Tragédia

Publicitário Rubens Ribeiro, ex-Talent, morre atropelado na 9 de Julho

Filho de Julio Ribeiro, fundador da agência, foi atingido por moto na altura da rua Amauri

Por: Daniel Bergamasco - Atualizado em

Avenida 9 de Julho - atropelamento - Rubens Ribeiro
Avenida 9 de Julho, na altura da Rua Amauri: local onde ocorreu o atropelamento (Foto: Fernando Moraes)

O publicitário Julio Ribeiro é um dos nomes mais respeitados da propaganda brasileira. Fundou em 1980 a agência Talent, responsável por campanhas de grande sucesso como a que imortalizou o bordão “não é uma Brastemp”, criada para a empresa de eletrodomésticos do mesmo nome, e a frase “bonita camisa, Fernandinho”, utilizada em peças para a fabricante de jeans Us Top. Ao contrário de outros grandes nomes da área, como Nizan Guanaes e Washington Olivetto, sempre foi mais discreto e procurou manter-se longe dos holofotes, apesar de todo o sucesso profissional. Atualmente, ocupa o cargo de sócio-presidente do negócio que criou (no ano passado, por um valor estimado pelo mercado em 200 milhões de dólares, o grupo francês Publicis virou sócio majoritário da companhia). Na noite de ontem, foi surpreendido por uma tragédia: o mais velho de seus três filhos, o também publicitário Rubens César Ribeiro, de 50 anos, morreu atropelado por uma moto na Avenida 9 de Julho, na altura da Rua Amauri, na região do Jardim Paulista. Deixa dois filhos.

Ribeiro, que trabalhou com o pai durante dez anos, havia chegado ao bar Mercearia São Roque por volta das 20h30, acompanhado de um amigo. Segundo funcionários da casa, bebeu três doses de uísque misturado com Pepsi e saiu de lá por volta das 22h30. “Ele me deu boa noite e, logo depois, ouvi a pancada”, diz o garçom Roniel Rodrigues. Segundo o boletim de ocorrência do caso, foi atropelado por uma moto enquanto atravessava a rua. O médico Marino Guerriero, que trabalha em frente ao local, em uma central de emergência da Amil, fez os primeiros socorros. “Ele estava inconsciente, com parada cardiorrespiratória”, diz Guerriero. Resgatado por uma equipe do Samu, foi levado ao Hospital das Clínicas, onde morreu. O condutor da moto, que no registro policial também aparece como “vítima”, se machucou e segue internado, com quadro de saúde estável, na Santa Casa de Misericórdia, no bairro de Santa Cecília. O registro policial, feito no 15º Distrito Policial (Pinheiros), ressalta que este não apresentava sinais de embriaguez e que se tratava de um trecho escuro da rua. A faixa de pedestres mais próxima está a cerca de 100 metros dali, ao lado de um semáforo. Uma investigação vai apurar a responsabilidade pelo ocorrido.

O enterro foi realizado nesta quinta (18), às 17h, no Cemitério do Morumby, na Zona Sul da capital. Estavam presentes colegas de trabalho, publicitários e personalidades como o sócio da Rede TV!, Marcelo Carvalho, acompanhado de sua mulher, a apresentadora Luciana Gimenez. Os familiares preferiram não falar com a imprensa. “Guardarei uma lembrança sempre boa, positiva”, disse Antônio Lino Pinto, diretor da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro) e sócio do grupo Talent. “Ele tinha características muito parecidas com as do Júlio Ribeiro: era uma pessoa íntegra, dedicada.”

Em 2010, dezenove pessoas foram atropeladas por dia na capital. Ao todo, foram 7.007, o que resultou em 630 mortes. Para tentar reverter esse assombroso cenário, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) implantou em maio passado uma campanha de conscientização que visa estimular o respeito à faixa de pedestres. Começou nas proximidades de 300 cruzamentos espalhados entre o centro e a região da Avenida Paulista, numa área de 14 quilômetros quadrados batizada de Zona de Máxima de Proteção ao Pedestre. A iniciativa depois foi espalhada para outras 34 regiões da cidade. Nelas, profissionais batizados de "orientadores de trânsito", vestidos com camisetas amarelas com a inscrição “Dê preferência à vida. Respeite o pedestre”, empunham mãozinhas de plástico para tentar disciplinar os motoristas, amparados por uma equipe de mímicos. Também houve a instalação de faixas e placas educativas. No início do mês, a CET prometeu fechar o cerco aos infratores com multas. Resultado: nos últimos dois meses, nas regiões monitoradas, o número de atropelamentos caiu 64%, em relação ao mesmo período do ano passado.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO