Poluição visual

A lei Cidade Limpa ainda encontra problemas

Muitos suportes de outdoors e letreiros permanecem poluindo o visual

Por: Camila Antunes - Atualizado em

Quando a lei Cidade Limpa entrou em vigor, há quase um ano e meio, muitos paulistanos duvidavam que ela iria pegar. Estavam enganados. De lá para cá, São Paulo praticamente se livrou de 15 000 outdoors e outros tantos letreiros gigantes que indicavam os 300 000 estabelecimentos comerciais da capital. Hoje, é possível andar pelas ruas certo de que os olhos serão poupados do massacre dos anúncios. O balanço – após aplicação de 2?226 multas, uma média de cinco por dia – é positivo. Venceu o direito do paulistano de ter uma cidade mais organizada e mais bonita. Mas a guerra contra a poluição visual ainda está longe do fim.

Mesmo com a retirada de anúncios, alguns suportes permanecem como esqueletos assombrando São Paulo. Entre as pontes da Vila Maria e da Vila Guilherme, na Marginal Tietê, por exemplo, contam-se três estruturas de ferro em frente a galpões comerciais. O mesmo ocorre na Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda, e na Rua da Consolação. Tais trambolhos passam a impressão de abandono e tornam-se alvo de pichadores. Cabe à empresa que fixou o outdoor retirá-lo, sob pena de levar multa de 10 000 reais no mínimo. A prefeitura também dispõe de um serviço para remoção das carcaças. No último ano, os agentes oficiais recolheram 1 330 totens. "Intervimos se não há acordo com os proprietários", afirma o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo. "Damos prioridade aos casos em que cansamos de aplicar multas ou quando a população reclama." O trabalho é lento, pois desmontar e transportar as peças exige bloqueio do trânsito. Outras vezes, a dificuldade está em localizar o proprietário do outdoor e forçá-lo a adequar-se à lei.

Nada disso explica, no entanto, aqueles postes horrendos ao longo da raia olímpica da USP, na beira da Marginal Pinheiros. Segundo a Subprefeitura de Pinheiros, ninguém será multado e eles nem devem sair dali, pois supostamente servirão como suporte para um novo sistema de iluminação. Será que vai levar muito tempo para chegar a luz?

Fonte: VEJA SÃO PAULO