Futebol

Onze episódios que movimentaram o Corinthians no sexto título nacional

Amuleto santo, hit de pagode e até vídeo do YouTube fizeram parte dos bastidores do Timão no caminho até o hexa brasileiro

Por: Mauricio Xavier

Taça campeão brasileiro Corinthians
A taça de campeão brasileiro entregue ao Corinthians (Foto: Daniel Kfouri)

1) Negócio da China

A rota para o troféu começou a ser pavimentada há dois anos, quando o técnico Tite deixou o Corinthians após faturar o Brasileirão 2011, a Libertadores e o Mundial de 2012 e o Paulistão 2013. Na época, ele tinha em mãos uma proposta milionária da China. “Era dez vezes mais do que eu ganhava”, lembra. O convite se estendia aos dez membros da comissão técnica, e todos queriam aceitá-lo. Apesar da pressão, ele recusou e tirou um ano sabático. Visitou clubes na Europae voltou ao Brasil para aplicar seus novos conhecimentos... no Timão.

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2) Bênção da filha

Pouco antes de Tite acertar o retorno ao Parque São Jorge, há um ano, outro dilema postou-se diante dele: família ou carreira? Com proposta do Internacional, cogitou seriamente ficar perto da filha, Gabriele, de 20 anos, aluna de nutrição na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. “Sinto o peso de não ter passado muito tempo com ela”, diz. “O que eu não esperava era ouvir: ‘Pai, vai para o Corinthians, eu também vou ficar mais feliz’”, conta, emocionado.

Tite Técnico Corinthians
Tite, técnico do Corinthians: amuletos no bolso da calça (Foto: Marcos Bezerra/Futura Press)

3) Decisão sofrida

O presidente Roberto de Andrade admite: não renovar o contrato do atacante Paolo Guerrero, em maio, foi a tarefa mais difícil de seu primeiro ano de mandato. O peruano, autor do gol do título mundial, em 2012, acabou indo para o Flamengo por cerca de 16 milhões de reais. “Tive de esquecer o resto e pensar só no aspecto financeiro. Seria um desastre para as contas”, diz. A economia colaborou para, menos de seis meses depois, o clube quitar dívidas com os atletas.

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4) Amor para Love

Com seguidas más atuações, Vagner Love foi afastado em maio para recuperar a forma física. Mas logo ficou claro para a comissão técnica que seria necessário reerguer também a autoconfiança do boleiro. “Ele vinha à minha sala e dizia: ‘Sei que não estou bem’”, conta o gerente de futebol Edu Gaspar. “Respondi que ia continuar acreditando nele.” Hoje o atacante é o vice-artilheiro do Brasileirão, com treze gols.

Jogadores Corinthians
Jogadores do Corinthians comemoram gol durante a vitória por 6 a 1 no São Paulo (Foto: Daniel Kfouri)

5) Reunião anticrise

No começo de junho, o Corinthians vivia seu pior momento. Em um mês, havia sido eliminado do Paulistão e da Libertadores, perdera a dupla de ataque Guerrero e Sheik e enfrentava uma crise financeira. “Os jogadores ficaram com medo, achavam que o time podia até ser rebaixado”, revela Andrade. No auge do desespero, o presidente convocou uma reunião com a equipe e garantiu que ninguém mais deixaria o clube. “A partir dali, eles ficaram tranquilos e tudo mudou”, diz o cartola.

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6) Preleção suave

Famoso pelo estilo motivador, de exigir competitividade máxima, Tite foi forçado a moderar seu discurso nesta temporada. Alertado pelo auxiliar técnico Fábio Carille, percebeu que a atual equipe alvinegra não responde bem a mão pesada. “O grupo de 2012 era cascudo, aguentava a pressão”, afirma. “Este, com jogadores novos, tende a se afobar quando injeto muita adrenalina.”

Roberto de Andrade Presidente Corinthians
O presidente do Corinthians, Roberto de Andrade: reunião para encerrar a crise (Foto: Rodrigo Gazzanel/Folhapress)

7) Palavra de ordem

Em outras épocas, Tite ficou marcado pela criação de neologismos para lá de curiosos, como o famoso “treinabilidade”. Hoje, palavras mais singelas permeiam seu vocabulário. Neste ano, por exemplo, uma foi repetida à exaustão: merecimento, quase sempre acompanhada do mantra “Vamos fazer por nós”. “Os próprios jogadores a assimilaram e passaram a repetir seguidamente nas entrevistas”, aponta Edu Gaspar.

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8) Fé no bolso

O contato com torcedores especiais proporcionou dois amuletos ao católico fervoroso Tite. O primeiro é um terço com o Sagrado Coração de Jesus, recebido de João Marcos Andrietta, portador de esclerose lateral amiotrófica (ELA), que assistiu à vitória sobre o Joinville, em setembro, em uma maca nas arquibancadas do Itaquerão. “Também tenho uma imagem de Nossa Senhora, que ganhei de uma menina chamada Vitória.” Ambos os amuletos têm acompanhado o técnico em todos os jogos, devidamente guardados no bolso dianteiro da calça.

9) Pagode no vestiário

Em outubro, um churrasco no CT Joaquim Grava produziu o hit corintiano do ano. Trata-se de Porradão, interpretado pelo grupo de pagode Pedindo Bis, levado ao evento pelo meia Elias. O refrão diz: “É isso aí / Me deu vontade de pular de um avião / Mesmo tendo medo de altura / Porque você chegou e deu porradão”. Os mais empolgados e frequentes nos vocais são Renato Augusto, Jadson e Vagner Love.

Torcida Corinthians
A torcida do Corinthians no Itaquerão (Foto: Daniel Kfouri)

10) O talismã do YouTube

Um vídeo de 2007 começou a ser compartilhado há um mês nas redes sociais. Nele, o atacante Lucca, então um adolescente de 17 anos no Tocantins, aguentava piadas de amigos pelo rebaixamento do Corinthians. “É antigo, fiquei surpreso de aparecer”, disse. Após desandar a marcar gols, com o contrao Atlético-MG e o São Paulo, e definir o sofrido 2 a 1 sobre o Coritiba, o reserva passou a ser chamado de Novo Tupãzinho, em referência ao xodó alvinegro dos anos 90.

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11) Seca de entrevistas

A vitória sobre o Atlético-MG, no dia 1º de novembro, deixou a equipe com a mão na taça. Naquele momento, Tite parou de conceder entrevistas. O silêncio foi quebrado apenas após o jogo com o São Paulo, no domingo (22). A assessoria do técnico agendou 35 compromissos com a imprensa apenas entre quarta e sexta da semana passada, inclusive com agências internacionais, como a Associated Press.

Fonte: VEJA SÃO PAULO