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Destaque na Vai-Vai, consulesa da França fala sobre elite e racismo

Mulher do representante diplomático, Alexandra Loras dá aulas voluntárias a refugiados e passou a militar também contra o preconceito 

Por: João Batista Jr - Atualizado em

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Alexandra: aulas de samba para não fazer feio na avenida (Foto: Ramón Vasconcelos)

O termômetro marcava 27 graus às 22 horas do dia 31, um domingo. Diante de uma plateia de 4 000 pessoas apinhadas na sede da escola, no Bixiga, o presidente da Vai-Vai, Darly Silva, o Neguitão, chama ao palco Alexandra Loras. “Que rufemos tambores para a consulesa da França”, pede ele, sendo atendido pela bateria da agremiação. Segurando sua mão esquerda, o carnavalesco prossegue: “Meus amigos da comunidade, para o nosso orgulho, é uma negra como nós”.

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Mais baticundum, mais gritaria. Começou assim a segunda parte do ensaio da escola que vai desfilar no Anhembi na madrugada deste sábado (6) com o enredo Je Suis Vai-Vai: Bem-vindos à França!. Alexandra será o destaque do abre-alas. “O mais difícil vai ser dançar como as brasileiras, mas estou mandando bem. Mexer os pés no ritmo correto é complicado!”, conta ela, em um português afinado e com leve sotaque.

Em seu carro alegórico, os principais atrativos serão uma réplica da Torre Eiffel de 16 metros de altura e uma pirâmide de LED de 10 metros de altura, com reproduções luminosas de obras expostas no Museu do Louvre, entre elas a tela Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. O evento deve marcar o início das atividades do último ano no posto de consulesa da França.

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Alexandra Loras: "Por ser negra, fui confundida com babá inúmeras vezes" (Foto: Ramón Vasconcelos)

Ela desembarcou por aqui com o marido, Damien Loras, em 2013, quando ele recebeu a incumbência de representar o país do presidente François Hollande. Como o trabalho tem duração de três anos, em agosto o casal retorna a Paris. Na temporada brasileira, Alexandra não se contentou em fazer um papel figurativo. Mais que isso, cunhou um estilo próprio ao ocupar o cargo.

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Nas recepções oferecidas na mansão do Jardim Europa mantida pelo governo da nação europeia, sua beleza é sempre o centro das atenções. A consulesa misturou-se bem na alta sociedade paulistana (suas amizades vão do chef Erick Jacquin ao ex-jogador Raí, que brilhou no Paris Saint-Germain nos anos 90), mas ela também circula com desenvoltura pelas ruas do Brás, onde costuma fazer compras nas confecções baratas do bairro.

Ocupa parte do seu tempo com trabalhos voluntários com refugiados haitianos na capital. Sua causa predileta, no entanto, é o preconceito racial. Ex-apresentadora de TV em Paris e com um mestrado sobre a ausência de negros na mídia francesa, ela sofreu por aqui com o racismo.

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Entre o dirigente Tobias da Vai-Vai e o ex-jogador Cafu: 40% das fantasias foram vendidas à comunidade francesa (Foto: Ramón Vasconcelos)

Mãe de Raphaël, de 3 anos, um loirinho de cabelos ondulados que parece um garoto-propaganda de empresa de fraldas descartáveis, Alexandra indignou-se em inúmeras ocasiões com o tratamento que recebeu. No tradicional Clube Pinheiros, do qual tem o título de sócia-convidada, certa vez foi impedida de entrar por ter sido confundida com uma babá.

A confusão começou na portaria do local, ao perceber que havia esquecido os documentos em casa. Quando a segurança procurou seu nome na lista de cadastrados, nada encontrou. Ela pediu que verificassem novamente — poderiam ter digitado alguma letra errada. Mais uma vez, resposta negativa. “A senhora não está na lista de funcionários”, disseram-lhe.

No Shopping Iguatemi, que costuma frequentar, o fato de carregar uma criança sem usar uniforme branco sempre lhe rendeu olhares tortos. Quando Alexandra desembarca em Guarulhos (“em 100% dos casos”), sua mala é revistada na alfândega, mesmo com a apresentação do passaporte diplomático. “Acham que eu sou uma ‘mula’ trazendo drogas”, acredita. Nas recepções semanais promovidas no Jardim Europa, perdeu a conta das vezes em que os convidados lhe entregaram o casaco para guardar na chapelaria. “Em geral, os brasileiros ricos estão acostumados a ver os negros como funcionários. Neste caso, olham para mim e já pensam que estou prestando algum serviço.”

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Consulesa em um debate sobre preconceito em Davos (Foto: Ramón Vasconcelos)

Depois de tantos episódios do tipo, Alexandra decidiu arregaçar as mangas de seu tailleur Chanel e estudar a fundo o problema por aqui. “A França é o berço da liberdade de expressão, não tinha por que eu me calar diante de tudo o que acontece.” Foi assim que ela deu início a uma pesquisa para descobrir negros brasileiros de destaque em suas áreas, a exemplo do escritor Machado de Assis. Passou também a dar palestras sobre o assunto em ONGs, escolas públicas e empresas como Google. Em abril, lança em parceria com o historiador Carlos Eduardo Dias Machado o livro Gênios da Humanidade: Ciência, Tecnologia e Inovação Africana e Afrodescendente.

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Antes de iniciar o trabalho com refugiados na entidade Missão Paz, na Liberdade, em 2014, Alexandra fez um curso de capacitação durante seis meses. Assim, tornou-se professora de “interculturalismo”. “Nossa missão é prepará-los para a convivência geral, ensinando regras de higiene, e torná-los aptos a ingressar no mercado de trabalho”, explica a finlandesa Hanna Helstela, umas das responsáveis pela ONG. As aulas semanais são para plateias de até 100 pessoas, quase todas haitianas. A consulesa também dá aulas de português aos recém-chegados — que muitas vezes só falam crioulo e francês. A professora voluntária vai até lá de ônibus. Não é a única ocasião, aliás, em que usa o bilhete único para circular por São Paulo.

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Alexandra no Programa do Jô (Foto: Ramón Vasconcelos)

O contato com os refugiados se tornou um resgate do seu passado. De origem muçulmana, seu pai nasceu em uma tribo na Gâmbia, no oeste africano, e saiu de lá, ainda jovem, a fim de tentar a sorte em Paris, para onde uma tia já havia migrado. Enfrentou as barreiras da língua e da religião. “Ao ver os haitianos em São Paulo, penso em como ele se sentiu ao ir para a França, um país pouco receptivo a estrangeiros”, diz ela, que perdeu o pai, alcoólatra, aos 15 anos.

Sua mãe, uma francesa de origem judia, está hoje com 70 anos e vive em Toulouse. “Ela teve cinco casamentos e cinco filhos de quatro maridos”, conta a consulesa. Alexandra nasceu no bairro de Tarterêts (“um dos piores guetos da Grande Paris”). Localizado no sul da capital francesa, ele fica numa região adensada por inúmeras moradias sociais. Logo após o ensino médio, para aprender línguas e poder viajar, Alexandra trabalhou como babá em países como Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos.

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Alexandra nos tempos da TV na França: o serviço consular no Brasil vai acabar em agosto (Foto: Ramón Vasconcelos)

Na volta para Paris, decidiu cursar faculdade de multimídia e desenvolvimento de websites. Devido a sua beleza e desenvoltura, iniciou carreira como apresentadora de TV. O primeiro programa que apresentou era sobre cavalos. Mais tarde, migrou para uma atração de debate político em um canal público. Depois de um tempo, teve de deixar esse trabalho ao engatar um romance com Damien Loras, integrante do corpo diplomático de Nicolas Sarkozy.

A escolha da França como tema pela Vai-Vai não nasceu espontânea como um gingado de samba. Interessada em eleger algum país como inspiração, a escola fez uma espécie de road show entre consulados para escutar propostas — em outras palavras, saber quem ajudaria a bancar o desfile.

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“Falamos com Espanha e Peru, entre outros”, afirma Neguitão, presidente da agremiação. Por coincidência, a mãe do carnavalesco se mudou para Paris quando ele tinha 2 anos. Desde então, Neguitão só a viu uma vez, há mais de duas décadas. A favor da França, pesou o fato de o cônsul ser um apaixonado pelo ziriguidum e ter frequentado inúmeras vezes a escola do Bixiga. Seis integrantes da Vai-Vai fizeram uma viagem de dez dias ao país europeu em busca de inspiração, tudo pago pelo consulado. “Pedimos para representarem no Anhembi o nosso país além dos clichês positivos, como luxo, moda e gastronomia”, afirma Loras. Um carro alegórico, por exemplo, vai abordar as conquistas tecnológicas da nação.

Loras empenhou-se na busca por dinheiro, visitando multinacionais dispostas a colaborar. Ao todo, conseguiu 1,5 milhão de reais de empresas como Renault, Ticket e Air France. A escola de idiomas Aliança Francesa ofereceu 200 bolsas de estudos à ala juvenil da escola de samba. O perfume Salvador Dalí, outro membro da ala dos patrocinadores, contribuiu com verbas e insumos para o desfile — um carro promete borrifar 20 litros da fragrância durante o desfile. De todas as fantasias postas à venda pela Vai-Vai, 40% delas foram adquiridas pela comunidade francesa de São Paulo.

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Alexandra Loras: "Por ser negra, fui confundida com babá inúmeras vezes" (Foto: Ramón Vasconcelos)

Alexandra e Loras são considerados um dos casais mais elegantes da cidade — e adoram uma festa. No dia seguinte ao do casamento do chef Erick Jacquin com Rosângela Menezes, em outubro, deram uma recepção para alguns convidados. “Meu amigo, aqui ficou cheio de francês alegre de champanhe”, lembra a babá folguista Eliana Barbosa. “A dona Alexandra é simples, não nos autoriza a usar uniforme e pede para aproveitarmos a piscina.” Na residência consular, existe uma réplica da tela A Liberdade Guiando o Povo, de Eugène Delacroix.

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A poucos passos do quadro, chama atenção um tigre empalhado. Também há garrafas de champanhe decorativas, dessas de 5 litros. “Já me encontrei com a consulesa em eventos”, diz a apresentadora Glória Maria. “Não a conheço profundamente, mas considero louvável qualquer forma de tornar o preconceito visível.”

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Alexandra e o filho Raphaël ao lado do ex-presidente Nicolas Sarkozy (Foto: Ramón Vasconcelos)

A atriz Taís Araújo também admira a militância da francesa. “Debater o assunto é fundamental para chegar a algum lugar, mas só vamos ver resultados efetivos quando as leis forem menos brandas”, afirma. Ao levantar a lebre sobre o assunto, Alexandra ganhou convites para participar de atrações como Esquenta! e Programa do Jô, ambos na Rede Globo. “Também fui chamada em janeiro para dar uma palestra sobre o tema no fórum econômico de Davos, na Suíça.” Ainda neste primeiro semestre, ela começa os preparativos para deixar São Paulo. Não sentirá saudade, evidentemente, do preconceito que sofreu na cidade. “Mas vou voltar sempre que tiver oportunidade para rever os amigos”, promete.

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Damien Loras ao lado de Neguitão: o consulado ajudou a escola do Bixiga a captar cerca de 1,5 milhão de reais em patrocínio (Foto: Ramón Vasconcelos)

Hermès, bilhete único e aulas para refugiados

Algumas curiosidades a respeito de sua trajetória

Nome: Alexandra Baldeh Loras

Idade: 39 anos (16/1/1977)

Estado civil: casada com Damien Loras, cônsul-geral da França no Brasil

Filho: Raphaël, 3 anos. “Ele fala francês com sotaque português”

Idiomas que domina: além de falar francês, tem fluência em português, alemão, inglês e espanhol

Carreira: jornalista e apresentadora de TV na França, abandonou a profissão para acompanhar o marido

Experiências profissionais na TV: foi apresentadora de programas variados, sobre cavalos e debates políticos, por exemplo, em canais como TF1 e France 3

Origem: mãe francesa, da comunidade judaica, e pai da Gâmbia, de origem muçulmana. “Ele morreu quando eu tinha 15 anos. Sofria de alcoolismo”

A maior qualidade do Brasil: “Tem ótima produção intelectual e artística”

O maior defeito do Brasil: “Ausência de representatividade da população negra em cargos de liderança, na mídia, na narrativa histórica e nos desenhos animados”

Preconceitos já sofridos por aqui: ser confundida com babá quando brinca com o filho e ter suas malas revistadas na alfândega todas as vezes que entra no Brasil. “Acham que sou ‘mula’ e transporto drogas”

Trabalhos voluntários: leciona curso de línguas para refugiados haitianos na organização católica Missão Paz, na Liberdade

Livro favorito: As Minhas Estrelas Negras, de Lilian Thuram

Marcas prediletas: veste de Dior e Hermès às confecções baratas do Brás

Meios de transporte: bicicleta, bilhete único e táxi

Desafio: aprendeu a sambar depois que a França foi escolhida como tema do enredo da Vai-Vai. “Parece simples, mas mexer os pés no ritmo correto é complicado”

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  • Brasileiros

    Capim Santo

    Alameda Ministro Rocha Azevedo, 471, Cerqueira César

    Tel: (11) 3089 9500

    VejaSP
    13 avaliações

    Precedida por um belo jardim, a casa da chef Morena Leite, sócia também da rede Santinho, tem um cardápio em constante mutação. Em vez do couvert, confira a degustação de petiscos com oito pares de salgadinhos (R$ 53,00). Inclui pequenas tentações como o minichurro de tapioca recheado de vatapá. A cozinheira apresenta sua versão do tradicional picadinho de carne com farofa de ovo e aligot de tapioca (R$ 56,00), um creme de queijo com o derivado da mandioca. Melhor ainda, o robalo na brasa vem no molho de limão-cravo com minilegumes (R$ 89,00). Perfumado por aridan, uma fava de origem africana, o pudim de caramelo (R$ 19,00) é um bom fecho. O almoço, sempre em bufê, tem preço fixo de R$ 63,00 (terça a sexta) e R$ 96,00 (sábados, domingos e feriados).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Asiáticos

    Tian

    Rua Manuel Guedes, 499, Jardim Europa

    Tel: (11) 2389 9399

    VejaSP
    10 avaliações

    A filosofia do Tian sempre foi o compartilhamento.Comer no endereço de cozinha asiática significa pedir um sem-número de pequenos pratos e dividi-los com os companheiros. Para a refeição se tornar mais confortável, o restaurante— que se mudou da Rua Jerônimo da Veiga para um imóvel maior na Manuel Guedes, em junho— aumentou o tamanho das mesas. Os tampos de 60 por 70 centímetros deram lugar aos de 80 por 80 centímetros. Não há desculpa para não vasculhar o cardápio (que permanece o mesmo) e ir pedindo as boas receitas supervisionadas pela sócia, a tailandesa Marina Pipatpan. O macio polvo cozido em baixa temperatura ganha sabor extra ao passar na grelha com brócolis e picles de rabanete (R$ 39,00). Pedida mais intensa e tão apetitosa quanto, a costelinha suína ao molho de churrasco asiático continua a desgrudar com facilidade do osso (R$ 35,00). Faz a linha picante de leve o curry de pato ao leite de coco, manjericão e lichia (R$ 52,00). A sopa de coco com sagu, chá de jasmim, frutas, gelatina e amêndoa (R$ 23,00) refresca a goela: é geladinha.

    Preços checados em 1° de novembro de 2016.

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  • Pizzarias

    Speranza - Bela Vista

    Rua Treze de Maio, 1004, Bela Vista

    Tel: (11) 3288 8502 ou (11) 3288 3512

    VejaSP
    13 avaliações

    É uma das pizzarias mais tradicionais da cidade. Em volta de mesas cobertas por toalhas xadrez, famílias e casais compartilham os discos de bordas largas. Uma das inclusões recentes, a fonduta (R$ 73,90) combina doses generosas de mussarela e catupiry sob parmesão gratinado. A carciofni (R$ 82,90) leva alcachofra em conserva com bastante alho e parmesão. Da linha de massas cantineiras, o farto fusilli preparado na casa pode ganhar a cobertura de molho bolonhesa (R$ 79,90). O cornetto di Nutella é um rolinho de massa doce recheado de pasta de avelã e chocolate, servido ao lado de uma bola de sorvete (R$ 24,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Drinques

    Emiliano - Bar

    Rua Oscar Freire, 384, Cerqueira César

    Tel: (11) 3068 4390

    VejaSP
    1 avaliação

    Embora se localize no meio do caminho entre o lobby e o restaurante do Emiliano, o bar do hotel de luxo tem brilho próprio. Do início da manhã até o fim da noite, é possível pintar no lugar e pedir um champanhe do caprichado arsenal. São cerca de oitenta opções, dispostas desde o ano passado em uma adega exclusiva para 340 garrafas. Na ala dos drinques, duas novidades: o bloody mary com infusão de pimenta e o gim-tônica ao aroma de alecrim (R$ 36,00 cada um). A cozinha, assumida em novembro pelo italiano Andrea Montella, também apresenta mudanças. Bolinho clássico, o arancino ganha o formato de um pequeno e crocante cilindro de risoto de açafrão com cobertura de ragu de linguiça (R$ 40,00). Outra estreia, que pesa no bolso mas nunca no paladar, a tábua de queijos nacionais vem junto de mel trufado (R$ 78,00).

    Preços checados em 19 de julho de 2016.

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  • Sorveterias

    Damp Sorvetes - Ipiranga

    Rua Lino Coutinho, 983, Ipiranga

    Tel: (11) 2274 0746 ou (11) 2272 7059

    VejaSP
    5 avaliações

    Foram mais de duas décadas no mesmo ponto da Rua General Lecor, no Ipiranga, até que em outubro do ano passado a matriz da Damp subiu a rua, virou a esquina e reabriu as portas em novo endereço. Toda bonitona, a sorveteria mais tradicional do bairro ainda guarda uma deliciosa aura retrô, com janelas em arco, paredes de tijolos aparentes e luminárias pendentes sobre o balcão. O lugar também preserva o sistema que anda em desuso na cidade, o self-service (R$ 78,00 o quilo). Castanha-do-pará, tapioca e abóbora com coco estão entre as melhores opções de massa — a cada dia, 57 sabores se revezam nos freezers, de um total de 100 que compõem o catálogo da marca. Há escolhas menos ortodoxas, como água de rosas, violeta e a refrescante versão de capim-santo. Outro item de sucesso, e que segue firme na casa, é a cassata. Trata-se de uma espécie de bolo feito de sorvete envolto em uma fina camada de chocolate ao leite, que em nada se parece com a receita original da torta siciliana. São catorze possibilidades de sabor, entre elas paçoca e crocante (nozes, amêndoa, castanha-do-pará e castanha-de-caju). Cada fatia custa R$ 8,00.

    Preços checados em 3 de fevereiro de 2016.

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  • O drama, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, faz uma incursão singular e inédita por um campo de concentração na II Guerra. Não, não se trata de um documentário, embora o diretor, László Nemes, queira jogar o espectador em um registro realista do Holocausto. O prisioneiro Saul (papel de Géza Röhrig) tem uma função, no mínimo ingrata, em Auschwitz. A fim de escapar da morte imediata, ele “trabalha” para os nazistas levando judeus para a câmara de gás. Ao retirar os corpos, encontra um menino a quem julga ser seu filho. O objetivo dele, daí em diante, vira uma obstinação: Saul quer encontrar um rabino para recitar o Kadish e enterrar o garoto. Nemes, de 38 anos, obtém um trabalho estupendo em sua estreia no longa: usa uma câmera praticamente colada no protagonista, formato de tela quadrado (para dar sensação claustrofóbica), arrepiantes planos-sequência e sons da agonia e do desespero — tudo para deixar a plateia sem fôlego, incomodada e perplexa. Estreou em 4/2/2016.
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  • Dono de uma das filmografas mais importantes dos anos 70 e 80 (vide os clássicos Taxi Driver, O Poderoso Chefão II e Touro Indomável), Robert De Niro já fez besteiras como Profissão de Risco e Temporada de Caça. Mas talvez seu mais desastroso trabalho esteja na comédia Tirando o Atraso, que, embora tenha dois ou três momentos de humor perspicaz, confunde o tom politicamente incorreto com vergonhosas baixarias. Em uma trama machista, preconceituosa e de apelos sexuais, De Niro entra na história como o “vovô safado” do título original. Após o enterro da esposa, o “velhinho” pede ao neto, Jason (Zac Efron), para levá-lo de carro à sua casa na Flórida. Advogado careta, o rapaz vai casar dali alguns dias e não tem afinidade com o avô. Um desvio no caminho os deixa nas praias de Daytona Beach, palco de mulheres insinuantes, bebedeiras homéricas e competições alucinantes. Enquanto o personagem de Efron exibe o corpo sarado e deixa de lado a timidez fumando crack, De Niro se presta a atuar em cenas patéticas na tentativa de conquistar uma universitária assanhada. Isso não é papel — é papelão (!). Estreou em 4/2/2016.
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  • Comédia

    Tangerine
    VejaSP
    Sem avaliação
    Sin-Dee (Kitana Kiki Rodriguez), transexual e prostituta, retorna às ruas de Los Angeles após quase um mês na prisão. O caldo entorna quando sua amiga Alexandra (Mya Taylor) revela que Chester (James Ransone), cafetão e namorado de Sin-Dee, está de caso com uma loira. Na comédia Tangerine, o diretor Sean Baker capta, com a câmera de um smartphone, as dores e os amores de personagens marginalizados. Trata-se de um feito técnico, sobretudo pela qualidade da fotografia nas cenas noturnas. Expondo o lado B de Hollywood em uma véspera de Natal, o cineasta põe o glamour para escanteio e foca, com um toque de melancolia, a vida de amigas solidárias (e não menos carentes) em busca de mudanças ou apenas de um lugar ao sol. Estreou em 4/2/2016.
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  • Com o iminente dilúvio, Noé sumiu, mas deixou o leão encarregado de liberar (ou não) a entrada dos bichos na arca. Chegam pares de elefantes, girafas, gorilas... Porém Dave e seu filho, simpáticos nestrians (algo como tamanduás coloridos em escala menor), são proibidos de subir. O jeito é se disfarçarem de grymp (espécie de raposa antipática e antissocial) para seguir viagem. Será que o plano vai dar certo? Fartamente colorida, a animação Epa! Cadê o Noé? tem bons momentos de humor, mas faz a linha “tudo se copia” ao emular o enredo de Procurando Nemo. Estreou em 4/2/2016.
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  • Baseado no livro de Irène Némirovsky (1903-1942), judia ucraniana radicada em Paris desde a juventude, Suíte Francesa traz à tona um romance à moda antiga (em todos os sentidos) cujo destaque fica para o trio de protagonistas. A história, ambientada durante a II Guerra, mostra como os franceses do interior reagiram à chegada dos nazistas, após a Alemanha invadir a capital. Entre os oficiais que aportam em um vilarejo está o tenente Bruno von Falk (Matthias Schoenaerts). Ele se instala na residência de Madame Angellier (Kristin Scott Thomas), uma senhora desgostosa por seu filho ter partido para os combates e que trata sua nora, Lucile (Michelle Williams), com descaso e severidade. A jovem nota a sensibilidade do “hóspede”, que gosta de música clássica e toca piano. A aproximação entre eles vai gerar um desconforto geral. Falado em inglês (motivo de um estranhamento), o filme se sustenta em requintada produção de época e, mesmo usando um tema desgastado no cinema, consegue surpreender com certa originalidade. Estreou em 4/2/2016.
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  • Parques

    Planetário do Ibirapuera

    Avenida Pedro Álvares Cabral, Portão 10, Parque Ibirapuera

    Tel: (11) 5575 5206

    VejaSP
    3 avaliações

    Depois de mais de dois anos fechado para reforma, o Planetário do Ibirapuera volta a ser uma opção de lazer para os paulistanos. Inaugurado em 1957 e reaberto no fim de janeiro, o espaço sempre esteve no currículo de passeios das escolas. Mas vale a pena fazer a visita em família. Primeira dica: programe-se para ir durante este mês de fevereiro. É quando todas as quatro sessões diárias, de terça a domingo, são abertas ao público. A partir de março, o horário se restringirá aos fins de semana. Durante a exibição, todas as luzes se apagam, claro. Por isso, vale ficar de olho na nossa recomendação etária (a partir de 5 anos) e avisar as crianças antes do início que os próximos quarenta minutos serão no escuro. Mas não se preocupe: basta o novo projetor alemão Zeiss Starmaster começar o seu trabalho para que todos fiquem hipnotizados. Na sala de 550 metros quadrados em formato circular, os meninos e meninas deitados em poltronas similares às de cinema podem vislumbrar o céu do verão paulistano de uma forma bem diferente, sem poluição, luzes da cidade ou qualquer nebulosidade. Estrelas, planetas, meteoros e cometas aparecem como bonitos pontos iluminados em um cenário digno de filme. Uma aulinha explicativa acompanha cada trecho da apresentação e entretém inclusive os adultos. Um programa divertido, educativo, grátis e — sem trocadilhos — quatro-estrelas na cotação de VEJA SÃO PAULO. Recomendado a partir de 5 anos.

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  • Parques de diversão

    Wet’n Wild

    Rodovia Dos Bandeirantes, Km 72, Fazenda Tamburi

    Tel: (11) 4496 8000

    7 avaliações

    Localizado a 60 quilômetros da capital, tem 7 milhões de litros de água e 25 atrações. O Vortex, inaugurado no dia 19 de outubro de 2014, fica a 24 metros do chão, o equivalente a um prédio de seis andares. Durante a queda de 12 metros, a boia que comporta até seis pes­soas por vez pode atingir a velocidade de 70 quilômetros por hora. No meio do to­bogã, um funil gigante, com 18 metros de diâmetro, aumenta a adrenalina. Outra atração é o Kamikaze, com dois tobogãs de 18 metros. No R4lly, a criançada pode encarar, com a cabeça para a frente e a barriga para baixo, os 100 metros de extensão do escorregador que imita um espaço de corrida. São quatro "pistas" e a velocidade da descida chega a 60 quilômetros por hora. Os menorzinhos vão gostar do Lazy River. Ali, eles flutuam por uma suave correnteza numa espécie de rio de 320 metros de extensão.

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  • Uma reunião familiar ou de amigos pode receber o nome de Tertúlia. Esse é também o título da mostra em cartaz na Galeria Fortes Vilaça, cuja trajetória de quinze anos angariou um prestigiado time de artistas, potencializado por muitas profissionais femininas. Dezessete mulheres representadas atualmente pelo espaço, ou que já estiveram fortemente ligadas à galeria, têm seus trabalhos expostos a partir de uma seleção do acervo. Não estranhe a falta de relação entre as diferentes peças. A ideia era priorizar obras emblemáticas de cada uma das autoras. O resultado é uma mostra nostálgica — em clima de celebração. Representa a carioca Adriana Varejão, por exemplo, o quadro Big Polvo Color Wheel I. Lá estão as suas Tintas Polvo, paleta de 33 nuances criadas a partir dos diferentes tons de pele do povo brasileiro. O trabalho surgiu de uma pesquisa de mais de quinze anos que questiona o censo oficial do IBGE, no qual a população se divide entre apenas cinco cores. Da fotógrafa Rosângela Rennó, Tropical II retrata uma mata em preto e branco na qual há a interferência de uma mancha fantasmagórica. Criado dentro do laboratório de revelação por meio da exposição do negativo a uma luz forte, o efeito demonstra a intimidade da artista com a manipulação do suporte. Há também alguns vídeos, como dois bem-humorados registros de performances de Sara Ramo. Completam a mostra trabalhos de Janaina Tschäpe, Leda Catunda, Beatriz Milhazes, Jac Leirner e Tamar Guimarães, entre outras.
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  • O russo Constantin Stanislavski (1863-1938), criador do método teatral que coloca as experiências pessoais do intérprete como alicerce da composição do personagem, ficaria orgulho ao ver sua teoria comprovada em Chet Baker, Apenas um Sopro. Protagonizado por Paulo Miklos, o drama escrito por Sérgio Roveri ganha sustentação na presença do roqueiro dos Titãs como o cantor e trompetista americano. A vivência de Miklos em shows e gravações, além da já superada dependência química, é projetada de forma que cativa o espectador mais explicitamente que seu próprio desempenho de ator. Ao mesmo tempo, a entrega do artista humaniza o ídolo retratado de forma tão frágil e facilita o espelhamento junto à plateia. A trama faz um recorte ficcional em torno da biografia de Chet Baker (1929-1988). No fim da década de 60, o jazzista foi agredido nas ruas de São Francisco e ficou impedido de tocar. Depois de três anos, ele volta aos estúdios para gravar um disco e encontra um clima pouco amistoso entre os músicos (representados por Anna Toledo, Jonathas Joba, Piero Damiani e Ladislau Kardos) que vão acompanhá-lo. Na sua quinta experiência, o diretor José Roberto Jardim demonstra maturidade ao evidenciar uma preocupação de diálogo com o espectador. Em meio a tantos associações óbvias, Jardim construiu um montagem palatável e optou por ousar na escalação de um bom time de músicos/atores como suporte para Miklos. Convincente na pele da frustrada Alice, Anna Toledo vai além e é o grande destaque. Sua interpretação para a canção Solitude, de Duke Ellington, comove e dialoga diretamente com o momento de Baker ali retratado. Estreou em 20/1/2016. Até 7/4/2016.
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  • Nelson Rodrigues (1912-1980) é o maior dramaturgo brasileiro e quase ninguém ousa discordar disso. Logo, é normal que volta e meia seus textos teatrais ganhem a cena por aí. O autor e diretor Dan Rosseto, no entanto, fugiu do óbvio e para criar a tragicomédia Diga que Você Já Me Esqueceu, inspirada nos tipos e no universo rodriguiano, buscou referências na sua obra literária. As cenas, ambientadas na década de 50, trazem personagens claramente inspirados em folhetins como Escravas do Amor e Asfalto Selvagem ou mesmo no romance O Casamento. A trama gira em torno das núpcias de Sílvio e Lúcia (vividos por Tiago pessoa e Renata Maia). No dia da cerimônia, segredos começam vir à tona, e a mãe dele, Dona Querubina (interpretada por Angela Figueiredo) se mostra forte opositora ao enlace. A dramaturgia demora um tanto para engrenar, desperdiçando muito tempo na descrição dos excessivos personagens. O principal empecilho da montagem, no entanto, é a irregularidade do elenco de  oito atores. Angela, Adriano Toloza e Pedro Bosnich, no entanto, imprimem marcas aos seus papéis e fazem valer a aposta válida e ousada de Rosseto. Com Luciana Garcia, Thalyta Medeiros e Thais Boneville. Estreou em 20/1/2016.
 Até 31/3/2016.
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  • Integrante da nova safra do fértil terreno paraense, Felipe Cordeiro consegue, como poucos, elevar o brega ao cult. Em seus dois elogiados discos Kitch Pop Cult (2011) e Se Apaixone pela Loucura de Seu Amor (2013), ele apresenta um mexidão de carimbó, cúmbia, eletromelody e reggae, em diferentes doses. Tudo feito para dançar, sem perder a qualidade musical ou cair na superficialidade do tecnobrega (ainda bem). A faixa Legal e Ilegal e as divertidas Problema Seu e Tarja Preta são alguns dos bons exemplos. Filósofo de formação, Felipe acabou seguindo a carreira do pai, Manoel Cordeiro, consagrado produtor e guitarrista responsável por impulsionar a lambada na década de 80 pelo Brasil. Em clima familiar, os dois fazem juntos o Baile Lambalada. Entram no repertório os hits do filho e as composições do álbum paterno Sonora Amazônia. No mesmo dia, emendam a festa ao lado de Fafá de Belém e Beto Barbosa no palco do Vale do Anhangabaú, no centro, a partir das 21 horas. Dia 9/2/2016.
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  • Com estilo excêntrico, a banda Mustache e os Apaches surgiu tocando banjo, bandolim e washboard nas ruas da capital. Eles agora rodam as casas com o mais recente disco, Time Is Monkey (2015), que traz influências do folk e sons próximos a Os Mutantes, Secos & Molhados e ritmos nordestinos. Para acompanhar a noite, aproveite boas pedidas no cardápio do misto de casa de shows e bar. O zburguer, feito de 180 gramas de fraldinha, leva cheddar inglês, semente de girassol, aïoli de abóbora, rabanete e agrião com fritas (R$ 29,00). Dia 23/9/2016.
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  • Boteco japonês

    Atualizado em: 5.Fev.2016

Fonte: VEJA SÃO PAULO