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CET vai aumentar o arsenal de radares na capital

Companhia bateu o recorde histórico de multas de trânsito aplicadas em 2013

Por: Silas Colombo

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Central da CET, na Consolação: a tecnologia ajudará no monitoramento do tráfego em tempo real (Foto: Fernando Moraes)

Mesmo após bater o recorde histórico de multas de trânsito aplicadas em 2013 — foram registradas 10 153 567 autuações, mais de 136 000 por hora —, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) vai trocar todo o seu arsenal de radares de fiscalização eletrônica por novos modelos que registram até nove tipos de infração, além de aumentar em 40% a quantidade de equipamentos para o monitoramento da conduta dos motoristas paulistanos.

O número de lentes que vão flagrar os deslizes passará de 601 para 843 até o fim deste ano. Os quatro consórcios que venceram a licitação para instalar e fazer a manutenção dos aparelhos por cinco anos já iniciaram os primeiros estudos para decidir onde os fiscais eletrônicos serão posicionados. Uma parte deles irá para avenidas de regiões periféricas, que hoje ainda não têm esse tipo de monitoramento. As vias que recentemente receberam faixas e corredores para ônibus também terão prioridade. De 2012 para 2013, quando a cidade ganhou quase 300 quilômetros dessas áreas exclusivas, em um investimento estimado em 15 milhões de reais, o volume de autuações por invasão dos corredores por automóveis cresceu 820%. A arrecadação no período somente com esse tipo de multa foi de 21 milhões de reais — 6 milhões de reais a mais, portanto, que o total investido pela prefeitura na criação das faixas e corredores.

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O Viaduto Tutoia, em uma imagem de 2011: equipamento escondido (Foto: DIOGO MOREIRA/FUTURA PRESS)

Os dispositivos antigos serão aposentados e modelos mais modernos, capazes de registrar simultaneamente transgressões como excesso de velocidade, circulação em dia de rodízio e avanço de sinal vermelho, vão apertar ainda mais o cerco aos motoristas. “É como colocar um marronzinho 24 horas por dia no lugar”, compara Flávio Fisherman, consultor de engenharia de tráfego. Além disso, os equipamentos são capazes de ler a placa de um veículo e indicar se ele está com o licenciamento atrasado, não passou pela inspeção veicular ou se existe alguma queixa de roubo ou furto, por exemplo.

A reformulação custará cerca de 530 milhões de reais — em média 10 500 mensais por radar. O investimento, porém, não preocupa a contabilidade da CET. No ano passado, a arrecadação com multas passou dos 850 milhões de reais. Com a implantação gradativa do novo parque tecnológico, a estimativa é que, ainda neste ano, o valor suba para 1,2 bilhão de reais. “A presença das câmeras por si só já deveria fazer o trabalho de inibir ações displicentes dos motoristas, mas a taxa ajuda a reforçar a mensagem de que aquilo não deveria ser feito”, entende o especialista em trânsito Sérgio Ejzemberg. O dinheiro arrecadado deve, por lei, ser usado em ações educativas, sinalização, renovação da frota da CET e manutenção de semáforos.

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Carro invade faixa de ônibus no Corredor Norte-Sul: vias com áreas exclusivas terão prioridade para receber os radares (Foto: rivaldo gomes/folhapress)

Para muitos críticos, disciplinar o trânsito é apenas uma desculpa para alimentar uma “indústria de multas”. O volume expressivo da arrecadação e o fato de alguns equipamentos ficarem em locais pouco visíveis incrementam o debate sobre qual seria a real motivação da prefeitura. “Muitas vezes não encontramos nem a placa com o limite de velocidade para poder cumprir a lei”, reclama o taxista Robson Medeiros, que trabalha na Zona Oeste. Pelo menos oitenta dos novos radares ficarão à espreita atrás de pontes e viadutos. A CET diz que o objetivo desse tipo de instalação é melhorar o monitoramento principalmente de motocicletas em vias como as marginais Tietê e Pinheiros — campeãs em acidentes. Tadeu Leite Duarte, diretor deplanejamento do órgão, admite que há dificuldade para flagrar motos nessas vias, já que as imagens captadas a partir dos postes laterais saem com sombras.“Nessa situação, em que a foto só pode ser feita por trás, os viadutos são melhores opções”, explica.

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Quando julgam que o aparelho está propositalmente escondido ou que não há alertas suficientes para quem passa no trecho com a fiscalização eletrônica, atitudes vetadas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), os especialistas do órgão entram em ação e pedem a remoção ou a realocação do equipamento. Isso ocorreu em 2011, por exemplo, no Viaduto Tutoia, que cruza a Avenida 23 de Maio. Na época, a CET foi obrigada a mudar a posição do radar do local, instalando-o em um poste para deixar mais visível o “dedo-duro”.

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Além de cuidarem das infrações nas ruas e avenidas na capital, os novos dispositivos devem ajudar no monitoramento do tráfego em tempo real. Eles vão transmitir para a central da CET a velocidade média dos veículos e as condições do trânsito. Os números estarão disponíveis na internet. “Vamos ter bancos de dados que vão receber essas informações e transformá-las em algo útil para os usuários”, promete Duarte. O incremento de tecnologia também tem como objetivo ajudar na fiscalização do rodízio municipal, que será ampliado. A prefeitura quer aumentar de 150 para 521 quilômetros o total de vias dentro da área de restrição. O processo de implantação, que deveria ocorrer em abril, foi adiado e ainda não há uma nova previsão de quando acontecerá essa mudança. 

As principais tecnologias utilizadas por aqui nas últimas duas décadas

1995 – Os primeiros radares captavam as imagens dos motoristas infratores em filme convencional e eram disparados por sensores de radiofrequência

1997 – Entram em cena os equipamentos disparados por sensores de laser, aumentando a precisão em quase 200%

2006 – O registro de infrações do rodízio municipal começa a ser feito com os equipamentos. O processamento das imagens já era digital e a captação, feita por infravermelho

2014 – Um mesmo equipamento registra nove tipos de infração. Com o sistema de leitura eletrônica das placas, é possível identificar também se o carro está com o licenciamento em dia

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* Em Reais (Foto: Veja São Paulo)

Fonte: VEJA SÃO PAULO