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Carlos Jereissati, Paulo Malzoni e outros comandandes de shoppings falam sobre o segmento

As maiores redes de shopping centers da cidade são empresas familiares. Fundadas por homens empreendedores nos últimos quarenta anos, passaram ao comando da segunda geração. A convite de Veja São Paulo, os representantes dos negócios dos clãs Baumgart, Jereissati, Auriemo e Malzoni participaram de um bate-papo sobre esse mercado que viram crescer desde criança. A seguir, o que pensam os atuais barões dos templos de consumo

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1. Gabriela Baumgart, 34 anos

Formada em direito, advogou até sete anos atrás, quando decidiu ajudar a mãe, Maria da Glória, na área de marketing do Center Norte, shopping que se integra a outros negócios da família: o Lar Center, o Expo Center Norte e o Novotel São Paulo. Apesar de oficialmente ocupar o cargo de gerente, Gabriela assume cada vez mais as operações do conglomerado familiar

2. Carlos Jereissati Filho, 36 anos

Ele recebeu o bastão da presidência da Iguatemi Empresas de Shopping Centers do pai, o empresário Carlos Jereissati, quando tinha 29 anos. Jereissati Filho liderou o processo de abertura de capital do grupo e lançou três novos empreendimentos: o Alphaville e o JK, em São Paulo, e o Iguatemi Brasília, no Distrito Federal. Todos estão em construção. O grupo controla catorze shoppings. Na capital paulista, além do Iguatemi, é dono do Market Place

3. José Auriemo Neto, 32 anos

É o idealizador e executor do Parque Cidade Jardim, o maior complexo privado em obras na América Latina, com um shopping center de 180 lojas, nove torres residenciais e quatro de escritórios. Está à frente dos negócios da família na empresa JHSF, controladora do Shopping Metrô Santa Cruz. No ano que vem, pretende inaugurar o Shopping Metrô Tucuruvi.

4. Paulo Malzoni Filho, 41 anos

Em dezembro de 2007, sua família vendeu a rede Plaza, dona dos shoppings Paulista, West Plaza e Pátio Higienópolis, ao grupo Brascan. Mas Malzoni Filho continua no comando dos negócios. Hoje, é presidente da Brascan Shopping Centers, gestora de dezoito shoppings no Brasil. Em 2009, vai lançar em São Paulo o Vila Olímpia

O futuro dos shoppings

"Há dez anos me perguntam se a cidade está saturada de centros de compras. Claro que não. A tendência são os shoppings de bairro. Cada vez menos as pessoas vão atravessar a cidade para passear em um shopping e cada vez mais elas vão parar nos shoppings em busca de serviços que resolvem seus problemas cotidianos."

Paulo Malzoni Filho

"Por causa do trânsito crescente, São Paulo necessita de centros menores espalhados pela cidade. Novos shoppings tornam-se viáveis com o desenvolvimento de novos bairros – e vice-versa. Mas é importante que cada shopping tenha a sua identidade."

José Auriemo Neto

"Minha família é pioneira no conceito de shoppings temáticos, como o Lar Center. Acredito nesse tipo de segmentação. Também aposto em formatos de conveniência com poucas lojas, chamados de shoppings de vizinhança, e em grandes complexos de escritório e centro de compras, o modelo seguido pelo Parque Cidade Jardim."

Gabriela Baumgart

"Por ser o lugar onde o paulistano se sente mais seguro e à vontade, o shopping tende a ter mais opções de lazer e de convivência para a família."

Carlos Jereissati Filho

Cláusula de raio

(Norma que consta em contrato para impedir que uma loja tenha filiais num raio que varia de 1 a 5 quilômetros)

"Existe uma razão comercial que sustenta a cláusula de raio: a parceria estabelecida entre o lojista e o dono de shopping, que recebe parte do pagamento do aluguel em porcentual sobre as vendas. Não é justo que o lojista, de maneira oportunista, lance outra loja tão próxima e desvie o faturamento. Acho válido, no entanto, discutir a extensão do raio."

Carlos Jereissati Filho

"Sou favorável ao respeito ao contrato. O shopping investe no lojista, que tem direito eterno a renovar o contrato. Isso significa que só será despejado se deixar de pagar o aluguel. A maneira correta de agir, se o lojista quer buscar uma nova oportunidade, é rescindir o contrato."

Paulo Malzoni Filho

"Sou contra. Acho que a cláusula de raio impede, na prática, o desenvolvimento de novos empreendimentos. É uma regra que vale num shopping, mas não no vizinho. Esse impedimento quebra a dinâmica natural do mercado."

José Auriemo Neto, grupo JHSF

"É um uso comercial antigo, aplicado também em franquias como o McDonald’s, segundo o qual a sobrevivência de uma loja depende da distância em relação a outra. Não aplicamos a cláusula de raio no Center Norte. Mas, se o lojista assinou o contrato, deve respeitá-lo."

Gabriela Baumgart

As lojas que eles não querem perder...

"A Tiffany, na fachada do Iguatemi. Ela simboliza o glamour da joalheria na 5ª Avenida de Nova York, o ponto comercial mais cobiçado do mundo."

Carlos Jereissati Filho

"A sorveteria Mil Frutas. É sucesso no Rio e vai abrir uma loja em São Paulo no Shopping Cidade Jardim."

José Auriemo Neto

"O Jacques Janine do Center Norte. A razão é pessoal: lá eu corto o cabelo."

Gabriela Baumgart

"A cantina Jardim de Napoli no Pátio Higienópolis. Tem a cara do bairro e está sempre cheia."

Paulo Malzoni Filho

... e as lojas que eles sonham ter

"Hermès! Sempre tem briga por novidade internacional."

José Auriemo Neto

"Uma Zara no Center Norte. Mas nos falta espaço."

Gabriela Baumgart

"Um Cinemark no West Plaza. É um conceito moderno de cinema."

Paulo Malzoni Filho

"Uma grande Livraria Cultura no Iguatemi. Eu seria freqüentador."

Carlos Jereissati Filho

Fonte: VEJA SÃO PAULO