Cidade

Avenida Paulista ganha cartilha com lições de conservação da via

A vereadora Mara Gabrilli disponibilizou em seu site o manual virtual com prefácio do ex-secretário municipal Andrea Matarazzo

Por: Giovanna Romanelli - Atualizado em

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Remendo na altura do número 453: reparos malfeitos atrapalham a circulação (Foto: Mario Rodrigues)

A calçada de mosaico português já faz parte do passado da Avenida Paulista. O atual piso de concreto é liso, antiderrapante e tem faixa tátil para auxiliar pessoas de pouca ou nenhuma visão. Isso teoricamente, já que em alguns pontos, como o mostrado na foto acima, o chão parece uma colcha de retalhos. “Muitas concessionárias de serviço — de telefonia, gás, água, TV — abrem buracos e não os fecham corretamente”, afirma a vereadora Mara Gabrilli. “Por lei, elas devem seguir o padrão e devolver o ponto exatamente como encontraram.” Para conscientizar as companhias, os moradores, os proprietários de estabelecimentos e seus frequentadores, Mara acaba de lançar a cartilha on-line 'Olhe a Paulista — Avenida Universal', um manual com lições de conservação da via. “Foi difícil reformá-la, mas mantê-la é ainda mais complicado”, diz.

Assinado pelo ex-secretário municipal Andrea Matarazzo, o prefácio traz a missão do guia: fazer com que todos tenham um olhar mais consciente e comunitário sobre a Paulista. Há ainda um breve resumo histórico da avenida desde sua inauguração, em 1891. Fala-se, por exemplo, da primeira grande revitalização, na década de 70. A segunda e a mais recente, iniciada em 2007, custou 8 milhões de reais. Muita gente parece ainda dar de ombros para esse gasto. Das 194 lixeiras instaladas em dezembro de 2008, cerca de sessenta haviam sido depredadas um mês depois. No decorrer de suas quarenta páginas, a cartilha indica ainda técnicas para o reparo correto do calçamento. “Não é tão simples reconstruir o chão apenas seguindo os dados do livreto”, afirma a professora Sheila Ornstein, do Departamento de Tecnologia da Arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. “Mas, sem dúvida, trata-se de um pontapé inicial muito importante.”

Toda a concepção atual da Avenida Paulista foi pensada sob a ótica da acessibilidade, o que a tornou uma referência. “As intervenções nos pisos complicam a passagem de cadeirantes, deficientes visuais e idosos”, diz Mara. “Uma via acessível melhora a vida da população.” Se todos colaborarem, a colcha de retalhos deixará de enfear nosso cartão-postal e descartará a necessidade de outra grande reforma no futuro próximo. A cartilha está disponível no site www.maragabrilli.com.br/paulista.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO