Drogas

Sonia Aparecida Klein: "Amarrei meu filho na cama para ele não sair de casa para se drogar"

A dona de casa de 48 anos é moradora de Santo Amaro, na Zona Sul

Por: Mariana Barros e João Batista Jr.

Internação involuntária
"Eu e meu marido usamos a corrente do nosso cachorro para amarrá-lo na cabeceira da cama", Sonia Aparecida Klein (Foto: Fernando Moraes)

“Fazia duas semanas que meu filho não aparecia em casa, em Santo Amaro. Isso inclui o dia em que ele completou 22 anos. Mas quando vi a notícia de que o governo iria internar usuários de droga à força, saí para pegá-lo na rua. Passei pela Cracolândia e pela Sé, até encontrá-lo em uma noite de sexta-feira perto do Vale do Anhangabaú. Estava sujo, fedido e alucinado de crack. Levei-o para casa e, chegando lá, ele gritou, brigou e ameaçou fugir. Eu e meu marido usamos a corrente do nosso cachorro para amarrá-lo na cabeceira da cama, mas ele reclamou que o ferro estava machucando seu braço. Então, decidi soltá-lo e amarrá-lo novamente com lençóis. Seu irmão de 14 anos assistiu a tudo aos prantos. Ficou olhando a cena, sempre chorando. Ele tem medo de que o mais velho seja assassinado, pois é jurado de morte por donos de mercados que assaltou para comprar pedra. Dias antes de tentar levá-lo para o tratamento, aproveitei para fazer os seus gostos enquanto ainda estávamos juntos. Preparei caldo de feijão e canjica, seus pratos favoritos. Na semana passada, o juiz expediu a autorização para ele ser internado. Dormiu três noites no Cratod até conseguir uma vaga. Nesse tempo, eu ia até lá todo dia de manhã para provar que amor para sair dessa ele tem de sobra.”

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Fonte: VEJA SÃO PAULO