, o novo O Cheiro da Gente. O realizador faz uma participação como o velho morador de rua Rockstar e flagra, em Paris, um grupo de skatistas que bate carteiras atrás do Palais de Tokyo. O foco recai, sobretudo, em dois amigos. Math (Lukas Ionesco) e JP (Hugo Behar-Thinières) vendem o corpo e encontram, em suas aventuras, velhos clientes pervertidos. Embora façam programas com gays, os garotos transam também com meninas, entre elas a estudante Marie (Diane Rouxel). Sexo (algumas vezes explícito), drogas, muito álcool e rock pesado são ingredientes constantes em um roteiro à deriva e nada convencional. Clark se põe a observar o cotidiano dessas desregradas vidas amargas com olhar de voyeur. Nos closes de corpos e genitálias, faz aflorar seu fetichismo inerente. Estreou em 3/12/2015.
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  • Cinco diretores acompanharam o curso do Rio São Francisco, desde sua nascente, em Minas Gerais, até sua foz, entre Alagoas e Sergipe. Com estilos cinematográficos distintos, os realizadores obtiveram, no documentário, um mosaico de pessoas e culturas. Estreou em 3/12/2015.
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  • Brasília e os meandros da política estão na base do novo drama do diretor de Como Nascem os Anjos (1996). Mas, embora queira revelar como funciona a máquina do poder, Murilo Salles põe na roda outra discussão, ainda mais polêmica. Na trama, Cris e Paulo (papéis de Cintia Rosa e Pedro Brício) tiveram um filho e resolveram mudar do Rio de Janeiro para Brasília. Enquanto ela trabalha como repórter, ele dá início à campanha de um veterano senador nordestino cujo genro (Marco Ricca) será seu chefe. O filme tem alguns diálogos ensaiados, mas se sustenta pelo inesperado encaminhamento dos personagens. O desfecho, contudo, decepciona. Estreou em 3/12/2015.
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  • Comédia dramática

    Dois Amigos
    VejaSP
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    O galã francês Louis Garrel estreia na direção com uma comédia dramática por vezes insuportável. Além de ter um desenrolar para lá de arrastado, um dos protagonistas (interpretado por Vincent Macaigne) é um irritante bipolar. A trama até começa bem, com a bela atriz iraniana Golshifteh Farahani saindo da prisão. No papel de Mona, ela está em liberdade provisória e trabalha na lanchonete de uma estação de trem. Vincent, apaixonado por ela, faz de tudo para ter a amada ao seu lado, mas ela esconde dele sua condenação. Para ajudar o amigo a conquistá-la, entra em cena o bonitão Abel (papel de Garrel), que, olha só, também se encanta pela moça. Falta química no trio e, convenhamos, Garrel, no papel de um vigia noturno, não convence. Estreou em 3/12/2015.
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  • Embora Charlotte Cooper (Diane Keaton) tenha o sonho de passar o feriado em paz com sua família, a realidade será outra. Os Coopers se reúnem sob o mesmo teto e a comédia tem início com as quatro gerações deixando aflorar ressentimentos das festas natalinas passadas. Com Alan Arkin, John Goodman, Ed Helms, Marisa Tomei e Amanda Seyfried. Estreou em 3/12/2015.
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  • Aventura / Drama

    No Coração do Mar
    VejaSP
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    Depois do sensacional (e pouco notado) Rush, o diretor Ron Howard, de 61 anos, mostra vitalidade invejável no comando desta aventura dramática, inspirada na história verídica que deu origem a Moby Dick. O próprio escritor do clássico literário, Herman Melville (papel de Ben Whishaw), vira personagem e, em meados do século XIX, chega a Nantucket, no Estado de Massachusetts, para tentar extrair um depoimento de Thomas Nickerson (Brendan Gleeson). Já idoso e corroído pelo álcool, além de arredio por causa das lembranças amargas, Nickerson recorda como sobreviveu ao naufrágio do baleeiro Essex, em 1820, depois do ataque de um cachalote de 30 metros de comprimento. No comando do navio estava o capitão almofadinha George Pollard (Benjamin Walker). Quem mais entendia do assunto, contudo, era o imediato Owen Chase (Chris Hemsworth). A rivalidade entre a dupla pôs em risco a tripulação quando eles se desentenderam durante uma tenebrosa tempestade. A partir daí, o enredo ganha contornos bastante dramáticos e sem concessões — o roteiro aborda, inclusive, o canibalismo em um ato de sobrevivência durante os meses em que os marujos estiveram à deriva no oceano. Majestoso em suas incursões marítimas, o longa-metragem atinge seu ápice justamente no surgimento do gigantesco cetáceo. Estreou em 3/12/2015.
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  • No documentário de Murilo Salles (diretor de Aprendi a Jogar com Você e O Fim e os Meios, também em cartaz), o personagem central também é um cineasta. Trata-se de Cícero Filho, às voltas para conseguir regravar uma cena de seu filme, Poção de Pedras, no Maranhão. Estreou em 3/12/2015.
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  • Vencedor de dez prêmios no Goya (o Oscar espanhol), incluindo melhor filme e direção, o drama policial traz dois detetives de Madri que investigam o sumiço de duas jovens, conhecidas no vilarejo onde vivem pelo comportamento liberal. Mas Juan (Javier Gutiérrez) e Pedro (Raúl Arévalo), mesmo tendo diferenças no comando do trabalho, unem as forças para encontrá- las. Quanto mais se embrenham nas buscas, mais encontram casos escabrosos que envolvem, provavelmente, um serial killer. Na linha misteriosa do seriado Twin Peaks, o longa-metragem é ambientado em 1980 e tem um personagem que fez parte do governo do ditador Francisco Franco. O derradeiro desfecho até é compreensível, mas a solução do caso frustara bastante. Estreou em 3/12/2015.
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  • Suspense / Drama

    O Presente
    VejaSP
    1 avaliação
    Ator de O Grande Gatsby e Êxodo — Deuses e Reis, o australiano Joel Edgerton estreia como diretor de um longa-metragem com um surpreendente suspense dramático. O Presente, também escrito por ele, começa como tantas outras histórias no gênero Atração Fatal. Edgerton interpreta Gordo, um sujeito solitário e taciturno que reencontra, em Los Angeles, um ex-colega de escola. Simon (Jason Bateman) saiu de Chicago para ter um empregão e uma bela mansão na Califórnia. Ele e sua mulher, Robyn (Rebecca Hall), se sentem até incomodados com as constantes visitas do novo amigo. Para se aproximar deles, Gordo se mostra extremamente prestativo, mas, por trás de tantos presentes e gentilezas, há segundas intenções. Na sucessão de reviravoltas e surpresas, a tensão de um thriller se transforma em um drama aflitivo em que as aparências enganam. Vale o aviso: prepare-se para um desfecho arrasador e polêmico. Estreou em 3/12/2015.
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  • No drama, Elizabeth (Priscilla C. Shirer) e Tony (T.C. Stallings) estão com o relacionamento em crise e, não à toa, a pequena filha deles percebe que os pais vão se divorciar. A mãe, então, segue os conselhos de uma idosa e acredita no poder da oração para reverter a situação. Estreou em 3/12/2015.
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  • Na comédia francesa, o casal Florence e Vincent Leroy (papéis de Marina Foïs e Laurent Lafitte) tem uma vida conjugal perfeita. Mas eles recebem uma boa oferta de emprego e dão início a uma disputa em casa para saber quem ficará com os filhos. Estreou em 3/12/2015.
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  • Inspirado na experiência do Instituto Baccarelli na comunidade de Heliópolis e tendo como ponto de partida a peça Acorda Brasil, do empresário Antônio Ermírio de Moraes (1928-2014), Tudo que Aprendemos Juntos é um típico filme sobre superação. Não faltam boas intenções nem há falhas na cuidadosa produção dos irmãos Caio e Fabiano Gullane. Mas, justamente pela estética certinha, com todos os detalhes previamente ajustados, o filme não transpira autenticidade, algo fundamental numa história do gênero. Lázaro Ramos, em bom desempenho, interpreta o violinista Laerte. Após perder a chance de ocupar uma vaga na Osesp, ele aceita o desafio de ser professor de música para uma turma de adolescentes na favela de Heliópolis. Os primeiros encontros são desastrosos, mas, aos poucos, o mestre consegue “domar” seus alunos. Estreou em 3/12/2015.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO