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“O avião com Eduardo Campos caiu no meu quintal”

Psicóloga Maria Esther Pettinati, moradora do Boqueirão, em Santos, dá o testemunho do desastre aéreo que matou o presidenciável Eduardo Campos

Por: João Batista Jr. - Atualizado em

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Maria Esther Pettinati, 45 anos, psicóloga, moradora do bairro do Boqueirão, em Santos, aparece sorrindo na foto acima por ter escapado ilesa de uma tragédia: o avião que conduzia o presidenciável Eduardo Campo, do PSB, e outras seis pessoas, caiu no quintal de sua casa, matando todos os ocupantes. Abaixo, o depoimento concedido com exclusividade a VEJA SÃO PAULO no início da tarde desta quarta-feira (13), horas após a tragédia.

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“Eu estava tomando café no quintal da minha casa, quando decidi entrar para a sala para ver TV com os meus pais, que têm 85 e 75 anos. No momento em que trocava de canais para decidir o que assistir, escutei um barulho de um avião muito próximo da casa.

Achei estranho, pois não moro em uma área perto de aeroporto. Até que senti um estrondo no meu quintal. Fiquei em choque. As janelas da minha casa quebraram, estilhaços de vidro voaram para todos os lados. Muita fumaça vinda do quintal começou a invadir a copa, a sala, tudo.

Eu gritei para saber onde estavam meus pais e nossos quatro gatinhos, mas todos estavam ali e eu não conseguia mais enxergar direito. Ajoelhei no chão da sala para agradecer por estarmos vivos quando escutei eles falando e os miados. Nesse momento, quando eu estava ajoelhada agradecendo a Deus, pois sou muito católica, a porta da minha sala estourou e foi arremessada em minha direção. Se eu não estivesse de joelhos, estaria morta – pois essa porta tem 5 centímetros de espessura e iria bater na minha cabeça.

Quando eu e meus pais fomos para o quintal, ficamos em estado de choque e sem entender muito bem. Era muita fumaça. Os bombeiros chegaram rápido, entre cinco e oito minutos, e nos tiraram de lá. Saímos de casa com a roupa do corpo, sem pegar nada. Hoje não sei onde iremos dormir, pois a casa está interditada pela Defesa Civil. Alguns cacos de vidro voaram em nós, mas não fomos machucados de forma grave. Minha casa tem dois andares e não sei como vai ser, pois o impacto foi horrível e comprometeu a casa. Tenho de agradecer a Deus por estar viva.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO