Noite

Coletivos de DJs organizam festas gratuitas nas ruas e praças da cidade

Os eventos ao ar livre chegam a atrair 3 000 pessoas. Público é formado por moderninhos acima dos 25 anos

Por: João Batista Jr.

Grupo Pilantragi, no Largo do Café
O grupo Pilantragi, no Largo do Café: edições mensais (Foto: Caos Ótico)

Vários boêmios da capital trocaram o colorido dos raios estroboscópicos das casas noturnas pela luz amarelada dos postes de rua. Quase todo fim de semana, pelo menos uma festa tem ocorrido em espaços públicos de São Paulo — em locais como Praça Dom José Gaspar, Largo São Francisco, Minhocão e Paço das Artes. Os eventos ao ar livre chegam a atrair 3 000 pessoas, uma plateia moderninha e acima dos 25 anos. Muitos deles têm início ainda durante o dia, e a maioria não ultrapassa a meia-noite. Com isso, os mais animados podem esticar o programa para uma balada convencional.

Tutu Moraes, idealizador da festa Santo Forte
Tutu Moraes,da Santo Forte: cortejo pelo centro (Foto: Pedro Janequine)

De olho na proliferação e no fortalecimento desse circuito, o Centro Cultural Banco do Brasil decidiu fazer a própria festa. Com estreia prevista para 29 de novembro, o CCBB música.performance vai reunir mais de dez atrações —entre DJs, cenógrafos e artistas plásticos. A celebração terá abertura às 15 horas na Praça do Patriarca e seguirá até o museu, com duração de seis horas. “Procuramos abraçar as novas tendências culturais”, diz Rogério Gomes, gerente de planejamento da instituição. “Por isso é um passo natural trazer esses movimentos para perto da nossa sede.

+ Casa inaugura com programação rock e mesas de sinuca

+ Fila para ver esculturas de Ron Mueck chega a três horas nesta sexta

“O local tem agendada outra edição do evento para março do ano que vem. A exemplo do que ocorre no CCBB, a entrada desse tipo de diversão é gratuita aos participantes. Quem deseja comer e beber recorre a carrinhos de ambulantes, que se aboletam nas redondezas. “Somos uma alternativa para os paulistanos cansados de ficar em filas para entrar na boate e depois se assustar com os preços altos na hora de pagar a comanda”, afirma Ad Ferreira, um dos criadores da Mel. Realizada desde 2012 em locais como a Praça Dom José Gaspar, ela anima o público com um repertório de músicas brasileiras que vai de Alceu Valença a Luiz Gonzaga.

Centro Cultural Banco do Brasil
Museu realiza primeiro evento de balada ao ar livre (Foto: Daniela Toviansky)

+ Selecionamos vinte bares onde a paquera rola solta

Oferece também performances inspiradas no grupo de bailarinos Dzi Croquettes, sucesso no Rio de Janeiro nos anos 80, além de recitação de poesias do escritor baiano Wally Salomão. Os organizadores adotam o termo “coletivo” para definir o modus operandi do negócio. “Um amigo empresta a caixa de som, outro o carro, e assim por diante”, explica Julia Nogueira, da Santo Forte, que na semana passada reuniu mais de 2 000 pessoas em um cortejo pelo centro. A informalidade cobra um preço. Algumas baladas pecam por não oferecer conforto básico, como banheiro químico, por exemplo.

DJ Ad Ferreira
Idealizador da festa Mel, que anima o público com música brasileira (Foto: I Hate Flash)

A região da é a que mais recebe eventos do gênero: são oito pedidos por mês. As solicitações dobraram em relação ao ano passado, de acordo com o subprefeito Alcides Amazonas. Para promover uma festa de rua, é preciso entrar com um pedido com trinta dias de antecedência.Alguns promotores investem em uma estrutura mais profissional. Um dos criadores da Pilantragi, Rodrigo Bento diz que uma edição custa 10 000 reais para ser executada. “Pago desde especialista em maquiagem infantil para as crianças até cenógrafo”, enumera. A próxima Pilantragi será no dia 6 de dezembro no Largo da Batata, em Pinheiros.

+ Thiaguinho se exibe no Citibank Hall

Para fazer caixa, Rodrigo promove uma festa semanal em uma casa de shows da Bela Vista. O convite ali sai por 20 reais. O fenômeno da diversão no sereno começou a tomar corpo a partir de2010. Uma das precursoras da onda foi a Voodoohop, realizada em locais como Minhocão e prédios desativados. Facundo Guerra, empresário da noite, é um dos entusiastas e frequentador eventual de coletivos de música eletrônica. Apesar de o movimento concorrer com os seus negócios, o sócio de casas como a boate Lions e o bar Riviera gosta da ideia. “A escolha do local público é mais relevante para o sucesso do que a programação”, analisa. “Antes, o público saía de casa por causa do DJ. Hoje, vai pelo lugar para poder fazer check-in e postar nas redes sociais.” 

Qual é a boa?

› Festa Mel, 22/11 (sábado), das19h à 1h. Na Praça Dom José Gaspar.

› CCBB música.performance, 29/11 (sábado), das 15h às 22h.Centro Cultural Banco do Brasil.

› Praia de Paulista, 30/11(domingo), das 15h às 20h. Na Praça Ana Maria Poppovic.

› Free Beats, 6/12 (sábado), das 12h às 22h. Na Praça da Sé.

› Pilantragi, 6/12 (sábado), das 14h às 22h. No Largo da Batata.

Fonte: VEJA SÃO PAULO