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Acupuntura: chinês conquista Higienópolis

Especialista em shiatsu e acupuntura, o chinês Wang Rong reúne uma clientela fiel na comunidade judaica

Por: Giovana Romani - Atualizado em

Acupuntura: Wang Rong conquista Higienópolis
O empresário Schwartzman e o terapeuta: massagem em casa duas vezes por semana (Foto: Mario Rodrigues)

Aos 51 anos, o massagista chinês Wang Rong considera-se um homem de sorte. Nascido em Pequim, chegou ao Brasil em 1987 sem falar uma palavra em português e “com uma mão na frente e a outra atrás”. Mais de duas décadas depois, o especialista em shiatsu e acupuntura orgulha-se de ter caído nas graças de uma clientela tão importante quanto exigente. Requisitado para atender diversas famílias judaicas de Higienópolis, ele conquistou passe livre em algumas milionárias residências. “Muitos vilalam amigos”, diz, trocando o “r” pelo “l”, em português ainda carregado. “Sou tlatado com bastante respeito e calinho.” O empresário Salomão Schwartzman (quase homônimo do jornalista Salomão Schvartzman, colunista da Band News FM), dono da Liotécnica, fabricante dos produtos Herbalife e Qualimax, conhece Rong há doze anos. “Fiz massagem nos quatro cantos do mundo e nunca encontrei alguém tão bom quanto esse chinês”, elogia o empresário, que recebe o terapeuta em seu apartamento duas vezes por semana. “Queria três, mas ele não tem mais horário.” O massagista contabiliza 100 clientes só no bairro.

Falastrão, adora contar sua própria história enquanto pressiona e alonga músculos quase sempre tensionados. Engata uma na outra. Diz que, seis meses depois de desembarcar em Goiânia, naquele 1987, decidiu mudar para São Paulo. Já no avião, conheceu um senhor que lhe ofereceu emprego e moradia em um restaurante chinês na Avenida Morumbi. Até então só havia trabalhado na área química, em uma refinaria de petróleo. Mesmo assim, aprendeu a cozinhar. “Mas sempre tive interesse pela álea de saúde, lia muito sobre medicina alternativa”, lembra. Foi sua ex-mulher baiana — essa é outra longa história — quem, doze anos atrás, o convenceu a procurar Luiza Sato (1942-2007), mestra da técnica japonesa na cidade. Discípulo da nissei, ele dá expediente na clínica da Rua Joaquim Antunes das 14 às 19 horas. Lá, logo no início da carreira, teve a felicidade de atender a dona de casa Liliane Dabbah, que o indicou a familiares e amigos da comunidade judaica. “Ele é o homem mais fiel da minha vida”, brinca a relações-públicas Ruthi Dabbah, filha de Liliane, que, desde então, engrossa ao lado da cantora Ivete Sangalo e do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, a lista de clientes.

Ser apresentado ao obstetra e ginecologista Carlos Eduardo Czeresnia, da clínica Célula Mater, só fez crescer sua fama. Hoje, o massagista cuida de muitas grávidas encaminhadas pelo médico. “O Wang me ajudou a superar dores na coluna durante a gestação”, diz Mirella Morabia, diretora de marketing da União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social (Unibes), que deu à luz uma menina no último dia 22. Pai de dois filhos, o chinês mora sozinho em um apartamento em Santa Cecília “para ficar mais perto dos judeus”. É são-paulino fanático e, como aprendeu a jamais desprezar a sorte, joga na loteria quase sempre — afirma que em 2000 ganhou 120.000 reais. Garante não ter um só dia de folga há quatro anos. Cobra entre 80 e 150 reais por sessão e atende cerca de trinta pessoas toda semana. “Glaças às minhas mãos, eu fiquei lico e feliz.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO