Feira da Madrugada

“Fomos mutilados sem nenhuma anestesia”, afirma ambulante

Comerciantes organizaram um mutirão para resolver os principais problemas de segurança do local

Por: Juliana Deodoro

Feira da Madrugada
Feira da Madrugada pode ficar fechada por sessenta dias para reforma (Foto: Juliana Deodoro)

Com lágrimas nos olhos, o comerciante Pedro Rodrigues de Paula, de 57 anos, tenta definir os dois últimos dias para ele e os outros comerciantes da Feira da Madrugada, no Brás. “Fomos mutilados sem nenhuma anestesia e não é a primeira vez que isso acontece.” 

Na última semana, o Ministério Público Estadual determinou o fechamento da feira depois que um laudo dos bombeiros confirmou riscos no local. Apesar dos protestos, a Prefeitura acatou o pedido. A partir de quarta (8), o espaço ficaria fechado por sessenta dias para reforma. Entretanto, liminar concedida pela Justiça Federal mudou a situação. 

Hoje (9), Pedro e centenas de outros comerciantes estavam reunidos para tentar organizar um mutirão que resolvesse os principais problemas de segurança. Fios desencapados, lonas, plásticos e extintores vencidos devem ser retirados em pouco mais de 36 horas. 

“Não é que eu acho que vamos conseguir. Temos que fazer as coisas acontecerem. É possível continuar andando mesmo sem uma perna, não é?”, resumiu Pedro.

O otimismo era o sentimento comum entre a maioria dos comerciantes. “Vamos fazer tudo em 24 horas e vamos recuperar o prejuízo do Dia das Mães”, disse a vendedora Alaíde Aquino, de 54 anos. “O mais importante é que todos voltem a trabalhar – e com segurança”, completou Gesiana Batista, de 46 anos.

Desavisados

Apesar da orientação de vários funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e de materiais informativos, como faixas e panfletos, muito foram à Feira da Madrugada na manhã desta quinta-feira para fazer compras. 

Sônia Siqueira, de 47 anos, veio de Bragança Paulista, no interior do Estado, e se espantou ao ver a área fechada. “Há 15 dias estava aqui e ninguém falou nada.” Sem poder esperar a reabertura, ela foi procurar produtos em outras lojas.

Fonte: VEJA SÃO PAULO