Consumo

Lojas antigas preservam as tradições do comércio de São Paulo

Instalados há décadas na cidade, endereços apostam no trivial para resistir à passagem do tempo

Por: Thaís Reis Oliveira - Atualizado em

Padaria 14 de Julho
(Foto: Gustavo Lourenção)

Seja por tino para os negócios ou fidelidade de clientes saudosistas, alguns endereços tradicionais da cidade resistem ao abre e fecha das portas e seguem firmes há mais de cinquenta anos, ou em alguns casos, mais de um século. Conheça exemplos desses lugares, listados em ordem cronológica de inauguração:

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Casa Godinho

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Este empório de secos e molhados segue firme desde 1888 e, até hoje, atrai familias paulistanas em busca do tradicional bacalhau Gadus morhua (R$ 49,80 o quilo, desfiado). A casa, que teve clientes célebres, como Assis Chateaubriand, foi declarada Declarado Patrimônio Cultural Imaterial da cidade em 2012. Não deixe de provar a empada (6,50 reais), eleita a melhor da cidade pelo COMER & BEBER.

Doural

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Doural, criada em 1905: no 2º andar ficam os produtos gourmet (Foto: Fernando Moraes)

Quando o sírio Assad Abdalla chegou a São Paulo, a Rua 25 de Março já concentrava o comércio popular da cidade. Ele fundou a Doural em 1895. Mantida até hoje pela família, reúne mais de mais de 60 000 produtos, entre utilidades domésticas, eletrônicos e artigos de cama, mesa e banho. Além do longevo endereço na região central, mantém uma loja nos Jardins.

Di Cunto

Di Cunto - Mooca
Marco e Reinaldo Di Cunto: empresa familiar (Foto: Lucas Lima)

Fundada pelo casal de filhos de uma família italiana em 1935, essa padaria é um clássico paulistano. Uma das criações mais populares da casa é a tradicional torta regina (75 reais o quilo), que leva pão de ló, profiteroles e creme patissier cobertos por uma camada de fios de caramelo. De lá pra cá, a rede se expandiu e hoje conta com filiais no Itaim Bibi, Tatuapé e no Shopping Mooca Plaza.

Plas

Maurice Plas
Maurice Plas: o simpático francês montou a loja na Rua Augusta no começo da década de 50 (Foto: Leo Casobelli/Folhapress)

Na singela portinha que ocupa número 724 da Rua Augusta, um simpático francês fez nascer chapéus, boinas, gravatas, coletes, camisas e outros acessórios masculinos por 61 anos. Consideradas de luxo, as costuras de Maurice Plas fizeram a cabeça de políticos, empresários e artistas da cidade e, mais recentemente, foram redescobertas pelos moderninhos que frequentam o trecho mais boêmio da rua. Plas faleceu em junho deste ano, mas a loja continua funcionando sob a batuta dos filhos do alfaiate.

Niazi Chohfi

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Depois da família perder tudo que tinha com a Crise de 29, o jovem Niazi Chohfi recomeçou a vida na 25 de Março, rua onde o pai fez fortuna com o comércio têxtil. Inaugurada em 1933, a loja com seu nome começou as atividades vendendo tecidos e, com o passar dos anos, foi acrescentando artigos de artesanato, roupa íntima e utilidades domésticas ao mix de produtos. Hoje em dia, a empresa ocupa nove andares no número 607 da via e tem outras seis unidades espalhadas pela capital.

Livraria Calil Antiquária

LIVRARIA-CALIL
Livraria Calil: mais de 450 mil volumes (Foto: )

Há exatos 66 anos, o 9º andar de um antigo prédio na Rua Barão de Itapetininga está abarrotado de livros raros. A loja fundada por Miguel Calil, imigrante libanês apaixonado por literatura, guarda mais de 450 000 volumes, entre primeiras edições, obras autografados e exemplares únicos no país. Com o passar dos anos, a falta de espaço obrigou a herdeira a Maristela Calil a transferir parte do valioso acervo para casa da família, no Ipiranga. Os hiperconectados também podem conferir o catálogo da loja no site Estante Virtual.

Casa Tody 

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É a loja mais antiga da Rua Augusta. Instalada na via desde 1953, a família húngara Frank acompanhou de perto as tranformações da rua. Apesar das mudanças, a especialidade da loja permanece a mesma: calçados infantis, de couro. Da época em que os sapatos só podiam ser deste material, resta um item pra lá de inusitado: uma régua que mede a numeração do pés do cliente, criada pelo fundador.

Sebo do Messias

Sebo do Messias
Sebo do Messias: obras raras no centro da cidade (Foto: Renato Pizzutto)

A casa, que reinvindica o título de "maior sebo da América Latina", abriu as portas na Praça Doutor João Mendes em 1969. Com a ajuda de uma equipe de cinquenta funcionários, "Seu Messias" continua cuidando pessoalmente do acervo, que soma mais de 500 000 títulos, entre livros, revistas DVDs, CDs, discos e gibis. A loja também faz vendas on-line no meio do site www.sebodomessias.com.br

Fonte: VEJA SÃO PAULO