Especial

Casa Bakhita cuida de bebês que foram retirados dos pais pela Justiça

Lar transitório é o único da capital que acolhe crianças com menos de 1 ano de idade

Por: Carolina Giovanelli

Irmã Judith, da Casa Bakhita
Irmã Judith, da Casa Bakhita: vinte bebês sob seus cuidados (Foto: Fernando Moraes)

Logo na sala de entrada, os moradores mais velhos da casa brincam, enquanto o aparelho de som toca um CD de Chiquititas, a novela do SBT que retrata a rotina de um orfanato. Detalhe: os mais velhos dessa turma têm, no máximo, 1 ano de idade. Um lance de escadas acima, descansam os recém-nascidos. Um deles acabou de chegar, diretamente do hospital. Cenas como essas fazem parte da rotina da Casa Bakhita, no Belém, na Zona Leste. Fundada em 2006, a instituição funciona como um lar transitório. É o único do gênero na cidade a receber apenas bebês. Trata-se de uma residência para crianças retiradasde seus pais pela Justiça, na maioria das vezes por causa do vício em drogas ou da extrema pobreza. Parte delas vem da região da Cracolândia. Em outros casos, a mãe dá à luz, mas foge do hospital, deixando o filho desamparado ainda na maternidade. Agora os menores se veem à espera de adoção ou aguardam uma decisão da Justiça para retornar à sua família, por meio da guarda de uma avó ou de um tio.

“Alguns chegam debilitados, abaixo do peso ou doentes”, explica a irmã Judith Lupo, presidente da ONG Nossa Senhora do Bom Parto, que tem mais cinco abrigos na capital e cuida do espaço em conjunto com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social. “Já vi bebês tendo crise de abstinência, tremendo.” No período em que passam na Casa Bakhita, a segurança e o conforto dos internos estão garantidos. “Em pouco tempo aqui, a melhora é nítida”, diz a coordenadora Antônia Todeschini. São apenas vinte moradores (no máximo 22, no período de inverno), cuidados 24 horas por 32 funcionários e voluntários. Cada criança tem um álbum, assim poderá saber mais sobre suas origens quando crescer. O compilado inclui a marcação de datas simbólicas, como o primeiro banho, depoimentos e fotos. O nome do espaço homenageia a santa africana Josefina Bakhita (1869-1947), sequestrada na infância por mercadores de escravos e acolhida por um casal de italianos. Duas pinturas da mulher enfeitam a sala principal do local.

Casa Bakhita. www.bompar.org.br.

Fonte: VEJA SÃO PAULO