Saúde

O obstetra Jefferson Drezett fez mais de 600 abortos legais

Ele atua no Hospital Pérola Byington, que é campeão no país em interrupções de gravidez permitidas pela lei em mulheres vítimas de violência sexual

Por: Adriana Farias - Atualizado em

Aborto - Jefferson Dezett 2
O médico Drezett: "Fico satisfeito em garantir esse direito às mulheres" (Foto: Mario Rodrigues)

De tempos em tempos, flashes dos cinco minutos de horror e humilhação assombram a memória da empregada doméstica Alessandra*, de 32 anos. Com a voz embargada e sem conseguir conter as lágrimas, ela conta que tudo aconteceu no início da noite de uma terça do mês de julho, em um bairro da Zona Sul, quando estava saindo do trabalho. Por volta das 19h30, sofreu a abordagem de um sujeito alto e armado, que a abraçou como se fosse seu namorado. Assustada, não teve alternativa a não ser ceder e acompanha-lo. “Fui arrastada para um canto escuro e violentada”, lembra. “Temia tanto pela minha vida que não consegui gritar.”

Aborto - Paciente Alessandra
A paciente Alessandra: "Deus não ia querer outra criança sofrendo no mundo" (Foto: Mario Rodrigues)

Em seguida, o bandido a largou no chão e fugiu. Ainda abalada, Alessandra entrou no ônibus e se dirigiu para casa. “Eu me sentia suja, envergonhada”, diz. “Não contei a história nem para o meu companheiro, com quem estou há quatro anos, por medo de que ele me deixasse.” Depois disso, tomou a pílula do dia seguinte na esperança de evitar uma gravidez. Para seu desespero, no entanto, descobriu em outubro que estava com uma gestação de catorze semanas. Mãe de duas meninas, uma de 12 e a outra de 13 anos, ela decidiu que não teria a criança. Em uma pesquisa na internet, ficou sabendo que, enquanto vítima de violência sexual, poderia procurar a rede pública de saúde para realizar um aborto. Trata-se de um direito garantido pela Justiça brasileira desde 1940. Aliviada, achou que o drama poderia ser resolvido rapidamente.

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Não foi assim. Primeiro, bateu à porta do Hospital Municipal Doutor Arthur Ribeiro de Saboya, no Jabaquara, que realiza o procedimento desde 1989 e se tornou um dos pioneiros do país nessa área (apesar de o Código Penal garantir às mulheres  direito há muito tempo, várias décadas se passaram até que a lei começasse a ser de fato cumprida). No local, os funcionários teriam se recusado a atender Alessandra. “Disseram que fariam o aborto se eu estivesse com no máximo doze semanas de gravidez”, afirma.

Na verdade, a norma do Ministério da Saúde sobre o assunto permite a interrupção com até 22 semanas, desde que o feto pese menos de 500 gramas. Depois disso, a doméstica tentou o Hospital São Paulo, na Vila Clementino. Novamente, perdeu tempo. Acabou encaminhada ao Pérola Byington, no centro. Ali, recebeu atendimento quase imediatamente. Após dois dias de exames e consultas com vários especialistas, ganhou da equipe do hospital, chefiada pelo obstetra  Jefferson Drezett, quatro comprimidos de misoprostol, vendido comercialmente sob o nome de Cytotec.

Originalmente prescrito para o tratamento de úlceras, o remédio passou a ser usado como abortivo, pois provoca contrações no útero, o que resulta na expulsão do feto. “Senti apenas algumas cólicas”, recorda-se Alessandra, que é católica mas não vai à igreja com frequência. “Não me arrependo. Deus pode me perdoar, pois não ia querer outra criança sofrendo no mundo.”

Aborto - Pérola Byington
O Pérola: prêmio de excelência do Banco Mundial (Foto: Mario Rodrigues)

Dramas como esse fazem parte da rotina do doutor Drezett desde 1994, quando montou o Serviço de Violência Sexual e Aborto Legal do Pérola Byington, hospital que pertence à rede estadual de saúde. De cabelos castanhos com mechas brancas caindo pelos ombros e um brinco de pérola na orelha direita, o obstetra tem um visual de roqueiro das antigas (é fã de Pink Floyd, AC/DC e Rolling Stones) e encara com naturalidade o dia a dia heavy metal,  repleto de episódios chocantes. “No começo, comentava em casa com minha mulher os casos das pacientes, mas, depois de um tempo, ela me pediu para parar, pois sofria muito ouvindo esse tipo de coisa”, diz ele, que vive há mais de três décadas com uma dentista (o casal tem um garoto de 17 anos) em um condomínio fechado em Alphaville.

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Fora uma breve interrupção entre 2002 e 2003, quando excursionou por sete países da América Latina dando palestras sobre o assunto, o doutor Drezett nunca deixou de cuidar do dia a dia do Pérola. O hospital realiza por mês mais de dez procedimentos do tipo, sendo o campeão nacional nesse campo. Pela excelência do trabalho ali realizado,  ganhou, no ano passado, um prêmio do Banco Mundial na categoria iniciativas regionais ligadas à violência de gênero. No Pérola, com até doze semanas de gravidez, a paciente passa por uma aspiração intrauterina. Depois desse prazo, o recomendável é o misoprostol. Muitas vezes, o próprio Drezett encarrega-se da operação. Segundo seus cálculos, fez mais

de 600 abortos até hoje. “Jamais tive problema algum de consciência”, garante. “Pelo contrário, fico satisfeito em garantir que esse direito das mulheres seja assegurado aqui.”

A questão do aborto legal vem sendo muito discutida devido ao recente projeto de lei do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele quer dificultar essa operação no país. A proposta, que passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no dia 21 de outubro, prevê, entre outras coisas, a obrigatoriedade de um boletim de ocorrência para a realização do procedimento (atualmente, basta a  palavra da vítima no hospital) e mais restrições à venda de medicamentos considerados abortivos no Brasil. Na prática, segundo os críticos da ideia, isso poderia impedir por aqui até a comercialização da pílula do dia seguinte, droga hoje vendida livremente nas farmácias. Nas últimas semanas, vários grupos foram às ruas em São Paulo para protestar contra Cunha.

Aborto - Catedral da Sé
Muro da Catedral da Sé: pichações cotnra a mudança na lei (Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Folhapress)

Uma das manifestações reuniu cerca de 5 000 pessoas na Avenida Paulista. No último dia 31, as paredes  da Catedral da Sé amanheceram com pichações de expressões como “útero laico” e “ventre livre”. O projeto do presidente da Câmara ainda precisa passar por outras instâncias de aprovação no Congresso, mas preocupa especialistas em saúde pública. “É um desrespeito à condição feminina e um atestado de ignorância”, ataca Drezett. “Não bastasse ser estuprada, a mulher tem de passar pelo constrangimento de ir a uma delegacia para provar que não é uma mentirosa.”

Aborto - Manifestação
Manifestação contra o projeto de Eduardo Cunha no fim de outubro: cerca de 5 000 pessoas na Paulista (Foto: Fox Press Photo/Folhapress)

No protocolo do serviço do Pérola, a pessoa com queixa de gravidez decorrente de estupro é atendida pelo setor administrativo e direcionada à realização de uma ultrassonografia. Na sequência, passa pelo grupo de assistentes sociais. “As vítimas chegam aqui com um sofrimento aprisionado muito grande”, relata Maria Estela Moura, uma das profissionais da área. “Na maioria das vezes, eu sou a primeira pessoa que escuta o relato delas.” A paciente é encaminhada depois para o time de psicólogas. “O mais importante é ver se a mulher está consciente da decisão que está tomando”, afirma Daniela Pedroso, uma das  especialistas do setor. “Dizemos também que ela pode optar por ter a criança, criá-la ou entregá-la à adoção.”

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Há ainda o atendimento de um ginecologista. Ao final, o processo é discutido por uma equipe multidisciplinar do hospital, responsável por definir se o aborto será ou não realizado. Cerca de 20% dos casos terminam vetados. Na maioria das vezes, isso se dá pelo fato de a gravidez estar muito avançada ou quando se conclui que a data da suposta violência não condiz com o tempo de gestação.   Nos processos aprovados, aproximadamente 10% das mulheres desistem às vésperas de tomar o misoprostol ou passar pela aspiração intrauterina. “Certa vez, uma delas mudou de ideia após receber a visita da avó, que lhe pediu para reconsiderar  a decisão”, relata Drezett. “Diante disso,  respeitamos a vontade da paciente e nunca obrigamos ninguém a seguir em frente”, completa.

Aborto - Daniela e Maria Estela
A psicóloga Daniela e a assistente social Maria Estela (Foto: Mario Rodrigues)

Do total de abortos autorizados no Pérola, 65%  ocorreram com mulheres adultas e 35% com crianças e adolescentes. Pacientes de classe média recorrem ao hospital, mas a maior parte vem de famílias mais pobres. Quando o caso envolve vítimas menores de 15 anos, o agressor está próximo ou dentro de casa. São padrastos, tios, cunhados e até mesmo os próprios pais e avôs. Foi o que aconteceu com a estudante Maria, que ficou grávida aos 14 anos, após estupros diários cometidos pelo padrasto, de 67, nos horários em que a mãe ia trabalhar fora. “Era só a esposa sair de casa que ele já começava os ataques”, conta a psicopatologista Sônia Regina Maurelli, fundadora da Casa de Isabel, instituição no Itaim Paulista que acolhe vítimas de violência. Com a ajuda da entidade, a menina fez o aborto em novembro de 2014, no Pérola Byington. A equipe do hospital realizou o teste de DNA, comprovando que o padrasto era o agressor. Ele foi preso e condenado a vinte anos de cárcere.

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As maiores de idade costumam ser atacadas na rua por desconhecidos, parceiros ou ex-namorados. Na semana passada, com as mãos suando frio e muito apreensiva, a boliviana Paloma, 19, encontrava-se no hospital esperando atendimento. Ela está grávida de um mês, após sofrer um estupro no Brás. “Era de noite, eu ia para a oficina de costura onde trabalho e moro quando fui levada para dentro de um carro com dois brasileiros”, relata ela, que não fala português e está, sozinha, há apenas três meses no país. “Eles me pegaram à força e taparam a minha boca.” Com medo de ser deportada (vive irregular no Brasil), custou a contar a alguém o que ocorrera. “Agora, quero voltar para a Bolívia quanto antes e sem esse filho.”

Aborto - paciente Paloma
A boliviana Paloma: atacada na volta do trabalho (Foto: Mario Rodrigues)

O Pérola recebe muitas pacientes de fora de São Paulo e até de centros de saúde da própria capital. Isso explica por que o total de abortos mais que triplicou no hospital de 2010 para cá. Nesse período, foram realizadas ali 553 interrupções de gestação, contra 33 procedimentos do tipo nos seis hospitais municipais da cidade indicados  pela prefeitura como referência na área. “É uma tremenda falta de respeito com as mulheres, que poderiam ser atendidas nessas redes mais próximas de suas casas”, critica Ana Paula Meirelles, coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher. “A negativa de acesso é tão grave quanto a violência sofrida”, completa a promotora Silvia Chakian, do grupo de enfrentamento à violência doméstica do Ministério Público de São Paulo, que promete investigar esses casos.

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Apesar do problema do funil que sobrecarrega sua equipe, o médico Drezett demonstra ter orgulho do trabalho da sua turma. Nascido em São Caetano do Sul, cursou medicina na Universidade São Francisco, em Bragança Paulista. Especializou-se em obstetrícia e ginecologia pela Universidade Estadual de Campinas. Foi lá que realizou seu primeiro aborto legal, em 1988, quando fazia residência no hospital da Unicamp, na mesma cidade. “A chefe do setor disse: ‘Eu vou sair para tomar um café e quero que você realize esse procedimento. Se eu voltar e você não estiver aqui, vou entender’”, conta. “Refleti sobre aquilo durante cinco minutos, que era o tempo de preparo do centro cirúrgico, e decidi fazer, na maior tranquilidade, pois não havia nada de errado”, afirma.

Com salário mensal de cerca de 5 570 reais, Drezett complementa a renda trabalhando em sua clínica particular de ginecologia e obstetrícia no Itaim Bibi. Cobra 400 reais por consulta e costuma realizar partos (dois a cada trinta dias, em média) em maternidades como o Santa Joana. Apesar da atenção que dispensa a essas pacientes, não disfarça ter um carinho especial pelas mulheres do Pérola. “Quando comecei lá, eu era o único a fazer o procedimento no hospital”, conta. “Até hoje, há colegas que se recusam a entrar nessa área”, completa. Drezett já ouviu em eventos públicos insultos como “aborteiro” e “abortista”.

Aborto - Jefferson Dezett 1
Drezett em evento no ano passado: palestras sobre o assunto no Dia Internacional da Mulher (Foto: Divulgação)

O doutor foi coroinha na infância e frequentou escolas dirigidas por freiras e padres. Por volta dos 30 anos, porém, assumiu ser ateu. Se não fosse assim, teria dificuldade em lidar com a atual rotina? “Aqui não é uma igreja, é um hospital público, com o dever de ser laico”, responde. Ele conta ter demitido um ultrassonografista que, mesmo orientado, insistia em mostrar os batimentos cardíacos fetais e as imagens para a paciente, como forma de convencê-la a desistir. “As pessoas que apresentam alguma objeção ao aborto legal têm todo o direito de não trabalhar aqui”, afirma o médico. A única “religião” de Drezett é o bem-estar das vítimas de violência sexual que chegam ao Pérola. “Considero uma missão dar dignidade a elas em um momento tão difícil”, resume.

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Centro de referência

Em quatro anos, o número de abortos legais mais que triplicou

2010 – 48

2011 – 74

2012 – 116

2013 – 137

2014 – 178

 

Antes da cirurgia

O passo a passo do trâmite necessário para que os médicos realizem a intervenção

  •  A mulher com queixa de gravidez decorrente de estupro é atendida pelo setor administrativo e direcionada à realização de uma ultrassonografia (não é obrigatória a apresentação de boletim de ocorrência)
  •  Na sequência, a paciente é encaminhada a uma assistente social e depois a uma psicóloga; por último, a um médico, que fará uma consulta ginecológica
  •  Após a análise dos exames, a equipe multidisciplinar discute o caso
  •  O aborto só pode ser realizado com, no máximo, 22 semanas de gestação e quando o feto pesa menos de 500 gramas
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  • Cozinha variada

    Las Chicas

    Rua Oscar Freire, 1607, Pinheiros

    Tel: (11) 3063 0533 ou (11) 3063 4468

    VejaSP
    3 avaliações

    Não são mais duas as chicas que comandam a apertadinha e agradável casa. A chef Carla Pernambuco se desligou do negócio, agora nas mãos apenas de Carolina Brandão. Outra mudança: o bufê de almoço foi substituído por opções à la carte em sistema rotativo, entre elas o estrogonofe com batata palha. No self-service, há somente saladas que guarnecem as pedidas. O cardápio se altera no jantar e traz receitas fIxas como o polvo com páprica picante e batata rústica (R$ 57,00). Um balcão deixa à vista as sobremesas, caso do pavê de goiabada e queijo mascarpone no copinho (R$ 14,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Suíços

    Florina

    Rua Cristóvão Pereira, 1220, Campo Belo

    Tel: (11) 5041 5740

    VejaSP
    5 avaliações

    Montada em um acolhedor imóvel de iluminação suave, a casa acaba de completar duas décadas. Receita de combate, a fondue aparece em sete versões compartilháveis, entre elas a valaisane (queijos gruyère e emmental mais tomate; R$ 110,00). Nos dias quentes, só fica disponível a clássica de queijos (R$ 110,00). Para acompanhar, pão, batata cozida, frios e picles de pepino e cebola. Se quiser dar uma variada, vá de penne com aspargo no ponto e presunto cru (R$ 49,00). De sobremesa, fondue de novo. Agora de chocolate com frutas e biscoitos (R$ 79,00, para dois).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Pizzarias

    Dona Firmina

    Alameda dos Anapurus, 1491, Moema

    Tel: (11) 5093 0302 ou (11) 5096 1298

    VejaSP
    6 avaliações

    Quando estreou três anos atrás, era uma das pizzarias mais promissoras da cidade, com a interessante proposta de reunir Itália e Portugal no mesmo cardápio. Mais recentemente, arriou um pouco. No fim da refeição, pode chegar um café tão mal tirado, pior que o tiramisu pesadão e carregado de açúcar. Às boas coberturas como a bologna (mortadela com raspas de limão- -siciliano; R$ 79,00) e a delicada alcachofra com queijo de minas (R$ 83,00), vieram se somar a roma (mussarela, ricota romana, salame, manjericão e queijo grana padano; R$ 81,00) e a terras novas (mussarela, figo, presunto cru, nozes e mel; R$ 84,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bares variados

    Jazz nos Fundos

    Rua João Moura, 1076, Pinheiros

    Tel: (11) 3083 5975

    VejaSP
    4 avaliações

    Sim, é verdade: o Jazz nos Fundos vai fechar as portas na primeira semana de dezembro. A boa notícia é que deve ser uma situação temporária. Responsável pelo espaço, Maximo Levy pretende reerguê-lo em algum momento do primeiro semestre de 2016, em um prédio de quatro ambientes no mesmo quarteirão. O novo endereço promete ser mais bem estruturado, mas o nome não deve perder o sentido: assim como ocorre hoje neste misto de bar e casa de shows descolada, o acesso se dará pelos fundos de um estacionamento. De qualquer modo, vale ficar atento à programação da casa, já que será a última chance de conferir ali apresentações bacanas, como a do Pepe Cisneros Quinteto (13/11), liderado pelo competente pianista cubano.

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  • Drinques

    Anexo SB

    Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, 480, Itaim Bibi

    Tel: (11) 3074 4389

    VejaSP
    Sem avaliação

    O Anexo SB não chega a ser um anexo. É mais um cantinho no Boteco São Bento do Itaim Bibi, separado do salão por uma divisória, mas de onde se poder observar o vizinho (e escutar o putz putz). Nesse espaço, dedicado aos drinques, o barman Laércio Zulú, ex-La Maison Est Tombée, acaba de assumir as coqueteleiras. Na terça (10/11), o titular estreia a carta, em que chamam atenção as misturas ao estilo tiki, que remetem ao Havaí e à Polinésia. Em copo na forma de toten, o leve crazy bamboo (R$ 27,90) equilibra rum envelhecido, rapadura, abacaxi, cassis, limão e Campari. Em outro extremo, o like a alaska (R$ 29,90), de gim, noz-moscada, licor de ervas e bitters de laranja, é para ser tomado de gole em gole.

    Preços checados em 3 de novembro de 2015.

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  • Hamburguerias

    Mito Burger Original Diner

    Rua Caiubi, 1450, Perdizes

    Tel: (11) 3672 5532

    VejaSP
    Sem avaliação

    Para usar uma expressão da moda, é possível dizer que José Rodolfo Silvério “mitou”. Em julho, o empresário pôs fim à sociedade de sete anos com Celso Ribeiro nas lanchonetes Zé do Hambúrger. Na divisão, Silvério, mais conhecido como Zé, ficou com a unidade da Rua Caiubi e a rebatizou de Mito Burger — o antigo nome agora pertence ao ex-parceiro, que mantém o endereço da Rua Itapicuru, também em Perdizes. Da decoração à brigada, quase nada mudou, à exceção de alguns novos lanches no cardápio. O calhambeque é um hambúrguer de 150 gramas, com a estrambólica combinação de creme de cheddar, chili, cream cheese e cebolinha no pão chapeado com manteiga. Servida junto de batata ao tomilho e alecrim, a sugestão custa R$ 39,00. São bem melhores clássicos como o cheese salada (R$ 20,00).

    Preços checados em 21 de junho de 2016.

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  • Algumas crianças inventam histórias no palco. Eis o ponto de partida (mais do que manjado, é verdade) de A Lenda do Vale da Lua. Felizmente, a direção de Wilma de Souza consegue conduzir o enredo para além do óbvio e ter boas sacadas. Além de a montagem misturar poesia, música e brincadeiras, sua graça está em compor o cenário aos poucos, com a chegada de elementos no decorrer da peça. Os quatro atores em cena (Daniel Granieri, Sabrina Petraglia, Jacqueline Sato e Vitor Placca) se revezam nos papéis de uma família e interagem com a plateia. Referências nordestinas aparecem no sotaque de parte dos personagens e na trilha sonora, composta por Chico César e Cantada ao vivo. Adaptado do livro homônimo de João das Neves, o texto agrada em especial nos momentos engraçados. Numa ótima sequência, uma ema gigante oferece aos garotos uma de suas penas para eles brincarem. A interação do boneco com o time de atores reforça a qualidade do elenco, que mostra muito mais do que caras e bocas. Acompanha o grupo o músico Cristiano Meirelles, que faz as vezes de um simpático índio. Instalado no canto do palco, ele cria interessantes efeitos sonoros. Estreou em 10/10/2015. Até 20/12/2015.
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  • Depois do monólogo Jocasta (2013), a atriz Débora Duboc retoma a parceria com o diretor Elias Andreato em um espetáculo híbrido. Se na parceria anterior a dupla carregava na tragicidade do mito da mãe de Édipo e a artista soltava a voz em quatro canções criadas para a montagem, aqui é percorrido o caminho inverso — e mais arriscado. Sou Toda Coração pode ser defnido como um musical dramático, e são composições de Chico Buarque, Caetano Veloso, Noel Rosa, Waldick Soriano e Rita Lee que dão passagem à dramaturgia, apoiada em fragmentos de textos de Fernando Pessoa, Shakespeare e Clarice Lispector. Em comum, todos tratam de amor e mágoas guardadas, beirando o cafona sem disfarces. Na encenação, Débora representa uma cantora de cabaré que, acompanhada por um pianista (o diretor musical Jonatan Harold), mistura os versos com sua desordem íntima. O modelo é inspirado no teatro celebrizado pelos alemães Bertolt Brecht e Kurt Weill na década de 20 e consagrado no Brasil por “cantrizes” como Cida Moreira e Maria Alice Vergueiro, nos anos 70 e 80. Débora, no entanto, se sobrepõe quando esquece que está ali para cantar e deixa o talento de atriz dominar o palco. Ponto alto, a impactante interpretação de um trecho da peça Gota d’Água, imortalizada por Bibi Ferreira, seguida da canção-título de Chico, mostra que a protagonista surpreende pela afnação, mas pisa realmente firme ao encarnar as dores de personagens guiada pelo sentimento. Estreou em 28/10/2015. Até 10/12/2015.
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  • Imagine uma música celta com batidas eletrônicas experimentais, vocais sombrios e elementos do jazz. Ah, e um pouco de percussão africana numa faixa ou noutra. Ficou difícil? Só quem for ao festival Dias Nórdicos, pela segunda vez em São Paulo, vai entender a proposta ousada (mas que funciona, acredite) de quatro atrações trazidas da Dinamarca, Suécia, Finlândia e Noruega. Para diminuir um pouco o estranhamento, a maior parte das composições é cantada em inglês. O projeto dinamarquês Lyndmor, da jovem cantora Jenny Rossader, traz produções eletrônicas bem dramáticas, um sucesso na cena alternativa de Copenhague. Da Suécia, a cantora Alice Boman e o trio Hey Elbow usam os batuques africanos para complementar os arranjos mais frios do eletrônico. Completam a programação o synthpop de Hisser, banda da Finlândia, e o norueguês Moddi, um respiro folk tocado apenas com acordeão, bandolim e guitarra acústica no meio de tantos sons mixados e distorcidos. Dia 12/11/2015.
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  • Afranquia 007 ganhou vitalidade com a entrada de Daniel Craig no papel do protagonista. Desde 2006, foram três longas-metragens, muitas correrias e alguns mortos. O quarto episódio da cinessérie com Craig (e o segundo dirigido por Sam Mendes) é 007 contra Spectre. Vale o aviso: seria bom re(ver) os filmes anteriores da nova fase para compreender o roteiro em sua totalidade. A história traz de volta personagens antigos para, justamente, fazer com que James Bond entenda o motivo da morte de M (Judi Dench), em Operação Skyfall (2012), e das maldades ao seu redor. Só assim, parece, o agente secreto poderá enterrar seus fantasmas. Em um plano-sequência magistral, a trama tem início na Cidade do México. Bond está numa missão, consegue ser bem-sucedido, mas deixa estragos no local que comprometem seu futuro. Perde a licença, mas não desiste de encontrar o responsável pelos pesadelos de seu passado. Itália, Áustria, Marrocos e, claro, Inglaterra servem de belos cenários para uma aventura com ação em escala menor e estofo dramático. Trata-se de um James Bond, digamos, mais cerebral e romântico, embora a fúria de 007 (em já icônica encarnação de Craig) seja sua marca registrada. Estreou em 5/11/2015.
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  • Filme de tribunal é um subgênero que tem bons resultados no cinema americano. Surpresa vinda da Holanda, A Acusada se aproveita de um episódio real e entrega à plateia uma trama de reviravoltas em fervoroso caso judicial. Em 2001, um bebê morreu numa maternidade, e a enfermeira pediátrica Lucia de Berk (papel de Ariane Schluter) foi apontada como a principal suspeita e afastada do serviço. Uma promotora e sua assistente levantaram algo espantoso sobre o passado dela. Em três hospitais onde Lucia havia trabalhado foi constatada a morte de outros recém-nascidos e também de idosos. Apelidada pela opinião pública de “Anjo da Morte”, ela vai a julgamento. De posse de um roteiro enxuto, a diretora Paula van der Oest, sem enrolações, consegue trazer à tona uma história verídica contada de maneira pouco romantizada. Estreou em 5/11/2015.
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  • Ney (Rômulo Estrela) e Marcos (César Cardadeiro) eram donos de um bar e tocavam numa banda de rock. A paixão pela música os unia — até o surgimento de Bebel (Maria Casadevall). Essa encantadora vizinha mexeu com os hormônios dos amigos, mas escolheu se envolver afetivamente com Marcos. Corte para vinte anos depois. Enquanto Ney (agora vivido por Marcelo Serrado) está cego e virou um astro da canção romântica, Marcos (Otávio Müller) é um poço de desilusão e amarga uma carreira como funcionário público. Bebel (Soraya Ravenle) encontra-se internada num hospital por causa de uma overdose. Três personagens principais em duas épocas distintas movem o drama Depois de Tudo, eficiente adaptação da peça No Retrovisor (2003), de Marcelo Rubens Paiva, também um dos roteiristas. No presente, a fina ironia nos diálogos dos cinquentões traz situações de humor ácido e afiado. O passado, na década de 80, se mantém firme e forte como um genuíno registro de época. A geração Coca-Cola ganha aqui um transparente acerto de contas embalado por Soldados, da Legião Urbana. “Quem é o inimigo, quem é você?”, cantava Renato Russo. Estreou em 5/11/2015.
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  • Hoje Eu Quero Voltar Sozinho abriu uma grande porta para que o cinema nacional possa abordar os afetos dos jovens ainda incertos quanto à sexualidade. Beira-Mar, dos diretores gaúchos Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, rema a favor da maré, embora tenha alguns desacertos. De Porto Alegre, partem os amigos Martin (Mateus Almada) e Tomaz (Maurício José Barcellos). Eles são de poucas palavras, mas sabem que podem contar um com o outro. Tomaz está levando o colega de carro até uma cidade do litoral do Rio Grande do Sul para resolver uma pendência familiar. Nos dias que se seguem, eles vão fazer surpreendentes descobertas. Um roteiro mais elaborado (e de mais estofo) faria bem à produção independente. No entanto, a dupla de cineastas possui inegável talento para registrar os embaços dos protagonistas em sequências de voltagem homoerótica. O fim impetuoso acaba, até, justificando o desconjuntado meio. Estreou em 5/11/2015.
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  • Em reestreia com cópia restaurada, Mamma Roma é o segundo longa-metragem de Pier Paolo Pasolini (1922-1975), tema também do lançamento Pasolini. Trata-se de um trabalho mais, digamos, “domado” do provocador realizador de Pocilga e Saló ou Os 120 Dias de Sodoma. Numa trama com ecos do neorrealismo italiano, o filme traz à cena a personagem ardorosa de Anna Magnani (ela mesma uma presença sempre exuberante). Ex-prostituta, Mamma Roma leva uma vida comum vendendo frutas na feira. Quando consegue juntar as economias e mudar de apartamento, traz do interior o filho adolescente. Mas Ettore (Ettore Garofolo) não se encaixa nos moldes, agora convencionais, da mãe e prefere a companhia de amigos arruaceiros. Ela, por sua vez, terá outra decepção quando o antigo cafetão ressurge fazendo exigências. A fotografia em preto e branco emoldura um registro de época ambientado em uma Roma em crescente desenvolvimento, embora enraizada em velhos conceitos. Reestreou em 5/11/2015.
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  • Cinebiografia

    Pasolini
    VejaSP
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    A pouco calorosa recepção no Festival de Veneza do ano passado a Pasolini já foi um atestado de seu futuro fracasso. Na intenção de “radiografar” a alma contestadora do diretor italiano, o cineasta americano Abel Ferrara realizou um filme frio, simplista e, como muitos trabalhos de sua carreira, pretensioso. A recriação de época, a reconstituição do assassinato de Pier Paolo Pasolini (1922-1975) e o empenho de Willem Dafoe em dar vida ao protagonista são os pontos altos. Fora isso, Ferrara, desajeitadamente, mescla a realidade e a ficção dos filmes do mestre — daí a boa oportunidade de rever Ninetto Davoli, ator de, entre outros, Os Contos de Canterbury e As Mil e Uma Noites. Em 1975, Pasolini está às voltas com o término de Saló ou Os 120 Dias de Sodoma. Ferrara abre espaço para mostrar que, além de um profissional do cinema, ele foi escritor e poeta. Trata-se, o.k., de uma homenagem autoral, mas o resultado não fica à altura do biografado. Estreou em 5/11/2015.
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  • Reconheceu o ator da foto acima? Com o rosto rechonchudo, Leandro Firmino da Hora fez o papel de Zé Pequeno, em Cidade de Deus. Lançado em 2002, o filme de Fernando Meirelles ganhou repercussão internacional e concorreu a quatro prêmios no Oscar de 2004. Com a maioria de atores não profissionais e saídos das favelas do Rio de Janeiro, o longa-metragem conseguiu projetar futuras estrelas, como Alice Braga, Thiago Martins, Seu Jorge e Roberta Rodrigues (uma das funkeiras da novela A Regra do Jogo). Mas grande parte do elenco não teve o mesmo destino. Uma das virtudes de Cidade de Deus — 10 Anos Depois é justamente trazer à tona depoimentos da rapaziada que, movida pelo sonho de virar astro, enfiou os pés pelas mãos. Leandro Firmino da Hora até emplacou trabalhos na TV, assim como Darlan Cunha (o Laranjinha) e Douglas Silva (o Acerola). As entrevistas dos “quase anônimos” têm, porém, o poder de fazer uma radiografia mais arguta de jovens desiludidos. É o caso, por exemplo, de Felipe Paulino, o garotinho que tomava um tiro no pé de Zé Pequeno. Por conflitos com o pai, ele desistiu da carreira e trabalha como funcionário de um hotel no Rio de Janeiro. Jefechander Suplino, o Alicate, envolveu-se com o tráfico e está “desaparecido”, nas palavras de sua mãe. Contudo, com fatos pontuais, o documentário chega às telas envelhecido. Rubens Sabino foi preso por furto em 2003 e, no filme, tenta recomeçar a vida como compositor. Mera ilusão. Em abril deste ano, Sabino, viciado em drogas, foi encontrado nas ruas da Cracolândia, em São Paulo. Estreou em 5/11/2015.
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  • A Indesejada

    Atualizado em: 30.Nov.2015

Fonte: VEJA SÃO PAULO